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quinta-feira, 13 de março de 2014

Overthinking 47 Ronins

Atenção. Contém spoilers. Leia por sua conta e risco, preferencialmente somente depois de ver o filme.

O filme os 47 Ronins com o famoso “Neo Anderson”, vulgo, Keanu Reeves, é um filme de ação fantástica ambientando no Japão feudal. A história transcorre sobre um nobre e honrado senhor feudal que é traído para parecer inferior diante do imperador, em uma importante competição que ocorre entre todos os territórios do imperador e seus senhores feudais. 

Desonrado, o senhor feudal é obrigado a cometer suicídio, para lavar sua honra e seu nome, deixando sua filha para ser casada com o autor da tramoia e seus samurais, sem um senhor, fazendo-os assim, Ronins. Então a história realmente começa, com a organização destes Ronins com uma missão, buscar justamente aquilo que o imperador os impediu, vingança contra o seu senhor, crime que é punível pela morte. 

O filme, deslumbrante em imagens e paisagens, também consegue três facetas incríveis: tornar a estrela dos cartazes, Keanu Reeves, em praticamente um coadjuvante ao longo de quase toda a trama, sua participação é apagada, discreta e por isso mesmo, perfeita. Tão diferente de outros filmes que já vimos, quando norte-americanos decidem colocar seu olhar sobre a magia e mistério do Japão antigo. Tom Cruise que o diga. Aliás, dos 47 Ronins, o núcleo principal é arquitetado por 6, que fazem as "side quests" até a vingança final, buscando por armas, recrutando soldados e aliados. E ao longo de tudo isso, é correto dizer que nenhum deles é um herói mais importante do que os demais. 

Esse é o segundo ponto de sucesso do filme, um filme que narra a saga de um grupo, genuinamente unido e igualmente distribuído. Cada qual do grupo tem sua contribuição. Cada qual é igualmente importante para a história.

A última faceta incrível deste filme foi a forma como inseriram os elementos fantásticos da cultura oriental, sem tantas explicações para os espectadores, e ainda assim muito simples de serem compreendidas. Tudo foi inserido de uma forma natural e harmônica à história. Até o background de Keanu fica perfeito e bem clara. 

Mas nenhum destes elementos é tão importante para o filme, quanto é seu final. Os Ronins, organizados, conseguem vencer o senhor feudal vizinho e vilão, vencem as criaturas místicas, e lavam a honra de seu senhor e sua família. Um filme estadunidense terminaria aqui, com o imperador do Japão dando tapinhas nas costas dos samurais e tudo terminaria num musical da Broadway, com o casal feliz olhando o sol vermelho no horizonte e a silhueta da mulher indicando uma gravidez. Final feliz... Só que não.

Quando vão buscar vingança, eles sabiam que haviam jurado ao imperador, sob a pena de morte, que não deveriam fazê-lo. Quando reúnem os Ronins, todos são informados que o único sucesso desta missão seria a morte, conseguindo ou falhando. E quando a história termina, e o imperador viu que houve injustiça contra eles, retira sua pena de morte, e a converte em uma pena de suicídio, para que eles possam expurgar seus crimes e serem enterrados como samurais, e não como Ronins. E eles se matam, felizes, de uma forma que deixa indignada a plateia. Eles não foram enganados e traídos? Não fizeram tudo certo quando tudo mais falhou? 

Mas é ai que reside a honra e um censo de orgulho que realmente poucos de nós, ocidentais, podemos compreender. Assim como apregoa a bíblia e tantas religiões que esta vida é somente uma passagem, um teste, para a próxima vida, com outros preceitos os orientais também acreditam nisso, mais, acreditam que a única recompensa que alguém pode levar desta vida, é deixá-la com honra. E isso é simplesmente perfeito, e que retira o filme Os 47 Ronins, da posição de um mero filme de ação e o eleva, ao optar pelo final forte, mas corajoso, a posição de um filme maravilhoso. 


