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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Resenha: Ajin, Segunda temporada (só spoilers)


Para tornar a curta a história longa, a segunda temporada foi Meh.

5 de 10 emoticons de sorriso: 😀😀😀😀😀XXXXX

A segunda temporada assume imediatamente de onde parou a primeira temporada. Mas só na história, a narrativa é longa, cansada, Kei Nagai está menos sociopata, agora ele parece ter uma desculpa para sua postura distante e apática, o governo está mais receptivo e amável com os Ajins, Tosaki está seco como sempre, mas parece impotente o tempo todo, não aquele agente determinado e focado.

A irmã de Nagai aparece um pouco, como também Sato aparece um pouco. Da mãe deles só sabemos no último episódio. O vilão desiste de ter um plano, quando eram seus planos tão bons na temporada um, e tem um monte de recurso "ex-machina" na história o tempo todo.

Claramente uma temporada inteira que tem a mesma função de toda a trilogia, amarrar a ponte do primeiro para terceiro filme. E só. Com excessão de De volta para o futuro. Aqui, a história vem lenta e sem a paixão. De positivo, depois de prever quase tudo que aconteceria na história, assim como em Knights of Sidonia temporada 2, o final me surpreendeu e salvou a temporada. Mas como regra geral, há episódios que você pode ver com o "fast-forward" pressionado. Sem brincadeira.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Resenha: Ajin, Semi-humanos - Anime da Netflix





Ajin é uma série da Netflix, uma animação estilo anime baseada em um mangá e em filme homônimo que retrata o que parece ser 46 pessoas que são na verdade semi-humanos, imortais, com requícios de poder que são perseguidos pelo governo, pelo potencial de destruição que podem causar, por medo do desconhecido e por razões comerciais, claro.

Ao longo dessa história, Kei é atropelado logo no início do primeiro episódio e descobrindo que ele é também um desses ajin, dando início a uma perseguição que durará quase todos os 13 episódios.

Paralelo a isso, um grupo de Ajins está buscando combater os humanos, pela opressão e vida de fuga que foram relegados. E o governo possui sua própria força com um Ajin, para perseguir e prender os outros.

O seriado, apesar da temática e de ser um anime, consegue ser uma obra de arte em animação (ainda que no que tange a pessoas, elas por vezes são pouco naturais, mas as paisagens e veículos, incríveis), a história também além de um tanto adulta, pelo sangue e pelos infligidos aos personagens, mas principalmente pela história inteligente, que respeita o expectador, sem criar atalhos ou soluções de último minuto, sem falhas óbvias no roteiro, que alguém possa dizer "é claro que que iria dar errado, até eu pensei nisso ou naquilo"...

A história também inova pelo tipo de personagem principal que utiliza, Kei é a coisa mais próxima de um vulcano, extremamente lógico, e um tipo de pessoa que raramente vemos usado como herói ou personagem principal, e que requer coragem para conduzir uma história com alguém assim...

Em resumo, é uma ótima animação, tremendo roteiro e me deixou furioso saber que como filme, é uma trilogia, e que só deveremos ter o capítulo ou temporada 2 em outubro, mas fazer o que... Assim são as boas séries, te deixam com vontade de saber e ver mais, sempre.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Resenha e Overthinking: Person of Interest


Em Person of Interest Harold Finch constrói uma máquina, mais precisamente um sistema de inteligencia artificial, capaz de observar todos os emails, todas as trocas de mensagens de telefone, todos os sistemas de comunicação, para detectar atos de terrorismo. A máquina batizada justamente de Machine é então colocada dentro do CIA sob o nome pretexto de Northen Lights.

Quando Finch constrói sua máquina, contudo, ele sabe do poder que está delegando ao equipamento, e para proteger ao máximo tamanho poder de processamento, além de árduo processo de ensino e doutrina da máquina - 42 vezes para ser exato ele destruiu a máquina - o computador também recebeu camadas e camadas antes de sua interface direta, de forma que o único contato, a única informação que o governo recebe da máquina é um CPF, um número de uma pessoa de interesse, que ainda devera ser avaliada por um time humano que determinará se a ameaça é real ou não. E é impossível fazer contato com a máquina de forma direta.

Milionário e entendiado, Finch vê quantas ameaças domésticas, vizinhos contra vizinhos, são ignoradas pela CIA na procura apenas de terroristas globais, então ele cria também uma backdoor, um segundo CPF, apenas sobre a região de Nova York, e para vigiar essas ameaças potenciais, Finch ainda recruta pessoas que abandonaram suas vidas, ex-soldados que não tinham família para voltar, agentes da CIA com preocupações da forma com a agência lida com os problemas e coisas assim. Entra Shaw, John Reeze, Fusco e Hacker.

Um detalhe extra, ninguém, além de Finch e seus ex-sócio, falecido, e sua equipe, sabe da máquina. A própria CIA não sabe de onde recebe suas dicas, acreditando que vem de alguém do alto escalão, ou de outra agência fantasma. E é ainda que a coisa vai para o quiabo. É quando a CIA começa a investigar sobre a tal empresa, Northen Lights. Paralelo a isso, um novo empresário começa a vender para o governo um "revolucionário software capaz de espiar em todos, sobre ameaças de terrorismo", e o governo, que nunca soube da Machine, se interessa.

Esse novo software, chamado de Samaritano, talvez não tenha sido programado com o mesmo cuidado que Harold programou o seu próprio software, e logo de cara, vemos Samaritano tomando algumas decisões por sua própria conta, às costas de seus supostos "amos". E é claro, esse novo software logo nota que ele tem concorrência e quem são os agentes que operam para sua concorrência, iniciando uma batalha épica, nos bastidores da Big Apple.

A atual temporada, e última, series finale, mostrará os resultados desse embate incrível, duas inteligências artificiais duelando, um exército oficializado pelo governo norte americano (704 agentes até agora), mas liderados por uma inteligência duvidosa, do outro lado, 4 agentes mal pagos e perseguidos pelo governo.

