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sábado, 4 de janeiro de 2014

Capítulo 2: Nas cavernas profundas

- Você sabe quem eu sou, não sabe? - A voz era áspera e rouca, como um sussurro forçado por uma boca seca, coberta de areia...
- Não, eu não sei, eu apenas quero sair daqui....
- Você pode sair dos meus domínios, mas jamais tirará meus domínios de você...
- Quem? Quem é você? - a voz de Arthur vacilou de medo e pânico...
- Arthur... Arthur... Arthur...

Arthur abriu os olhos com a sensação de não tê-lo feito. Seu corpo doía todo, foi a segunda sensação que teve. Forçou mover-se e viu que não havia quebrado nada, embora houvesse algo pontiagudo em suas costas, não chegou a ferir mais do que incomodava.

Totalmente cego, a escuridão era total. Qualquer que fosse o buraco ou sumidouro que havia caído, ele deveria fazer um cotove-lo em algum lugar. Foi quando voltou a ouvir... Ouvia a Orthur chamando-o...

- Arthur, você está bem Arthur?
- Orthus, cale-se. Estou bem, bastardo inútil...
- Por mil demônios, Arthur, que susto! Achei que teria que achar comida sozinho, no escuro, de novo...
- Ah cale-se Orthus, foi o vento, foi o vento...
- Você está bem?
- Estou, estou, mas estou completamente cego aqui. O sumidouro deve fazer um cotovelo...
- Então não perca mais tempo aí embaixo, vou jogar uma tocha. Procure pela luz... Vá para a luz, Arthur... Vá para a luz...
- Muito engraçado Orthus, você deveria ser bardo, sabe?

Arthur viu a luz da tocha caindo... Quase apagou com o vento da queda, mas Orthus tinha colocado bastante óleo e a tocha voltou a ter vida após aterrizar. Arthur pôde ver bem onde estava... As paredes pareciam escavadas, e havia uma escrivaninha improvisada nas pedras. Também haviam livros, e um teto alto... O piso do sumidouro fazia um escorregador quase natural, de tão bem polido que a pedra havia sido... E ainda assim, podia-se notar uma escada nas bordas, para facilitar a saída, não era a escadaria de um palácio, mas qualquer um, de qualquer idade, poderia passar por ali.

- Arthur, maldito diabos, achou a tocha? Ou terei que me jogar aí para você vê-la?
- Vejo, vejo sim, Orthus... Já vou subir...
- E que tal é ai embaixo, algo interessante? Ou so cobrimos esse buraco antes que outro idiota caia também?
- Nada Orthus, só folhas mortas e alguns esqueletos de bichos, mais nada...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Capítulo 1: No princípio

A flecha passou zunindo pela orelha do coelho, afugentando ao pequeno roedor.

- Você já foi melhor, não é mesmo, Arthus?
- Foi o vento, Orthus, você sabe que não erro daqui...
- Sei, sei Arthus... 

Mas Arthur e Orthus estavam os dois cansados. Já faziam sete dias que os dois exploravam as regiões das montanhas das colinas escarpadas. A culpa era de Orthus, que colocou arame farpado no travesseiro do comandate do forte...

- Sei que você ainda me culpa Arthus...
- E tenho razão, Orthus...
- Tecnicamente a culpa é do comandate... Ninguém fica duas semanas na dispensa descascando batatas, Arthus, esse comandate sabia o que semeava...

Fazia muito calor, mas como todos os dias, o sol ardido daria lugar a um frio imenso nas noites... Arthus limpou o suor da testa e viu que Orthus o imitava. A roupa de tecido grosseiro, de linha crua, não facilitava o dia, mas era o uniforme dos guardões do forte escarpada... Arthus deu ainda um longo gole no cantil que carregava, ele tinha fome, e olhou ao horizonte, em busca de movimentos de animais entre as plantas. 

- Você sabe por que ficamos duas semanas na dispensa Orthus, foi culpa sua também...
- E você cobriu por mim também...
- Você é tonto demais para pagar penitência sozinho...
- E você tem pouca pontaria.
- Foi o vento...
- Você já foi melhor Arthus...