E ainda de sobra, não deixa pano para continuações bizarras que futuros roteiristas queiram fazer...

sábado, 15 de junho de 2013

Resenha: Shopgirl

Steve Martin, famoso por suas produções na comédia, seu último filme, por exemplo é Pantera Cor de Rosa, produz e atua brilhantemente neste drama leve e gostoso, sem contudo, perder a graça de algumas piadasmuito bem colocadas. 


A história gira sobre a sensível Mirabelle, uma garota bonita, jovem, que mostra já no início do filme um lado artístico, mas que profissionalmente é vendedora do pouco movimentado departamento de luvas de uma grande e luxuosa loja de departamentos, SAKS. Esta garota, sonhadora esta em busca de estabelecer contato. Não com um alienígena, mas com outro ser humano, um sensível, que a ame e que se deixe amar.

Neste doloroso processo de amar a vida numa bela Los Angeles, muito diferente daquela vista no filme Crash, no limite, esta garota encontrará o amor em duas díspares embalagens: o roqueiro confuso e palérrimo Jeremi e pelo experiente e rico empresário Ray (nome que uma amiga da Mirabelle tornará difícil de se esquecer antes do final da película).


Com tomadas aéreas belíssimas, tanto do dia quanto da noite da cidade, tomadas lentas que percorrem as ruas sem acompanhar o ritmo frenético dos carros, acompanhadas de música instrumental que, sem trocadilhos, cai como uma luva ao clima da produção, sensível, delicada e que parece escorrer com delicadeza conforme a câmera trafega entre prédios e transita com naturalidade entre estas tomadas e uma invasão ao carro e lares das personagens.


Um pecado do filme fica por conta do narrador, o próprio Steve Martim, em suas curtíssimas duas ou três aparições. Lento e com voz extremamente carregada, longe de soar romântica e contemplativa fica em algum lugar entre cômica e paradoxalmente, sem emoção, chegando a lembrar da narração de Dog Ville (e XXX por conseqüência). Mas isto não é suficiente para arranhar o belo filme, mesmo para você que não for grande fã de dramas românticos, vale pela performance de Steve Martim em um papel outrem ao de cômico, papel que desempenha brilhantemente deixando esquecidos por completo outros personagens cômicos que tenha feito: corra que polícia vem ai, doutor amor, pantera cor de rosa e demais outros. O sucesso nesta atuação é escola para outros atores que também já tentaram esta transição da comédia ao drama sem o mesmo sucesso, como Jim Carrey que demorou a deixar "o máscara" em seus primeiros filmes sérios.


Filme excelente, para ver bem acompanhado ou mesmo sozinho, curtindo uma dorzinha gostosa. Para saborear o filme e deixar os créditos subirem até o final, de olhos fechados, curtindo a deliciosa música de abertura que embalam as letras que sobem. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Resenha: Goldfish Memory


Uma visão leve sobre os perigos e prazeres na Dublin conteporânea. Quando Clara vê seu namorado Tom beijando Isolda parte para um mundo de descobertas amorsas e corações partidos, junto com outros personagens que, a sua maneira, tentarão descobrir como ser feliz no amor.

 Um filme leve, com imagens claras das belas paisagens de Dublin  imagens que sugerem filmadoras digitais, tal a claridade, e aqueles filmes feitos para vender televisores digitais (Plasma, LCD e digitais), tal a beleza das cenas.
 

Filme que trata com naturalidade a diversidade sexual, justificando assim o nome que leva em português, mas que foge do tema original do filme: não a diversidade sexual, mas o dom de cura de um coração partido entre um relacionamento e outro.

A peça foi muitíssimo bem musicadas pela MPB brasileira, Aguas de março interpretada por ingleses, por portugueses e outras de nossas músicas, interpretadas até mesmo, pasmem, por brasileiros.

Recomenda-se, para pessoas de mente aberta e espírito leve que buscam uma comédia romântica para passar a tarde. Uma hora e trinta bem investidas. Principalmente pelo maravilhoso sotaque britânico que ocupa todo o filme. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Resenha: Obrigado por fumar


O excelente filme "Obrigado por fumar" é baseado no livro de 1994 de mesmo nome e é um filme como poucos. Para começo de conversa, cheque a programação dos cinemas de sua cidade, provavelmente este filme estará passando em poucos cinemas, justamente aqueles famosos por só passarem filmes alternativos, europeus, enfim, filmes cabeças.