Agora, o legal de tudo isso é que a arte imita a vida, e a vida imita a arte. a IBM acaba de anunciar que irá começar a treinar sua inteligencia artificial, Watson, para procurar ações de terrorismo. Legal, né? Agora, ela será a Machine ou Samaritano? http://computerworld.com.br/ibm-treinara-watson-para-combater-cibercrime

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Resenha: E se?



O livro busca responder de forma científica, formal, às perguntas mais variadas propostas por leitores, perguntas que vão desde, o que aconteceria se a Terra parece de girar repentinamente, mas tudo sobre sua superfície não?, a até perguntas sobre computação e inteligência artificial. Essa pergunta, particularmente, me deu uma visão incrível sobre algo tão básico que ainda falta à inteligência artificial: Poder descritivo. E um pouco de pensamento abstrato.

No livro, o autor desafias as pessoas a verem uma imagem muito simples e compreenderem o contexto através dessa imagem:



Na imagem, algo que é evidente para seres humanos: a criança quebrou um vazo com o laço, enquanto brincava de caubói, está sendo repreendida pelo pai, e um gato está investigando o que causou o barulho.

Para um computador essa imagem, com traços de pauzinhos, ainda é um mistério insolúvel, onde na melhor das hipóteses, ele advinha que se trata de um desenho, mas o que ele representa, ele não sabe. E não está programado para saber.

A Revista INFO de novembro de 2014 publicou ainda um artigo muito interessante, a entrevista exclusiva com um computador que enganou o teste de Turing. O teste de Turing consiste numa entrevista Duplo Cego, onde entrevistadores dialogam com crianças através de um sistema de som, como um telefone, a criança não sabem quem o está entrevistando, o entrevistador não sabe quem está entrevistando. São oito crianças, nove pesquisadores, e um robô, fingindo ser uma das crianças. E pela primeira vez, o robô fingiu ser uma das crianças com perfeição. Emulando até a demora nas respostas, perdendo o fio da meada no meio da resposta.

Mas nem isso é considerado inteligência artificial, por que o robô foi programado para errar perguntas, evadir respostas que denunciariam uma inteligência superior, e ter demoras nas respostas. Ele não o fez com um propósito próprio, algo natural, mas o fez por que foi desenhado e programado para ser assim. E provavelmente, ele não iria compreender essa figura.

Para conferir a entrevista, acesse o link: http://info.abril.com.br/noticias/ti/2014/11/cale-a-boca-humano-uma-entrevista-exclusiva-com-o-primeiro-robo-a-passar-pelo-teste-de-turing.shtml

À título de informação, a pergunta original no livro E se? Que levou o autor a fazer esse desenho era: 

Quanto poder computacional teríamos se toda a população do mundo parasse o que está fazendo agora e começasse a fazer cálculos? Qual seria a diferença entre essa potência e a de um computador ou smartphone atual? (Mateusz Knorps).

Parte da resposta é:

“Segundo o cientista Hans Moravec, um ser humano que faça à mão, com papel e caneta, cálculos de benchmark aplicados à chips de computador consegue desempenhar o equivalente a uma instrução completa a cada 1,5 minuto.

Seguindo essa medida, o processador de um celular de preço médio conseguiria fazer cálculos setenta vezes mais rápido que toda a população do planeta. Um chip de um PC novo de última geração aumentaria essa proporção em 1500.”

domingo, 4 de janeiro de 2015

RPG QUEST


RPG Quest é um cenário bastate antigo de RPG, um cenário que sumariamente ignorei na data do lançamento, em sua época. Eu já era jogador corrente de AD&D, D&D, Vampiro, GURPS, Daemon, e não imaginava que eu fosse precisar de mais um sistema de RPG.

Contudo, se não posso dizer que a vida adulta me trouxe alguma maturidade, sem dúvida levou embora o tempo que eu tinha. Empilhando compromissos sobre compromissos e com muito menos tempo para ler regras, ou melhor, para parar nossas parcas sessões de RPG com leituras e interpretações de regras, sobre a interpretação de personagens, passei a buscar cada vez mais sistemas com menos regras possíveis. 

Jogamos Shotgun Diaries, um dos RPG's com menos regras até hoje que eu já tenha visto, muito 3D&T, mas muito, como é simples e como é divertido, e finalmente, garimpando na Martins Fontes da avenida paulista, encontrei o RPG Quest, particularmente os dois livros sobre o Império de Jade, e seu sistema de jogo de tabuleiro mesclado a um sistema de RPG extremamente fácil, apenas dois dados de seis faces e nada mais. 

Como funciona o sistema RPG QUEST? Os atributos e as bases do sistema são as mesmas do Daemon, FOR, CON, AGI, DES, INT, SAB, CAR, mas ao invés de atributos que darão modificadores, os atributos têm apenas modificadores, FOR+1, CAR +2, e assim por diante. Pontos de vida são determinados pela classe +CON, ataque? Jogue 2D6+FOR e tente superar 7+AGI do alvo. Passou? Jogue o dano pela arma. Simples fácil assim.

O sistema de magia do Daemon esta lá também: Focus dos Elementos para magia instantânea, e os rituais por círculos, da mesma forma do Daemon. Índice de proteção, absorção de dano, proteção contra elemento, tudo esta lá. E de uma forma simples, oculta por ilustrações bonitinha e simples, um sistema de regras que daria para jogar Arkanum, Trevas e outros titulos mais complexos.


Jogo de Tabuleiro? Sim, O Império de Jade foi publicado em duas edições, com a missão de num livro apresentar o ambiente e os heróis prontos e monstros do cenário oriental, mas no livro dois, o que vem é um mapa em A0 do Império de Jade e seu cinco impérios para serem jogados. 