Em silêncio, os dois entenderam por terminada a discussão. Orthus era mesmo melhor rastreador que Arthus... Silenciosamente, que chegou a surpreender a Arthus, uma flecha percorreu entre moitas e árvores, e terminou em cheio num coelho gordo... Orthus olhou sorrindo para Arthus só para provocar, Arthus sorriu sarcástico de volta...

- Quem não mata...
- ... cozinha! Eu sei Orthus, eu sei... Agora acende o fogo, dormimos aqui hoje. Eu vou lá buscar a caça.

Orthus não gosta de dormir entre as pedras, é pouco abrigado do frio e faz a fogueira ser visível de longe, mas ele estava cansado de provocar o amigo. Os dois eram amigos em Silverstone, desde crianças. Ambos órfãos, Arthus perdeu os pais por doença, Orthus é um bastardo de algum burgo mestre da cidade. "Não importa como chegamos ao mundo, importa o que fazemos nele", dizia sempre Arthus. E os dois tinham uma vida de roubos de comida, outras vezes, trabalhos honestos nos portos carregando ou descarregando os navios. Foi o comandante Beor Notilus que os salvou e os colocou na guarda da cidade, e depois no Forte, onde além de ganharem seus salários, tinham uma vida...

Orthus espantou as lembranças da memória, percebendo que fazia um tempo que Arthus não reclamava de nada. Ele olhou ao redor, procurando pelo amigo, mas tudo que viu, foi uma poeira levantada pelo vento, poeira de pedras movidas de pressa na terra seca. Arthus havia caído em algum buraco, alguma caverna oculta...

- Arthus! Pelos deuses, Arthus!!!



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Prólogo: Os heróis de Zorgoth

A espada zunia no ar conforme os golpes eram deferidos com velocidades impressionantes. A cada golpe, um sangue negro e fétido espirrava para todos os lados, e a criatura, gigantesca como dez homens, estava agora apoiada em seus joelhos e sofria de dor a cada golpe que lhe arrancava a carne. Mas ela ainda estava viva, e não se deixaria morrer, afinal, ela era um deus guerreiro, e estas batalhas estavam em seu coração. Com um poderoso golpe arremessou o homem envolto em latas contra as paredes de seu castelo, com um urro poderoso derrubou ao longe aquele que parecia ser o mago e num pensar ligueiro, dardos mágicos, esferas flamejantes e flechas mágicas, constituídas de ácido puro disparavam contra o pagão do outro lado do salão. Houve explosão e aquele homem também tombou. Havia mais um, mas ele não conseguia achá-lo. Zorgoth, o deus monstro olhou ao seu redor, e esboçou levantar-se, foi quando Otomo, o descendente da raça semi extinta de humanos, vindos do oriente distante, caiu sobre ele, e num berro histérico invocou o poder do dragão e um raio de um amarelo vibrante e poderoso explodiu na cara de Zorgoth, cegando-lhe um dos olhos para sempre, além de qualquer magia, rasgando-lhe o peito e atravessando a coxa de sua perna ainda dobrada pelos golpes de Kraugsten.

Dancan também já havia se recuperado do golpe sofrido e num manear de cabeça, Otomo soube e desapareceu novamente, teleportando-se com sua arte ninja para longe, enquanto cones de gelo, muralhas de chamas e relâmpagos explodiam juntas sobre Zorgoth, tombando-o para o outro lado da câmara. O nariz de Dancan sangrava cântaros pelo esforço, mas ele não poderia cessar de conjurar magias atras de magias, manter a criatura aturdida para os outros poderem matá-lo. Num teleporte e surge sobre a criatura, a dez metros de altura, a tempo de assistir sua localização anterior ser destruída por uma estrela cadente, era a vez de Dancan novamente, e choveram sobre a criatura dezenas de flechas ácidas, relâmpagos, dardos místicos e um poderosa bola de fogo, mas Dancan não tinha tempo de assistir a explosão, e num novo teleporte, surgiu ao lado de Kraugsten, levantando-se de mais uma ressurreição que lhe abençoava o escudo da fênix.