Sobre o filme, você irá se surpreender com a abordagem do livro sobre a arte do Lobby num país onde isso é legalizado, como um super vendedor, com o dom da fala, dialética e retórica pode lutar por qualquer coisa, até mesmo a assassina indústria do cigarro. Mas esta abordagem será sem lições de moral aos que fumam, será inteligente e, mesmo os não fumantes mais convictos não poderão deixar de lhe dar razão uma vez ao menos.

A história de um grande vendedor usando seu dom para salvar a indústria do cigarro dos rótulos de veneno que um senador oportunista quer impor aos pacotes de bastonetes nicotinosos, enquanto luta para descobrir qual a educação que ele REALMENTE quer dar para seu filho e busca aliados no que chama de mercadores da morte (lobistas das bebidas, armas, fast foods, petróleo e usinas nucleares), bem como sua "namorada", uma belíssima repórter que faz valer o velho adágio: tão bonita quanto perigosa.

Sobre o filme, o que lhe espera é um mundo povoado de personagens reais, mas que aqui e ali, personagens completamente surreais surgem e caminham na terra, fazendo graça de tanta disparidade entre o normal e o insano e o pior, você verá que estas coisas acontecem o tempo todo de verdade. Um super produtor que nunca dorme, um auxiliar maluco e prolixo compulsivo, um chefe herói de guerra e completamente pirado, um antigo modelo de masculinidade associado ao cigarro em sua decadência e o filho da própria personagem.

A mecânica do filme é primorosa, diálogos rápidos, inteligentes e dinâmicos, “Pulp Fiction” sem te deixar tonto, repleto de boa música e poucos comerciais descarados.

Mas o que mais vai te surpreender sobre o filme é o seguinte: ele é um novo clássico feito sobre ótima literatura de 1994, passando em cinemas cults e bem frequentados, com ótimos personagens em excelentes performances e conseguiu isso tudo, mesmo sendo americano e tendo o cigarro como tema. 

Uma última curiosidade: em momento algum num filme sobre cigarro, alguém aparece fumando! E eu só percebi isso quando li uma crítica após o filme. Inacreditável...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Facebook, seu lindo!

Facebook, seu lindinho, acabei de ver seu filme, Rede Social, e fiquei muito impressionado. Vivemos
um tempo louco, onde um pode falar de todo o texto técnico jornalístico que quiser, e aparece alguém do nada, [2]falando de mamilos num videocasting de segundos, e vira viral. Quantos não passam a vida codando, isto é, escrevendo código, para os outros, e alguém surge com um jogo de pássaros furiosos ou matar formigas no iPod Touch e fica rico?

Seja como for, parece o tempo todo que a próxima grande ideia está sempre pairando sobre a nossa cabeça, que basta correr mais um pouco, que basta tentar um pouco mais, que basta... não basta.

Voltando ao filme, é incrível como este é o segundo filme que caracteriza o Sean Parker, criador do Napster, como um canalha, para falar pouco. Não é mal, mas é extremamente egoísta, despreocupado com a lei e não programador, como aquilo que é aclamado por criar, o Napster. A primeira vez foi no filme re-make dos anos, o que, 70?, onde o próprio Sean Parker aparece supostamente roubando o código do Napster do Hacker do grupo. E agora neste filme. Será a academia, Hollywood, as produtoras, ”forças secretas”, que não gostam dele, ou ele é realmente pouco cavalheiresco e confiável?

(tive que ver um montão de vídeos do Youtube caçando cenas do The Italian Job, re-make, onde o Sean
aparece roubando o código do Napster, mas suponho que isso era segredo. Então my bad, Spoiler Alert!
Opa, duas vezes, pois alguém pode não ter visto o filme Redes Sociais, ainda...

Me surpreendeu os momentos técnicos do filme, com muita aparição de nomes de programas e códigos,
e ao menos que eu visse, todos Opensources, como o Apache, MySQL e tantos outros. Bacana.