A mecânica básica é do jogo WAR, mas muito acelerada, crie exércitos, mova exércitos, conquiste territórios. Jogue 2D6 cada um dos exércitos em confronto, a maior soma ganha. A novidade é por conta de jogadores que melhoram os exércitos. Ter um herói no território te dá +1 nos 2D6, um general, e você roca um dos dois dados, o mais baio, por um 3, e um imperador junto ao exército, e você troca um dos dois dados por um 4. E o bônus são acumulativos.

Por fim, como o jogo foi feito para acontecer em apenas um ano, doze rodadas, o objetivo principal até é matar um dos imperadores adversários e sobreviver até o fim do período, mas prática revela que é mais fácil ganhar pelos outros critérios: Maior número de territórios, maios número de tropas e, principalmente, maior número de Pontos de Vitórias, pontos ganhos nos confrontos com outros exércitos, e cada vez que se conquista territórios, mata-se heróis ou generais adversários e dominando construções adversárias. Isso mesmo, contruções.

Nessa versão de WAR e RPG sobrou espaço para um elemento de Banco Imobiliário, construir cidades ou templos, que somam bônus para um território gerar novas tropas entre as rodadas, mas dão mais pontos aos seus inimigos, se o território for perdido.

Foi uma das coisas mais divertidas que eu já joguei, e com o crescimento da moda por boarding Games como está ocorrendo nos finais de 2014 e início de 2015, acho que esse joguinho nacional tem tudo para ser um grande sucesso... Como é, Marcelo Del Debbio, vamos retorná-lo ao mercado?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Resenha: Perdido em Marte

Comprei esse livro pela capa. E as pessoas já diziam que a capa que vende um livro, estão certas. E o livro, da capa à contra capa, não parou de me surpreender. A história: a terceira missão à Marte, tripulada, no seu sexto dia tem que interromper tudo que estão fazendo e por sebo nas canelas, pois uma tempestade de areia pode derrubar o foguete que liga eles do planeta à nave maior, capaz de trazê-los à Terra em meros 12 meses. Um dos homens é atingido por uma antena da própria base e dado como morto, a tripulação, sem tempo de buscá-lo no caos de areia no ar, e com a nave de retorno (VAM) quase caindo pelo vento, não tem outra alternativa a não ser ir embora.

A narração em primeira pessoa é um desafio, ou é ótima ou é péssima. Não existe café com leite em primeira pessoa. Já no primeiro capítulo, vi que o autor sabia o que fazia, num excelente estilo diário de sobrevivência, o suspense aparece, mas não é forçado e não há deslizes nos tempos verbais só para criar esse suspense. O livro terminou de me conquistar ainda no primeiro capítulo.

O livro não é inteiro em primeira pessoa, depois de alguns dias (Sois como são chamados os dias lá), a narrativa corta para a NASA, e o show de bastidores de lançamentos, programas espaciais e cooperações internacionais é deslumbrante. Por fim, há uma terceira narrativa, descritiva, que explica os fatos científicos, pegando os mais leigos dos leitores e conduzindo-os pelas mãos, sem aborrecer os que já sabem um pouco mais de ciência. Tudo muito bem ponderado.

Aliás, o embasamento científico desse livro é pesado, não espere alienígenas ou vírus mortais ou outras coisas da famosa fantasia espacial, é pura ciência real (ok, uma ou duas licenças poéticas, cof, cof... oxigenizador, cof... cof...), e um livro onde um engenheiro mecânico é o herói e protagonista! Como não amar um livro desses?

Apenas na segunda orelha, a da contra capa, que eu soube que o livro já está sendo adaptado para o cinema, e segundo a orelha, Matt Daemon já assinou com o filme! Será um baita filme, mas esses filmes de isolamento, não sei, Tom Hanks não parecia uma escolha mais acertada? Outra pequena crítica minha é por conta do nome em português, The Martian, no original era um trocadilho ao terrestre condenado à viver em Marte, Perdido em Marte sugere que alguém não apenas ficou para trás, como não tem ideia de onde está, e com uma missão Marte bem embasada, perdido era a única coisa que ele não estava.

Esse é o primeiro livro de Andy Weir, programador, e que debute nesses suspense científico que já vai ganhar as grandes telas? Andy é programador na vida real, nerd, e claramente jogador de RPG. Não é difícil imaginar que Mark, o personagem, seja um alter ego de si mesmo...

Para comprar o livro: http://www.saraiva.com.br/perdido-em-marte-uma-missao-a-marte-um-terrivel-acidente-a-luta-de-um-homem-pela-sobrevivencia-8164096.html

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Resenha: Tom Sawyer

Uma obra leve, inspirada no clássico de Mark Twain, nesta obra, ao invés das crianças do Mississipi, a jovem Haru vai a uma cidade pequena do interior do Japão, para o velório de sua mãe. Em pleno verão, sem emprego e questionando sua universidade, ela vai ficando na cidade, onde conhece Taru e seus amigos, crianças que ao invés de repelirem os adultos, como se espera, acabam acolhendo Haru em sua pequena sociedade, por ser "filha da bruxa", e fazem de sua velha casa, um abrigo e um QG para o verão.

Dentre suas aventuras, eles testemunham um crime, ficam ilhados quando seu bote afunda e descobrem um tesouro. Um verão, como todos os seres humanos soam poder ter um, que marca um momento especial, pelo fim da infância, aquele último verão, mas que será lembrado por toda uma vida.

Apesar da inspiração e dos mesmos pontos de referência, que unem as duas obras, Tom Sawyer de Takahashi tem sua própria personalidade, com personagens principais profundos, complexos, ricos em trejeitos e manias. Um dos momentos mais marcantes, na minha visão, é a calma de Taru, lendo uma revista com desprendimento, enquanto convida a uma esbaforida Haru, e sem dinheiro, a partirem numa aventura por tesouros, uma brincadeira, mas que Haru aceita sem pestanejar (e se arrepende, claro, depois). O papel de adulto e de criança se alternam, com naturalidade autêntica, de uma forma que só quem lembra bem de seu próprio último verão pode narrar.

