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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Uma versão feliz para o trailer de The Shine


Não sei o que gosto mais desse trailer apócrifo para o sucesso de Kubrick baseado na obra de Stephen King, se é a música feliz, Salsburg Hill, do Peter Gabriel, e as cenas bem cortadas, ou a lenda que reza que o autor (desse trailer) teve que ver e rever esse filme centenas de vezes, para achar os dez segundos de risadas de Jack Nicholson sem que elas virassem uma careta medonha, e maníaca, como acontece praticamente todas as vezes no filme.

Esse é um filme lento, um filme de outra era, que provavelmente hoje os jovens se dividiriam entre enfadonho e chato pra caralho à respeito dele. É todo esse lance de fazer um terror psicológico, um tipo de bruxa de Blair, mas sabendo que há um monstro no final, no final o monstro somos nós mesmos, e a forma lenta como sucumbimos à nossas próprias loucuras, cigarros, álcool ou um hotel sobre um cemitério indígena que tenta nos arrastar para possuir nossa alma. É isso.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Overthinking: Swiss Army Man (spoilers)


Swiss Army Man é uma das coisas mais insanas que você vai encontrar no Netflix atualmente. De humor dramático, leve nas duas artes, a história começa muito semelhante ao filme "O náufrago", com Tom Hanks, aqui, Paul Dano é Hank, um náufrago em uma ilha desconhecida, que decide se matar, quando um corpo trazido até a praia pelo mar o distrai (e quase o mata).

Chega a praia o próprio Harry Potter, isto é, Daniel Redcliff, como Manny, literalmente, um morto muito doido. Seu corpo morto é capaz de coisas incríveis, que vão, vagarosamente trazendo Hank de volta à civilização, ao mesmo tempo que o corpo faz com que Hank vá aos poucos se abrindo para si mesmo e para a audiência revelando um pouco de si.

A questão toda do filme, fora o humor escatológico bem característico dos ingleses, é que Manny está morto, o que faz com que tudo não passe de alucinações de Hank. Ou será que não?

O final é visto pelo ponto de vista de Hank, e parece misturar sem constrangimento ou aviso prévio, realidade e ficção. Muito semelhante à série The OA, e ao livro Memórias Póstumas de Bras Cubas, aqui temos um narrador não confiável, e a veracidade dos fatos dependem de seu próprio ponto de vista.

Sua viagem da ilha à terra firme é insólita, a chegada do salgadinho junto com seu corpo ao litoral, suspeita, a proximidade com que ele ressurge próximo à casa da garota por quem tem afeto é surreal (ele só a viu no ônibus e nem sabia seu nome, "Manny" inventou um).

Mas que o filme é original em todos os aspectos e trouxe Daniel Redcliffe num papel muito inusitado, e que tudo isto está de parabéns, está. A música, discreta, também é excelente e aparece, ao que parece, quando os devaneios chegam ao nível da loucura).

Agora, se eu tivesse que alimentar a teoria do algoritmo gerador de roteiros do Netflix, eu diria que esse filme é o casamento perfeito de Um Morto Muito Louco com O Náufrago, e o plank do desenho Du, Dudu e Edu. Mas eu não estou dizendo isso, ok?


sábado, 21 de janeiro de 2017

Overthinking: the perks of being a wallflower (spoilers)


Fui procurar "Tudo acontece em Elizabeth roubada", ou só "Elizabeth roubada", no original, lá no Netflix e vi que tiraram. Mas eu já estava no sofá, com o prato de comida no colo e uma Xingu aberta, próxima aos meus pés. Não queria caçar o DVD, ligar o laptop, conectar o laptop na TV e comer finalmente fria e cerveja quente.

Insisti e procurei nos títulos semelhantes. The Fundamental of Caring eu já tinha visto é aprovado. Restou a opção seguinte, as vantagens de ser invisível. (O Brasil precisa ser estudado sobre essa questão do título Brasil).

De fato os elementos de ElizabethTown estão lá, o drama inicial do início, o desajustado tentando encaixar na sociedade dá qual eles fez auto-exílio, boas músicas, e um romance.

Mas aqui o drama de fundo é pesado e assombra a história do início ao fim. Os momentos leves são entrecortados hora pelos desafios de amar na adolescência, hora pelo fantasma do seu melhor amigo que se matou e lá no final, por algo ainda mais pesado.

Mas veja bem, não é um filme ruim, muito pelo contrário, um filmão ambientado naquele delicioso período final dos anos 80, onde troca-se mix tapes, e uma música maneira que toca na rádio pode nunca mais ser achada, sem kazaa, sem internet.