Seja como for, time to go...

terça-feira, 7 de maio de 2013

Resenha: Verónika Decide Morrer, o Filme

• Direção: Emily Young
• Roteiro: Paulo Coelho (livro), Larry Gross (roteiro), Roberta Hanley (roteiro)
• Gênero: Drama
• Origem: Estados Unidos
• Duração: 103 minutos
• Tipo: Longa-metragem

Acho que para muitos não será surpresa me lerem dizendo que o filme ”Verónika Decide Morrer” foi uma
decepção, mas será pelos motivos errados. O filme não apenas não faz justiça ao livro como na verdade sobra muito pouco de sua história original, parecendo que o filme foi apenas muito levemente baseado na história original.

Um observador menos interessado poderia dizer que isso é apenas uma sensação decorrente da mudança de cenário: a obra impressa se passa na Eslovênia e a obra cinematográfica ocorre em Nova York. Há também as mudanças nos nomes, decorrentes desta mudança, mas a verdade é que estas mudanças não pararam por aí. Não apenas a experiente Zedka deu lugar a uma vazia e inexpressiva Claire, ou o Dr. Igor que se torna o apático Dr. Blake, mas tudo que dava liga a história, a visão da Verônica, foi alterada.

Mais que isso, para mim o Dr. Igor, no livro, foi o típico vilão de Danm Brawn, com a virada de imagem
no final, enquanto o Dr. Blake foi um mero passageiro no coletivo do filme.

Enquanto o livro intercala momentos do narrador onisciente com a visão em primeira e terceira pessoa
da própria Verônica, o filme nos joga como uma mera audiência das ações da protagonista. No livro, o
narrador nos revela o passado de cada um dos personagens que interagem com Verónika, no momento exato que se faz necessário, enquanto no filme pouco é revelado, e na forma de uma fofoca entre os internos ou um diálogo que soa falso e deslocado, como na abertura, quando Claire conta um resumo da história do reino e do feiticeiro que envenena o poço dos cidadãos.

Outros pontos, como a graduada redescoberta do amor pela vida, no livro, no filme ocorre de maneira quase espontânea, da metade para o final. Sem os diálogos entre os internos, que revelam o que é a loucura e um hospício, fora do conceito estereotipado. Mas de tudo que não faz sentido na adaptação para as telonas, é o uso do TEC (Tratamento Eletro-Convulsivo) em Nova York, quando Vilette era europeu, esloveno, isso ainda era aceitável. Mas nos dias de hoje, e na América do Norte, não fez o menor sentido.

Também senti falta de uma maior participação do mestre Sufi, da interação entre ele, Mari e Verônica
e do próprio Paulo Coelho, que passei o filme esperando-o por uma ponta qualquer. Sem mencionar a troca
da ”carta de suicídio”, necessária, mas que perdeu muito dos significados ocultos presentes no livro. No livro, a carta é para uma revista de jogos eletrônicos, que o jornalista inicia perguntando ”Onde fica a Eslovênia”, de forma jocosa e provoca a reação de raiva da Verônica. A carta, que quer declarar onde fica seu país à editora é também uma meditação entre ela querendo dizer ao mundo, que ela existe. Fazer descobrirem seu país é uma busca pela descoberta.

De forma geral, a diretora Emily Young, ao meu ver, buscou fazer da adaptação do livro para as telas um filme com ares europeus, com muitas paisagens, closes pouco usuais e uma história que transcorre meramente, sem maiores explicações ou flash-backs, foi uma busca por fazer os assim chamados ”filmes cabeças”. O tom confortavelmente leve e sereno da semana consciente em Vilette pela Verónika do livro, foi substituído por um ar sorumbático que predomina pelo filme todo, até mesmo as piadas durante a fuga de Vilette foram extintas, entre ela e outro interno, outro interno esse, cuja história foi totalmente suplantada, enterrada, esquecida, de forma triste e miserável).