A leveza da narração de Shin Takahashi, e os traços leves tornam esta obra lírica, mas é impossível ler a obra de forma indiferente, sem se lembrar de nosso próprio último verão, quando foi o nosso último verão, aquele que marcou o fim da nossa infância, quando deixamos de procurar a bola de futebol, e passamos a olhar as garotas, quando a diversão é vista como infantil, e a vida passa a ser a busca de status, sentido e companhia?

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Resenha: Sério Os Heróis do Olimpo

Rico Riordan não chega a ser nenhum gênio da escrita, mas de uma forma honesta e um ritmo intenso, seus livros estão longe de serem apenas mais uma obra derivada de Harry Potter. Se no cinema a franquia ainda não decolou, o segundo filme saiu apenas recentemente, e eu honestamente não vi, as sagas nos livros têm um volume incrível.

Particularmente eu não li nenhuma das muitas novelas anteriores desta obra, aliás, foi muito acaso que me trouxe até o primeiro livro, O herói perdido, desta novela em cinco, foi um bônus para um livro grátis e um livro com um dragão na capa que me apresentaram Jason Grace, Piper e Leo, e uma sensação incômoda de que já conhecia não estes heróis, mas os dos bastidores, de algum lugar.

Quando Annabeth aparece, lá para a metade do livro, eu pensei que estava lendo um spin-off, uma derivação das obras de Rick Riordan, em particular do Pearcy Jackson, o ladrão de raios, este sim, um filme que vi. Conforme as obras avançavam e não terminavam, percebi que a obra era de um universo maior, uma união de heróis de diferentes acampamentos meio deuses, Nova Roma e Acampamento meio sangue, Roma e Grécia, e seus deuses iguais, só que diferentes.

Se a história perde em profundidade, pois esse não é seu objetivo, ao menos é uma aula, e uma senhora aula, da história antiga, de mitologias e de um mundo de coisas que podem ser relativamente úteis sim, até mesmo no mundo real. Ler as lendas e suas interpretações modernas é muito divertido, e as personalidades malucas que Riordan cria são um bônus à parte.

Passei um pouco mais do que uma semana para ler os três últimos livros, houveram momentos que a história parecia demasiada devagar, para render os cinco livros, mas os capítulos lentos eram compensados pelo dinamismo em seus finais, intensos. Riordan também aposta que seus leitores cresceram, colocando descobertas mais cotidianas e reais na vida destes adolescentes, fiquei surpreso e feliz de ver que ao meio de tanta coisa maluca, o autor conseguiu tempo para abordar a sexualidade e homossexualismo de uma forma bastante honesta.

Em linhas gerais, cinco livros que recomendo para quem busca desligar o cérebro, mas não o bastante para não aprender um pouco de mitologia e história antiga, e embarcar numa aventura com dramas, ação e muito bom humor.

domingo, 2 de novembro de 2014

Prophecy - Trilogia em mangá



Mangás têm ganhado espaço em meu coração, e proporcionalmente, ocupado cada vez mais espaço aqui em casa também. Nem tanto o traço, não é que eu seja um mangaká ou otaku, mas são as histórias, tão lindas, tão finitas, e tão valentes de nem sempre te oferecerem o final fácil. Dizem que os blockbusters e outros filmes norte-americanos são covardes por forçarem o final feliz que deixem o espectador feliz, mas não necessariamente esse final é natural, soando forçado, usando de recursos God Ex Machina para chegarem nos finais desejados. 

Prophecy é uma história de um hacker, chamado de Jornal, que anuncia nas redes sociais os crimes que irá cometer, e mesmo assim, a polícia anti crimes digitais simplesmente falha em capturá-lo ou impedir seus crimes. Prophecty também é uma crítica às sociedades que oprimem os cidadãos, principalmente os marginalizados, para força-los a trabalhar cada vez mais, por menos. E o que pode acontecer quando um, dentre estes se levanta contra o sistema. 

No início da história, por exemplo, mostra a polícia anti crimes digitais "prendendo" uma criança que distribuía ROMs de jogos. Mostrando a força de uma organização contra um indivíduo que nem sabia que era crime o que cometia. Mas quando alguém fora do sistema, como esse Jornal, começa seu crimes, a mesma polícia se torna impotente, pois esta acostumada a punir os que são puníveis, os que têm endereços fixos, pagam impostos e podem ser rastreados. 

Uma história tão boa, também conta com uma crítica ácida à própria internet, onde a preferência do público da internet muda tão rápido quando quem troca de roupa, e isso também é usado pelo Jornal, para o bem, e para o mal.

Uma trilogia intensa, com um traço um pouco mais realista e uma excelente história. Vale cada segundo de leitura. 





segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Samanta Flor


Nunca deixo de me deslumbrar pela criação e o talento das pessoas. Se é feito no Brasil então, aposto em dobro. Sonho com o dia que ficarei tão deslumbrado numa banca de jornal por aqui, como fiquei recentemente nos Estados Unidos. 

Produção cultural gera conteúdo, editoras, empregos, que geram demanda por mais conteúdo, que gera a busca de novos artistas e a descoberta de novos talentos. Conteúdo de sucesso gera produtos relacionados, sacolas, brinquedos e maçãs, cadernos de escola e livros, que geram novas indústrias, novos empregos, que vão consumir mais produtos. É o tal círculo virtuoso que já falei aqui, mas que por alguma razão é tão difícil de dar certo nestas terras tupiniquins.

Felizmente os gaúchos não se importam com isso, e continuam sendo, quer o país se importe ou não, um dos maiores celeiros de pensadores e criadores no Brasil. Não obstante já terem os Veríssimos, Ricardo Freire, as modelos, a Xuxa, de terem um dos mais produtivos cinemas nacionais, quase secreto no resto do país, mas de produção muito intensa na cultura local, de suas músicas e cultura raiz, também clamam para si desenhos e quadrinhos como tem sido raro encontrar.