O filme ainda conta com a gatíssima Emma Watson, e uns personagens ao mesmo tempo esquisitos e que com certeza você também conheceu alguém assim, se viveu nesse mesmo período.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Overthinking OA (spoilers)


Esse post será apenas de apólices, não dá fazer uma análise do que foi essa série do Netflix sem os spoilers. E o pior, não posso nem recomendar que vejam a série, eu não sei ainda o que achei.
Por um lado isso é positivo, quantia filmes de três horas que vimos em 2016 e ao final do filme, tudo que você pode dizer é: pizza, ou vamos direto para casa? Com OA não. Terminei o último episódio com raiva, sobre protestos, final horroroso, clichê, brega. Mas desde que acabei de assistir, não parei de pensar na série.

A série aborda a via de uma garota desaparecida quando fez 21 anos, e que ressurge com 28. E não era a unbreakble Kimi. Presa por um doutor maluco que fica matando pessoas a casa cinco minutos. E é é aí que os questionamentos começam. Quão verifica é história toda?

Logo no início dá série somos surpreendidos por dois milagres. A mulher que era cega, ressurge vendo, e sobrevive a uma tentativa de suicídio.

Na sequência a mesma personagem parece te um certo poder sobre as pessoas, convence um Billing a ajuda-la após ser mordida por um doberman, e mordê-lo e volta. Convence uma professora furiosa a não expulsar esse mesmo aluno, após o mesmo ter fraturado a traquéia de um recém conhecido, apelando para as motivações dela de ensinar.

Mas daí a coisa toda desanda. Ela declara que quer recrutar 5 pessoas para ajuda-la a salvar seus colegas de cativeiro. Eles devem ser dia e flexíveis. Recurso que apenas dois atendem. Por Deus, ainda acharam uma versão oriental do lobo do chrek, baixa estatura e de gênero indefinido.

Os sete anos de cativeiro são mais com detalhes escruciantes, mas mantém a tensão, apesar das dancinhas ridículas, momento vergonha alheia. No cativeiro Mina, ou Praire se revela também The OA, a Anjo original. E os outros capitivos são também anjos. Homer, Rachel, Scott e Renata.

Nesse ponto, uma menção honrosa, como se sabe, anjos não têm sexo (aí a expressão discutir o sexo dos anjos), e o elenco foi escolhido a dedo. No início dá série cheguei a pensar que a Praire era a mesma atriz transgênero de Sense8. Não era por ser feia ou bonita, mas por seus traços, que mais tarde saberíamos ser russos. O indivíduo oriental que também não tem gênero, a professora que tinha um irmão gêmeo. O time BBA, Broke, Steven, Alfonso e o gordinho dá maconha (ele tinha nome?).

Só um detalhe, esses são os novos anjos. Os originais tinham gêneros bastante característicos.

Parece que a série deliberadamente fecha muito bem um laço e escancara o outro. Até o capítulo final, quando Alfonso vai a casa das Praire para provar que a história dela é real e acha justamente o oposto, livros que formam a exata narrativa dá história dá Praire, de castas angelicais, oligarquias russas, experiências de quase morte. Mas ela nunca foi mostrada lendo livro algum, e que demônios o pscólogo do FBI fazia lá a aquela hora dá noite? E já dentro dá casa dá Praire?

Em resumo, a série é na minha opinião (fecal), um casamento de Deuses Americanos com padrinhos mágicos, mas ficou bonitinho... No final, ainda não sei dizer se gostei dá série, mas que me fez pensar, a fez...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Overthinking Prometheus


http://pre04.deviantart.net/e4a7/th/pre/f/2012/115/9/c/prometheus_by_koshelkov-d4xkyzg.jpg

Com o anúncio do novo filme de Ridley Scott, Aliens: Covenant, que parece ser uma continuação do filme Prometheus (já que dois dos atores aparecem por um segundo no teaser), foi inevitável não pensar no filme Prometheus.

Um filme controverso, com 68% de aprovação do público e 72% de rotten tomatoes, e um dos melhores "everything wrong with" que eu já, o filme é realmente de dividir opiniões.

Dentre os acertos do filme, está a estética, belíssima do filme (contrabalanceada pela horrível maquiagem envelhecida de Guy Pierce como Wayland), o filme é lindo. Das cenas sempre em planos amplos no interior da nave, representando como o ser humano se sente gigante ao singrar o universo, às cenas que a nave surge minúscula na imensidão do universo, representando nossa pequenez, em um detalhe tão bem colocado e tão discreto.