Sarah Michelle Gellar não está ruim no papel de Verónika, apenas teria sido melhor aproveitada, se ela fizesse a mesma personagem do livro, não esta coisa artificial e rasa que inventaram para o cinema. Uma pena que uma das raras adaptações ao cinema de um livro brasileiro nos Estados Unidos, tenha sido tão mal
aproveitada.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Overthinking Iron Man 3

De volta com a coluna que nasceu neste blog, Overthinking Iron Man 3 busca justamente colocar no papel, todas minhas divagações e viagens sobre o filme, o herói e a trilogia. Este texto terá spoilers, então, não leia se não quiser saber o roteiro. Eu já adianto, eu adorei o filme e sou altamente suspeito para falar sobre ele. Então, só pule para o próximo parágrafo, se quiser saber minhas opiniões sobre o filme.

O filme começa nos mostrando um Tony Stark obcecado por sua paixão, construir armaduras, e também mostrando sua paranóia pela descoberta de alienígenas, deuses e outras dimensões. Tony começa o filme construindo sua armadura mais recente, a Mark 42, capaz de se montar sob demanda, e facilitar muito a vida do nosso herói, pois nenhum outro dos Vingadores precisa de tanto tempo para se vestir como ele. Isto só, já é um detalhe muito interessante, a evolução de como Tony veste a armadura.

O filme 1 nos mostra a criação da primeira armadura, a evolução dela, nos laboratórios na casa do Tony, e processo de remoção desta armadura, que amassada por balas e pancadas, é difícil de tirar. O filme dois, nos mostra uma armadura mais simples de por e tirar, mas as máquinas estão lá, naquele local específico em seu palco ou em sua casa para tirar a armadura dele. Um pouco melhor e ainda há armadura na mala, que é fenomenal. No filme Vingadores, vemos o mesmo sistema de colocar e tirar armaduras do filme dois, um pouco melhorado, agora ele pode tirar a armadura enquanto se movimenta.  E apresenta o primeiro conceito de armadura "empacotada para levar", que é uma mistura da armadura da Mala, com rastreadores para se posicionar sobre o corpo do Tony. E então, a Mark 42. Robôs já não mais necessários para colocar a tirar a armadura do Tony.

A evolução, porém, não veio fácil, vem ao longo de 72 horas sem dormir seguidas, Tony ignorando o Jarvis dizendo que ele está fazendo errado a colocação dos sensores, e finalmente, esta armadura era um trabalho em andamento, Tony estava focado em faze-la se montar e desmontar fácil e em controlá-la remotamente. Já mencionei que Tony estava tendo crises de ataques de pânico depois de suas experiências em Nova York, no filme Avengers? Era natural que ele quisesse continuar contribuindo com os Avengers, sem necessariamente se colocar em combate, não é?

Pois bem, depois todos ficaram bravos, no filme, quando a casa de Tony é atacada, e sua armadura, surpreendentemente, não funciona quando surpreendidos no combate. Ela não estava pronta, calibrada, e Tony, em sua insônia e crises de pânico, esqueceu uma coisa ou outra. O resultado é o resto todo do filme.

Tony escapa com sua única armadura que não foi destruída pelo ataque ou que não ficou pronta nos escombros. Uma armadura ruim. Sem comunicação, não pode chamar os Vingadores para ajuda-lo e, honestamente, alguém acha que Tony Stark iria pedir ajuda? Ao longo do filme então, assistimos um filme mais centrado no Tony Stark que no Iron Man, mais o homem que a armadura. E isso é divertido.

O sumiço dos personagens coadjuvantes é um pouco incômodo. Senti falta de mais Peper Potts, Happy estava ferido, e uma pena que no final épico de 13 armaduras combatendo não se prendeu em apresenta-las. Jarvis em contra partida, que mal aparece participa do filme dois, é muito mais participativo neste filme, fazendo o contraponto ao herói. Falando em herói, o papel do Patriota Americano, antigo War-Machine, é pífio. Mas tirando isso, vemos uma evolução tão bem amarrada que é rara de ver no cinema atual: a evolução cuidadosa como as armaduras do Tony evoluem, e o mais importante, como Tony Stark é também falho e humano, ao cometer erros em seu frenesí construtivo.