Samanta Flor é a desenhista da vez, com seu traço leve, que transforma em poema temas como a morte e caveiras e que narra com uma leveza lírica suas próprias lembranças infantis. Tão bonito quanto o traço é sua encadernação, papel cartão (ou canson? e como escreve isso?), a capa, a letra, tudo. 

Difícil acreditar que meros vinte reais tenham bastando para comprar duas obras tão lindas e líricas como as revistas Três e a Click. O único pecado, como tudo que é bom, é ser pouco. Após ler (ou contemplar a arte narrando a história em click), é inevitável ficar com um gosto de quero mais na boca. 

Para saber mais vá em: http://samantafloor.tumblr.com 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

GooglePlay Livros, eu te odeio


Eu era feliz administrando apenas o Kobo e o Kindle, com minhas compras compulsivas por livros. Eu já tinha dominado a ferramenta. Aí me aparece o GooglePlay Livros, com aplicativo também para iOS e me apresenta uma série enorme de quadrinhos bem divertidos (e de capas um pouco apelativas), para terminarem de levar meu dinheiro. Eu estipulei para mim mesmo um limite de 1 revista por semana, mas ontem comprei 3. Eu simplesmente não conseguia parar de ler.

A editora Zenescope, até onde sei, totalmente anônima aqui no Brasil, criou um universo expandido à partir dos contos dos irmãos Grimm, adaptados à atualidade, e não parou por aí, criou o universo quase regular, de pessoas comuns, criou o universo de deuses que regem as criaturas do Grimm Fairy Tales, e continua expandindo.

Baseados num traço "com apelo honesto" e em histórias de trillers, muito dinâmicas, eles desistem desse assunto de histórias adultas e profundas, e partem para histórias divertidas, rápidas, e que terminam te deixando com aquele gosto de quero mais, foi pouco, que os desenhos japoneses DragonBall e Cavaleiros do Zodíaco costumavam causar, antes de tudo ficar adulto e profundo demais.

Histórias simples, traço honesto (apelativamente honesto) e um universo em expansão desde 2009, fazem destas histórias que vão de grátis à 33 reais os anuários, seus melhores investimentos.

sábado, 6 de setembro de 2014

JAZZ, por Luis Fernando Veríssimo

Sempre que estou querendo algo entre minhas leituras, eu faço uma pesquisa por preços, do menor para o maior, e vou vendo o que me aparece, e quando ví, que por apenas R$ 4,75, eu podia comprar um livro novo do Luis Fernando Veríssimo, eu nem pensei, comprei. Simples assim.

Depois o livro foi para a gaveta de novo, pois me preocupei um pouco, se uma coletânea sóbria desse grande escritor, e também jazzista, poderia ser menos do que eu esperava. O primeiro texto dá o tom do que se trata o livro, crônicas que são inevitavelmente biográficas entre os grandes músicos do Jazz e o próprio autor. Suas fugas para Nova York para ver as lendas ao vivo, e seus jantares, já como celebridade brasileira, com os mesmos músicos quando vinham ao Brasil.

Os textos fogem das crônicas e contos padrões do Veríssimo, pela minúcia dos detalhes e pela paixão não escondida do autor, ao narrar as grandes cenas e grandes bandas, mas nem por isso é menos Veríssimo o que está lá. Quem já leu "Banquete com os deuses" vai reconhecer este tom mais sério e mais reverenciado àqueles que figuram lá.

E claro que o velho Veríssimo não se acua, e já no segundo texto, uma crônica deliciosa protagonizada pelo Borges do Veríssimo. Se autor e sua biografia discordam inevitavelmente, já que a visão do biógrafo pode ser romantizada, o Borges do Veríssimo é infinitamente melhor ao próprio Borges, inteligente e auto confiante como o mesmo deveria ser em vida, mas ainda assim, com uma nota de humor ácido que acredito o verdadeiro, e não o Veríssimo, não possuir.

Uma obra incrível, vale a pena ler, acompanhada de um bom vinho e de um bom Jazz ao fundo. Para comprar, vá em: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=17667908&termo=jazz%20ver%C3%ADssimo

Se você não sabia que Veríssimo é também músico, confira o CD (no momento esgotado no fornecedor), onde o próprio participa como músico: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2002065

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Resenha: ficção de polpa #1

No início do século 20 as revistas feitas em papel muito barato, geralmente feito do miolo da madeira, gerou um estilo de revistas conhecidas por Pulp Fiction, ou ficção de polpa. Revistas de 10 ou 20 centavos, que publicavam mensalmente autores anônimos, que podiam despontar ao estrelato ou ao anonimato.

Revistas como estas publicaram H. P. Lovecraft, Edward H. Howard e tantos outros talentos, que hoje são reconhecidos e reverenciados. Mas esse estilo foi vagarosamente morrendo, conforme foi ficando impossível manter os baixos preços e ainda pagar pelos autores.

O advento da internet que dá voz à todos, e o crescimento de publicações online, em teoria, serviriam para revelar novos escritores, mas por outro lado, publicar grátis, na internet, pode até te dar visibilidade, mas a menos que você seja brilhante, poucos autores já percorreram o caminho das publicações online para as físicas. Talvez se você já tenha lido "Jeitozinha, mas ordinária" ou "Guia das piadas Nerds", você já viu isso acontecer, mas até o meio nerd, ávido leitor, precisa do papel e da encadernação, para dar relevância aos textos. Eduardo Spohr mesmo nasceu na NerdBooks, publicação independente, para então chegar aos grandes selos. Fabio Yabu, exímio roteirista e escritor, também precisou da NerdBooks para publicar seu Branca dos Mortos e os sete zumbis, para então a Globo publicá-lo. A verdade, é que sem a validação da cópia impressão, bons textos de internet estão fadados a não criar bons escritores offline. E aí entra a Não Editora.

Sob a encarnação de um livro, do estilo de bolso (pocket book), a Não Editora começou em 2011 a publicar livros com novos autores, reunidos sob temas distintos, e com o mesmo espírito das revistas de antigamente, trazendo ainda o interessante detalhe de até mesmo diagramar a revista, ilustrar e buscar publicidade de jornais da época da revista que lhe deu o nome, para criar o clima das revistas daquelas épocas. O resultado é um livro lindo, e textos instigantes.