Por outro lado, a tripulação, como disse o pessoal do "Jovem Nerd", parecem formados na universidade de loucos, sempre com as saídas e reações mais absurdas à cada situação, até que por fim, uma verdade me atingiu em cheio, a diferença da ficção para a realidade é que a ficção precisa fazer sentido.

E se o que Ridley Scott quisesse retratar fosse o encontro de uma tripulação totalmente juntada (eles forma "brifados" na chegada ao planeta), sem preparo algum, com algo muito superior à suas compreensões? E se fosse aliens encontra Cthulhu, numa reação de loucura que ao espectador não faz sentido, mas lá, dentro da história, suas reações até que foram normais?

Talvez não estejamos acostumados ao filme "não fazer sentido", como é a vida, e por ser próximo à vida, que o filme nos frustrou. Afinal, vamos ao cinema para ser transportados para fora de nossas realidades cotidianas.

E se? E você? O que você acha?


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Resenha e Overthinking: Person of Interest


Em Person of Interest Harold Finch constrói uma máquina, mais precisamente um sistema de inteligencia artificial, capaz de observar todos os emails, todas as trocas de mensagens de telefone, todos os sistemas de comunicação, para detectar atos de terrorismo. A máquina batizada justamente de Machine é então colocada dentro do CIA sob o nome pretexto de Northen Lights.

Quando Finch constrói sua máquina, contudo, ele sabe do poder que está delegando ao equipamento, e para proteger ao máximo tamanho poder de processamento, além de árduo processo de ensino e doutrina da máquina - 42 vezes para ser exato ele destruiu a máquina - o computador também recebeu camadas e camadas antes de sua interface direta, de forma que o único contato, a única informação que o governo recebe da máquina é um CPF, um número de uma pessoa de interesse, que ainda devera ser avaliada por um time humano que determinará se a ameaça é real ou não. E é impossível fazer contato com a máquina de forma direta.

Milionário e entendiado, Finch vê quantas ameaças domésticas, vizinhos contra vizinhos, são ignoradas pela CIA na procura apenas de terroristas globais, então ele cria também uma backdoor, um segundo CPF, apenas sobre a região de Nova York, e para vigiar essas ameaças potenciais, Finch ainda recruta pessoas que abandonaram suas vidas, ex-soldados que não tinham família para voltar, agentes da CIA com preocupações da forma com a agência lida com os problemas e coisas assim. Entra Shaw, John Reeze, Fusco e Hacker.

Um detalhe extra, ninguém, além de Finch e seus ex-sócio, falecido, e sua equipe, sabe da máquina. A própria CIA não sabe de onde recebe suas dicas, acreditando que vem de alguém do alto escalão, ou de outra agência fantasma. E é ainda que a coisa vai para o quiabo. É quando a CIA começa a investigar sobre a tal empresa, Northen Lights. Paralelo a isso, um novo empresário começa a vender para o governo um "revolucionário software capaz de espiar em todos, sobre ameaças de terrorismo", e o governo, que nunca soube da Machine, se interessa.

Esse novo software, chamado de Samaritano, talvez não tenha sido programado com o mesmo cuidado que Harold programou o seu próprio software, e logo de cara, vemos Samaritano tomando algumas decisões por sua própria conta, às costas de seus supostos "amos". E é claro, esse novo software logo nota que ele tem concorrência e quem são os agentes que operam para sua concorrência, iniciando uma batalha épica, nos bastidores da Big Apple.

A atual temporada, e última, series finale, mostrará os resultados desse embate incrível, duas inteligências artificiais duelando, um exército oficializado pelo governo norte americano (704 agentes até agora), mas liderados por uma inteligência duvidosa, do outro lado, 4 agentes mal pagos e perseguidos pelo governo.

Agora, o legal de tudo isso é que a arte imita a vida, e a vida imita a arte. a IBM acaba de anunciar que irá começar a treinar sua inteligencia artificial, Watson, para procurar ações de terrorismo. Legal, né? Agora, ela será a Machine ou Samaritano? http://computerworld.com.br/ibm-treinara-watson-para-combater-cibercrime

domingo, 13 de março de 2016

Overthinking: Marvel Universe 2015/2016

O Universo Mavel do cinema se chama MCU - Marvel Cinematic Universe - e desde o primeiro filme Homem de Ferro não pára de crescer, afinal, o filme foi a prova contundente de que a computação gráfica chegou ao níveis que permite dar veracidade ao filmes de heróis. Mas com esse crescimento, a Marvel também descobriu um problema: seus maiores heróis estão com direitos fora de casa.