Os danos mágicos não eram nada para Zorgoth além de incômodos, interrompiam seu pensamento e o distraiam, então ele desejou que o mago perdesse todos seus poderes e foi atendido. Desejou a morte do guerreiro maldito, e foi atendido. E ia desejar que o escudo maldito da fênix sumisse, quando um novo raio amarelo e poderoso surgia do chão, rompendo-lhe o couro de seu queixo, explodindo um par de dentes e arrancando-lhe a língua, para sempre. A criatura urrou e assustada manqueteou para trás. Sua poderosa cauda chicoteou o ar de onde havia vindo o golpe, mas era tarde, Otomo já havia sumido dali novamente. Zorgoth contudo não sabia do quanto este poderoso golpe o drenava, e agora ele estava quase morto, ao lado de fora do templo, torcendo secretamente que não precisasse mais usar este poder benção e maldição que possuía.

Dancan sacando pergaminhos mágicos preparados para isto de sua algibeira, desejou seus poderes mágicos de volta, desejou Kraugsten e Incligan o clérigo renovados e descansados como se acabassem de despertar de longas férias, e desejou que a criatura esquece todas as magias que sabia. Então caiu exausto do próprio esforço.

A batalha com a criatura-deus-monstro ainda duraria mais duas horas. Inclingan atacando e curando-se alternadamente aos ataques de Kraugsten e sua fênix, mas eles estavam destinados a vencer e o fizeram. Os mesmos quatro que entraram na batalha contra Zorgoth e seus generais saiam agora, esgotados, mas vitoriosos, haviam salvo os velhos reinos esquecidos, mas sabiam que haviam matado mais um pouco da velha magia ancestral que ainda habitava aqueles reinos. Reinos antigos, exaustos das batalhas e distantes de seus deuses, de uma magia poderosa, mas pouca. Haviam ainda dragões, e Linches, e males, mas eram poucos e pouco interessantes. Havia ainda pelo que lutar, mas não para estes quatro heróis, devotados por toda sua vida a combater e vencer o deus monstro Zorgoth e sua legião de terror, um velho fantasma dos tempos da magia fluente e abundante da terra. Com seu fim, seus acólitos perderiam seus poderes, os monstros que sua vontade mantinha cativos estavam livres, mas desorganizados, não eram mais um exército, e sim um bando caótico, e que matariam a sí mesmos antes de poderem fazer algum mal a quaisquer outras criaturas.

Um ano mais tarde, a batalha ainda era cantada em estalagens e invejada por novos heróis, mas estes heróis épicos, vitoriosos, também haviam perdido algo ali naquela batalha, e hoje viviam reclusos em seus fortes, vendo os dias tornarem-se noites e as noites tornarem-se dias. A chama do desafio havia deixado de queimar sobre seus peitos. Kraugsten chegou a renunciar seu próprio forte e seguidores e foi viver com Incligan. Dancan estava semi louco e paranoico com uma possível volta da criatura e se isolara numa torre gigante e protegida por tudo que sabia de mágicas. As diversas ressurreições que havia atravessado cobravam seu preço e a sua saúde seria frágil para sempre, além de qualquer possibilidade. Foi quando Vectorius surgiu com sua cidade flutuante e ofereceu a eles um novo reino, um novo lar, onde poderiam ajudar a educar novos heróis, um reino que precisava destes heróis, pois era jovem, de magias abundantes e deuses caminhando entre mortais e alterando suas vidas por caprichos tolos. E algo acendeu no peito de cada um deles novamente… Eles iriam para este novo mundo, Arton, conhecer novos desafios, sorver da magia jovem e abundante, começar do zero para, quem sabe, serem importantes novamente um dia.

Overthinking Back to the future

And you thought I would let the date go blank, right? We arrive and go through that moment where the three "Back to the Future" fi...