Atualmente com 3 edições, esse livro já publicou entre 30 autores novos (alguns, como o próprio editor Samir Machado se repetem), mas sem dúvida, resgatou não só o clima daquelas revistas de mais de 100 anos atrás, como também ajudou a revelar, remuneradamente, novos escritores. Tomara que a iniciativa, que já tem um hiato de mais de um ano, volte e continue a publicar novos talentos.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Resenha: Transformada

Morgan Rice, se eu entendi corretamente, não tem parentesco com a outra Rice, Anne Rice, de "Entrevista com Vampiro", e o romance também não é o da outra Rice. Se o da Anne Rice em suas crônicas são atormentados, profundos, com crises existenciais, Morgan Rice é mais para esses romances de Jovens Adultos.

Entre uma legião de caça níquéis e variações dos mesmos temas, Morgan Rice se destaca por uma boa razão, seu primeiro livro é grátis, uma introdução para o mundo de historias dinâmicas, com uma passagem pelo drama, pela descoberta, mas tão breve, e tão atropelada pelos personagens que se somam e desaparecem ao longo da história, que nem cola. Mas não é um livro ruim. Ao contrário, sua história leve e dinâmica mantém o leitor preso, a forma com interrompe e pula de narrativas é da escola de Dan Brown e a escritora, me prendeu. Confesso.

Se você tem Kindle, ou uma plataforma compatível, PC, Mac, iPad, iPod, iPhone, Android, Windows Phone, você pode baixar e julgar você mesmo. http://www.amazon.com.br/Transformada-livro-n%C3%BAmero-Mem%C3%B3rias-Vampiro-ebook/dp/B00IKPIE78/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1405133169&sr=8-1&keywords=transformada+vampiro

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Resenha: É quase tudo VERDADE

Eu comprei esse livro à princípio, quando soube que o Eduardo Nasi havia feito a orelha e que estava em promoção na Kindle Store. Não que eu não goste do autor, Allan Sieber, ao contrário, esses ingredientes simplesmente atiraram na minha cara os últimos motivos que faltavam para comprar logo a obra.

Curto Sieber desde o lançamento diferente de seu livro "Sem comentários", que reúne partes do seu blog com "melhores" comentários dos posts. Excelente obra, traço ousado e desde então sei que ao menos algo compartilho com Sieber, o que só aumentou a identificação com o artista. Eu também venho de uma juventude muito evangélica, e também desvie dele pela música. Garotos podres, Ratos de porão, Inocentes, Cólera. Depois com Green Day (nos bons tempos), Metalica, Iron, Dead Kennedys, entre tantos.

Com relação a essa obra, minha identificação cresceu ainda mais. Com histórias selecionadas entre publicações da Piauí, Folha, Trip, inéditas, a coletânea não é casual, foi feita à medida para compor um roteiro bastante autoral, coroada por uma entrevista ao final, incrível, muito bem conduzida e com muito espaço para Sieber "explicar as piadas" e à sí mesmo.
Se você não conhece Sieber, além dele escrever hoje na Folha (e verdade seja dita, um jornal que publica talentos nacionais tem que ser aplaudido em pé, à despeito das minhas opiniões sobre as posições políticas desse jornal), Sieber tem um traço próprio, ainda que alegue não ser muito fixo, seu desenho é marcado por ser preenchido, com muitos dados entre os desenhos e os boxes de narração, com traços cheios de detalhes feitos rápidos, parece antagonismo, e é mesmo, mas o resultado é algo bom, entre o crú e o provocador, e que verdade seja dita, se perde um tanto nos quadros com cores.

Uma obra excelente, mas melhor aproveitada no formato digital se for lida em um iPad, já que o formatinho do Kindle dá certo trabalho para aproveitar a obra. Recomendo muito.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Resenha: Sh*t Rough Drafts

Sh*t Rough Drafts, de Paul Laudiero, é um livro tão fantástico que eu achei que já até tinha escrito sobre ele aqui, e olhei umas mil vezes para confirmar que de fato, não tinha escrito.

Paul Laudiero lançou seu livro originalmente como um tumblr, com uma proposta de ser mais um tumblr divertido e bobo, onde "supostos" originais de clássicos à literatura moderna eram encontrados e revelados ao público, mas a ideia deu tão certo que virou livro, e um livro fantástico!

Acontece que a ideia boba acabou evoluindo para piadas cada vez mais elegantes. O leitor realmente tem que conhecer a obra que é sacaneada, para entender as piadas. E Laudiero também foi bem democrático e não poupou quase nenhum gênero ou escritor, de Harry Potter à Bíblia, todos passaram pelo seu crivo.

Por fim, originalmente pensado como um blog, o livro é evidentemente visual, cada página dever ter sido um post, um scan, uma foto, mas o detalhe de os posts virem também "feitos à época", como o post da capa do livro revela, e se alterna de lindas caligrafias, garranchos insanos e textos batidos à máquinas de escrever, dão mais detalhes à piada, complementam o texto.

E como se não bastasse o tapa na cara de Laudiero, em publicar seu hobby e fazer dele uma boa grana com um livro lindíssimo, o autor ainda nos mostra que é mais do um autor de piadas curtas e visuais (o que pode ser pejorativo para alguns, mas eu acho incrível) e ainda nos escreve uma introdução engraçadíssima.

Em síntese, se você manja dos paranauês de ler em inglês e tem boa bagagem literária para entender as piadas, não perca tempo e compre hoje mesmo esse livro. É hilário! Para comprar na Amazon, clique aqui.

domingo, 29 de junho de 2014

Resenha: Omega Complex

Franceses fazendo quadrinhos japonês (mangá), com uma história ambientada nos Estados Unidos. Isso sim é globalização.