Quem já trocou de smartphone, sabe que é chato se acostumar com os detalhes, onde baixar isso e aquilo, como acessar este ou aquele arquivo do smartphone no computador. Imagina trocar o conceito todo de uma armadura? Esses pequenos detalhes dão credibilidade ao herói. Além disso, se Tony estivesse com a armadura do filme 2 ou 3 funcionando, não tinha filme. Sejamos francos, com uma armadura boa e funcionando, qual pode ser o vilão para deter Tony Stark?

Não vi ninguém comentar, então faço eu meu comentário: depois do filme 2 do Iron Man, a cena pós créditos do filme tem uma frase curiosa, diferente dos outros filmes, que anunciavam o retorno do herói num próximo filme, este termina informando Tony Stark Will be back. Mais alguém pegou a sutileza?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mais estranho que a ficção

Ok, este texto é um spoiler só. São apenas revelações da trama do filme, do começo ao fim. Você não precisa ler, mas eu, como escritor, não posso deixar de escrever. A idéia de escrever sobre esse filme dominou minha mente e não posso pensar em mais nada, até tirá-lo da minha cabeça.

"Mais estranho que a ficção" é um filmão dirigido por Marc Foster com Will Ferrel, Emma Thompson, Maggie Gyllenhaal, Dustin Hoffman, Queen Latifah, Linda Hunt e Kritin Chenoweth. Se você não viu esta obra ainda, pare o que está fazendo (ou seja, lendo esta crônica) e vá ver o filme. Volte aqui depois. Ou não...

No filme Will Ferrel é Harold Crick, um fiscal da receita que com vida solitária, devotado ao trabalho e estremadamente metódico. Com facilidade por números, faz disso seu passatempo, e o mundo gira ao redor de suas contagens e do seu relógio. Will Ferrel é contudo, sacado de sua rotina quando, de súbito, passa a ouvir "uma voz de mulher, com melhor vocabulário que o dele, narrando precisamente o que ele faz e pensa".

Com sua rotina abalada, e buscando entender o que está acontecendo, ele declina de um caso de auditoria mais complexo, sua praia, para ir conferir uma padaria, com impostos em atraso. A ajuda sai pela culatra, contudo, quando ele conhece a dona da padaria, Ana Pascal (linda Maggie Gyllenhall). E a narradora que ele ouve passa até mesmo a ser ignorada por ele, por uns segundos, narrando a forma como ele se apaixona por Ana instantaneamente.

Numa história aparentemente paralela, Karen Eiffel (Emma Thompson) é a escritora enfrentando um bloqueio criativo, e a editora, que espera há 10 anos pelo seu livro "Morte e Impostos" envia uma secretária para auxiliá-la, Penny Escher (Queen Latifah). Karen é mal humorada, sarcástica e escreve os melhores dramas por isso mesmo, faz o leitor se apaixonar pelos personagem, e depois os mata da forma mais cruel que puder pensar. No seu livro, naquele momento, ela não sabe como matar Harold Crick. Confuso? Imagina Harold Crick ouvindo "Little did he know about the eminent of his death". "Quão eminete?", ele começa a gritar contra as nuvens.

A história leva Harold a tentar descobrir quem está narrando sua vida, e que planeja acabar com ela. A psicóloga não ajuda muito, Harold se mostra tão criterioso e teimoso quanto é em sua vida pessoal, e recusa-se a aceitar que seja uma desordem psicológica. Ele pede uma segunda opinião a psicóloga, que baseada na narração que ouviu ele, lhe sugere que procure um professor. De literatura. É onde entra Dustin Hoffman.

Dr. Jules fica intrigado pelas palavras pouco usuais no inglês norte-americano, "Little did he know", e se convence que Harold Crick ou é louco, com excelente veia literária, ou de fato está falando a verdade. Ao longo das próximas duas semanas, um convívio diário surge ("não sabemos quão eminente é sua morte, venha todas as manhãs, às 9, você pode estar morto quinta!"). Mas a descoberta da escritora por trás da história, que se dá na sala de Dr. Jules, é acidental. É ouvindo de fundo uma entrevista antiga da Karen Eiffel que Harold reconhece a voz e passa a buscar como entrar em contato com sua narradora.