Nessa história, centrada em Kama Manhattan, estamos numa realidade ligeiramente atrás, em nosso próprio ciclo histórico, 1987, para ser mais preciso, mas num mundo, onde uma cadeia de eventos, que iniciaram quando JF Kennedy não foi morto, levaram o planeta a uma guerra nuclear com a URSS, e uma norte America que foi arrasada pelo inverno nuclear.

Para piorar, o governo desenvolveu uma droga para amenizar o pesadelo dos irradiados, aqueles que sofreram com a radiação da guerra, uma droga que de fato protege a vida dos mesmos, mas pode ter efeitos secundários bem piores que a própria morte. O desenvolvimento de ligeiros poderes secundários pela irradiação, até a transformação completa em um monstro irracional.

A trama se desenrola com o sequestro de uma bomba ainda mais poderosa que qualquer bomba atômica já produzida, a Tsar Bomb, por um grupo de terroristas domésticos, dentro do território americano. Em paralelo, conhecemos Kama, um irradiado que tem como "profissão" caçar irradiados buscados pelo governo, em troca da recompensa, nem tanto a financeira, mas pelo prêmio em remédios contra a radiação, chamado de GHOST. Soma-se à trama duas organizações, uma militar e uma descendente de militares, mas traidores, procurando por grandes mentes pesquisadoras sobre a radiação, que incluem incidentemente o padrinho de Kama.

Aqueles irradiados que desenvolvem poderes, são chamados de Érynies, e são 0,01% da população, e além do traço mangá/realista, os próprios poderes são explicados com tal grau de detalhamento que é possível fazer um RPG à partir desse cenário. As derivações dos poderes, a escala de contaminação Gray, tudo, é tão completo e tão detalhado, que assusta o quanto cabe em cada volume. Não por acaso, duas leituras são recomendadas...

Uma história fechada, em apenas 3 volumes, que além de um primor de desenho e traço, trazem também um compêndio muito completo desmitificando o que é realidade e o que ficção da ciência utilizada dentro da própria história, sem dúvida, vale cada centavo das 3 edições, cada uma por R$ 14,90.

Como única crítica, esperem um terceiro volume com uma história um pouco rápida, com muita explicação e um pouquinho menos de ação, mas assim mesmo, fantástica.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Overthinking: Obsolescência programa, parte 100x10³

A Apple está bastante complicada. Como a galera fazia para amar a Apple no hiato entre Steve Jobs? Por que agora, que não há chance dele voltar, a coisa parece para mim, à cada dia mais, que vai desandar. E não é que a Apple em si tenha mudado, é aquela tão falada aura de distorção da realidade que deve mesmo estar fazendo falta.

Veja bem, quando Jobs apresentou ao mundo, em seu grande retorno à Apple, o iMac e o iBook, esses produtos já foram lançados desatualizados. A primeira revisão do iMac ganhou aquele drive de CD igual ao rádio do Carro, tipo "tostadeira", e ganhou também mais memória RAM. O iBook, nem falar, ele foi lançado com CD player num mundo que tudo já tinha DVD, e com 64Mb de RAM soldados na placa, reduzindo para sempre, a capacidade de upgrade.

O iPad foi lançado com surpresa de todos, que vinha sem câmera, era um upgrade óbvio a ser feito, que foi adicionado e corrigido no iPad 2 e tá lá desde então. O iPod é uma história em si mesmo da obsolescência programada, até virou ação coletiva, tipo O Povo contra A Apple, com ganho de O Povo, pela bateria feita para falhar em 18 ou 24 meses e que não podia ser trocada. Além do conector que mudou de FireWire para USB para 32 pinos e 16 pinos, e os recursos, adicionados homeopaticamente, do gravador, o sincronismo com contatos, a câmera e afins, um a cada nova versão.

Mas agora, além dessa obsolescência, há os erros e os recalls. Eu sei que tivemos o "antena gate" do iPhone 4, mas só esse foram 3 recalls! Bateria do Macbook Air, Carregador dos iPhones 3 e 3G europeus e troca dos botões home e power do iPhone 4 e 5 (e variações).

Some isso às recentes atualizações do iOS 8, que matará em definitivo o iPhone 4, iPad 2 e iPad Mini 1, e a atualização do AppleTV, que matará os modelos 1 e 2, mais o bug maldito do Mavericks, o penúltimo e ainda em uso Mac OS, e para quem tem um ecossistema misto da Apple, como eu, vê que o mundo perfeito de devices falando um com o outro deixa de existir, e que você comprou tudo que podia da Apple, pela facilidade, por nada.

Hoje o Macbook white da minha esposa, penúltima geração de plástico, até recebe o Mavericks e o Yosemite, mas ultra limitado nos recursos novos. O iPad 1 e o iPod Touch 2nd Gen não sabem o que é upgrade há anos, o Macbook Air e o bug com o Apple TV, que falha o áudio, o recurso alardeado do AirDrop que não funciona, apesar de existir, entre os dispositivos. Em resumo, se você não tiver todos os dispositivos na última versão, eles não são, de fato, compatíveis. São semi. São aproximações.

Quando penso que um notebook do trabalho já tem 6 anos e é tão bom hoje quanto no dia que foi comprado, e computadores até mais velhos ainda estão rodando no escritório, com suas versões do Windows que dão pau, reiniciam, falham, mas bem ou mal, são compatíveis, me sinto enganado e tendo comprado o lado errado da batalha.

Alguém pode argumentar dos erros dos Windows, XP, Vista, 7 ou 8, e são todos verdadeiros, alias, o Windows 8 é a obsolescência dos PCs, como as novidades da Apple são para os Macintoshs, mas tirando esse update horrível, é incrível pensar que toda a base PC continue a se falar igualmente. Veja, eu não faço campanha pelo Windows e Deus me livre ter que usar algo além do Windows, desde que a Microsoft tentou me cobrar 49 reais pelo dicionário em PT-BR para o Office que eu fiz a assinatura mensal. Só acho bacana que tudo com Windows ainda seja inter-compatível, e no mundo Apple, com menos hardware para administrar, eles ainda querem afunilar mais aquilo que receberá ou não atualizações e que ficará, ou não, inútil na sua casa.