O filme é maluco, no bom sentido. Com efeitos visuais maravilhosos, e uma história incrivelmente linear, com narrativa bem cadenciada, narrando a descoberta de uma pessoa à si mesma, na eminência da morte, confrontada com o destino inevitável. Dr. Jules, convencido que não poderá alterar a história que está sendo narrada sobre Harold, lhe diz: desista, vá e faça o que quiser, viva de comer só tortas, se quiser. Harold ficar indignado com a sugestão, "como alguém pode escolher viver só de comer tortas ou lutar por sua vida?", mas Dr. Jules, tranquilo como se mostrou o tempo todo, mesmo confrontando um absurdo lhe diz: "evidentemente, tudo depende da qualidade da torta, e da vida que se está vivendo...". e vai embora. Harold tenta contrariar Jules, mas não consegue. Ele percebeu a crítica feita à sua vida, e decide mudar de vida, enquanto ainda tem uma.

No final, a sensação que se tem é de criatura e criador se encontrando. Eles discutem, e o criador, Karen Eiffel lhe mostra o seu "destino", as últimas páginas do livro ainda não escritas, mas rascunhadas, como dizendo: este é meu plano para sua vida, o que você acha dele. Surpreendente, Harold concorda com a história, acha o seu fim e sua morte lindas, e garante a escritora que vá em frente. Ele estará feliz com aquele final. Dr. Jules, se revela um correspondente de Karen Eiffel, ele, apaixonado pelo trabalho dela, ela, apaixonada pelas cartas que recebe dele (e nunca responde).

A conclusão do livro prevista, o expectador nunca descobre. O livro que marcaria as inter-relações acidentais entre vidas completamente distintas, um garoto classe média ganhando sua primeira bicicleta, uma mulher em seu primeiro emprego como motorista de ônibus e um cobrador de impostos, é alterado. Karen Eiffel não consegue matar Harold Crick, mesmo com seu aval. Surpresa do encontro com sua criatura, que não poderia ter sido melhor narrado: ela o vê, e antes de sobressaltar-se com alguma característica facilmente encontrada em seus livros, é com o desalinho do seu cabelo e as dobras dos seus sapatos que a convencem, antes que ele diga algo, que Harold Crick é o mesmo que ela escreveu. Quando confrontada por Dr. Jules por que não o matou, ela diz|: "Uma pessoa, que mesmo sabendo que irá morrer, diz que não se importa, por sua morte lhe dará um sentido, não é exatamente o tipo de pessoa que gostaríamos de manter viva?".

Existem milhares de interpretações para este filme, desde nenhuma, "ok, os mundo deles se cruzaram, ela narrava de fato a vida de uma pessoa, e ao conhecê-lo decidiu polpá-lo", até a que eu prefiro mais: os dois mundos nunca se cruzaram. Nunca houve, no mundo da escritora Karen Eiffel, um cobrador de impostos chamado Harold Crick. O bloqueio, a dificuldade em terminar o livro por não saber como matar Harold Crick se resumem a uma só coisa: ela se apaixonou pelo personagem que criou", ao narrar-lhe nova vida e fazê-lo feliz em se descobrir, foi incapaz de destruir aquele que ela criou.

Ao longo do filme, Harold Crick pode ter chegado à Dr. Jules por cartas anônimas. Respostas de Karen, buscando uma orientação indireta sobre o que fazer com o personagem. Quando Dr. Jules sentencia, "sinto muito, é a obra prima de Eiffel, você deve morrer", é justamente quando ela vai à ele, diretamente. Ana Pascal e o amigo de Harold do Imposto de Renda, nunca aparecem no mundo da universidade, fora de seus lares ou locais de trabalhos. A escritora não vai ao hospital onde Harold está, mesmo sabendo que ela o colocou lá, com seu livro.

Achei poético como o filme aborda as formas como por vezes, um escritor se apaixona de tal forma com seu texto e sua criação. Mesmo que esta não seja a interpretação correta, o que é correto num filme onde um coletor de impostos passa a ter sua vida narrada por uma escritora inglesa?

Overthinking Back to the future

And you thought I would let the date go blank, right? We arrive and go through that moment where the three "Back to the Future" fi...