Ah sim, eu sei bem que o Android também não é referência em atualizações, a Apple anunciou com base (e de outra forma seria calúnia) que 95% da base android nunca recebeu atualização ou não foi elevado à última versão, o tal do KitKat. Da mesma forma, donos dos primeiros Windows Phone 7, morreram à míngua quando descobriram que o hardware para o Windows Phone 8 não iria ser o mesmo e assim, não receberiam atualizações mais. Parece que não há ninguém no mundo, além da comunidade GNU/Linux, tentando impedir uma enxurrada de lixo eletrônico velho e sem utilidade em países do terceiro mundo, como diz o documentário de mesmo nome, Obsolescência Programada (em espanhol).

De certo disso tudo, é que parece que quando o Jobs estava por aí, além de não termos tantas correções e recalls de hardware, também por algum motivo, ignorávamos tantas e tantas correções que têm aparecido hoje em dia. #voltaJobs?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Resenha: Um cappuccino vermelho

Livro de Joel Gomes, lançado em 2012, é o livro de debute do escritor português. Pensando bem, essa foi justamente a razão para comprá-lo, em primeiro lugar. Eu queria saber o que estavam lendo lá do outro lado do oceano, e mais ainda, o que estavam escrevendo, e ou tudo lá em Portugal é muito bem escrito, ou acertei em cheio no livro que escolhi.

Joel desenvolve em seu livro Um Cappuccino Vermelho, um romance policial incrível, e com diversas reviravoltas. O primeiro personagem que conhecemos é uma espécie de membro da liga dos assassinos, um matador profissional que, entre "serviços", gosta ele próprio de escrever romances policiais. Um personagem bastante notável pela forma sistemática que vê o mundo, e marcado pelo seu gosto pela rotina, principalmente no que tange ao seu cappuccino das tardes, onde conhece um dos seus alvos, uma garota, que rompe sua rotina. 

Outro personagem do livro, e de certa forma, outro contra ponta à história, é o escritor João Martins, que está em bloqueio criativo dos romances policiais que costuma escrever e é, sem saber, o próximo alvo de Ricardo Neves na lista de suas mortes. 

A história salteia entre a realidades dos dois personagens e aquelas que cada um deles está escrevendo, e vão se cruzando, desde pequenas coincidências, até a loucura de um dos personagens, que vê suas mortes escritas, se tornarem realidade.

Numa mistura criativa de "Mais estranho que a ficção", com excelente ritmo narrativo e uma coragem de arriscar a mistura de estilos, este livro de Joel Gomes é simplesmente excelente. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Diablo III: Tempestade de Luz

Diablo III talvez não seja o super jogo que as pessoas gostariam. Já ouvi reclamações quanto ao jogo ser muito fácil, muito curto ou muito rápido, e ouvi poucos elogios além de um NerdPlayer do Jovem Nerd, que acredito, era um episódio patrocinado.

Mas se o jogo não é grande coisa (e eu não estou afirmando isso), a cronologia literária está incrível. Realmente caprichada e bem dirigida, os livros têm montando um cenário que se passa antes e durante ao jogo principal, como da mesma forma, abre caminho para a expansão do jogo, já lançada.

No primeiro livro da série, A ordem, lançado no Brasil, vemos o Deckard Cain em suas suspeitas de um novo horror surgindo no horizonte e sua busca para reunir os horadrins, ordem de estudiosos que quase foi destruída no jogo Diablo II. Neste livro narra também o encontro de Deckard, o saudoso velhinho dos jogos I e II, com Leah, que será sua sucessora no jogo III, filha da bruxa Adriana, da cidade de Tristam, no jogo I. Complicado? Que nada...

A continuação temos o lindíssimo coffee-table-book, The Book of Cain, onde Deckard escreve, ao estilo de uma longa carta, tudo aquilo que ele sabe sobre a guerra dos mundos, dos infernos ardentes com santuário e paraíso, para sua sucessora, Leah. Um livro de ambientação, com um belíssimo mapa do mundo que foi crescendo à cada edição.

Neste novo romance, lançado este mês no Brasil, Tempestade de Luz, o personagem que assume as rédeas da narrativa é agora o antigo arcanjo Tyrrel, que sacrificou sua glória e tornou-se mortal ao longo do jogo III da saga. Tyrrel está preocupado com os rumos que o mundo adotou após os ocorridos durante o jogo III, e se reúne com aqueles que foram mais próximos ao Deckard para investigar uma ameaça de corrupção aos reinos do paraíso. E se encontra com os mesmo horadrins do livro A Ordem, que Deckard buscou auxílio, e acabou ele ajudando-os e instruindo-os.

E completando essa saga, por hora, foi lançado também recentemente o livro The book of Tyrrel, com o agora mortal Tyrrel, narrando seu conhecimento sobre os infernos ardentes e paraíso para aquele que  irá sucede-lo, pois Tyrrel sabe que agora que é mortal, há uma sina a ser cumprida, e essa sina é a morte.

A fase atual dos livros do jogo Diablo contam ainda com uma trilogia, sem lançamento no Brasil por hora, chamada The Sin Wars, que é uma espécie de pre-quel aos ocorridos antes do jogo Diablo I, antes de Deckard Cain e de tudo isso, mas logo no início da formação de Santuário, o planeta Terra no jogo, quando os primeiros homens eram na verdade seres mais poderosos, Nephalens, filhos dos anjos e demônios que criaram Santuário para ser um território neutro entre a guerra eterna do céu e inferno. Uma leitura até mesmo bastante triste e melancólica, mas a Terra de Tolkien não é diferente, por que este jogo teria que ser melhor?

Vale a leitura de todos e cada um destes livros.

Overthinking Back to the future

And you thought I would let the date go blank, right? We arrive and go through that moment where the three "Back to the Future" fi...