A venda dos direitos não foi ruim, X-Men é um dos melhores filmes de heróis até hoje, e foi obra da FOX, já de posse dos novos direitos. Além disso, a FOX ainda tem Quarteto Fantástico, e vamos ser sinceros, o primeiro filme, com Jessica Alba como Mulher Incrível, também não foi ruim. Wesley Snipes com Blade fez um ótimo trabalho, e até o Nicolas Cage fez um trabalho honesto com Motoquero Fantásma. E não podemos nos esquecer do que a Sony fez com o Homem Aranha. Por alguns anos seus laptop VAIOS vendiam apenas com tema do Homem Aranha, gostem ou não do Toby McGuire, ele fez um bom trabalho, ao menos nos filmes 1 e 2... Ah, e teve o Hulk, em duas encarnações, mas a primeira mesmo também era de fora da Marvel.

Então, a Marvel foi comprada pela Disney, e logo a produtora podia fazer tanto quadrinhos quanto filmes, mas filmes sobre quem? Quem sobrou na casa? Apenas os heróis que ninguém quis, e isso não foi ruim...

Homem de Ferro abriu as portas para os Vingadores, e mesmo com filmes médios de Hulk, Capitão América e Thor, Vingadores veio e foi um sucesso. Logo o universo espandiu, com Homem Formiga, Guardiões da Galáxia e o universo espandido na TV com Shield, Agent Carter e no Netflix com DareDevil e Jessica Jones.

Agora, mesmo com tantas séries, a Marvel esbarrou em um problema grave para continuar recontando suas histórias clássicas. A maior parte de seu elenco ainda esta fora de casa. Guerra Civil, Guerras Secretas, Gemas do Infinito, todas estas sagas dependem do universo integral, e como a Marvel resolveu solucionar isso? Deixando de financiar quem finaciou seu levante. Excluindo herois na sua nova reorganização, tirando até mesmo dos quadrinhos, todos os heróis que estejam com direitos vendidos. O resultado é esse novo poster aí embaixo, e repare que tem heróis repetidos entre os dois posteres... E o resto dos heróis? Nem todos sumiram simplesmente, mas muita, muita coisa mudou e continuará mudando, e isso não é ruim... Mas é assunto para outro dia...



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Overthinking Back to the Future



E você achou que eu iria deixar a data passar em branco, né? Chegamos e passamos por aquele momento em que os três filmes "Back to the Future" se passam no passado. Os distantes trinta anos de 85 à 2015 se passaram sem carros voadores ou pranchas flutuantes, o Fax foi derrotado e não tivemos tantas continuações do filme Tubarão... se ao menos tivessem apostado nas franquias do filme Star Wars estariam muito mais perto da verdade.

Mas acho que todo mundo já leu em algum lugar quase tudo que se pode dizer dos três filmes e seus sucessos e fracassos, com uma louvável exceção: a relação tempo-espaço das viagens.

Você sabe: no início do filme um o Dr. Brown nos diz que se Delorean não pode viajar no espaço, apenas no tempo, por isso, viajar em Hill Valley de 1985 só pode te levar à outras Hill Valleys de outros anos. Mas para ir de Hill Valley 1985, para Nova York de, digamos, 1929, você teria que escolher entre: ou ir à Nova York e então viajar no tempo, ou viajar no tempo e depois à Nova York. E com um Delorean carregando plutônio, não seria a viagem mais fácil do mundo. Nem em 85, nem em 55 e nem em 29.

Pois bem. Dentro dos erros e acertos dos três filmes, os críticos mais ferrenhos se apegam justamente ao fato que seria impossível viajar no tempo sem viajar no espaço. Veja, a Terra tem dois movimentos: rotação e translação. Ao viajar no tempo, do ponto A ao mesmo ponto A, um minuto que seja, seria a diferença entre estar na praia num instante, e no minuto seguinte dentro do mar, pois a Terra gira à 1666 km/h (ou seja, em 24 horas gira seus 40.000km de circunferência), o que significa que a Terra gira à 462 m/s.

Em um minuto de nossa hipotética viagem ao futuro, sua posição já seria 27 km diferente do ponto de origem. Como iniciar sua viagem na Sé e um minuto depois estar em Itaquera. E isso, pensando apenas na rotação da Terra, e ignorando a translação, o movimento da Terra ao redor do Sol. Ou seja, se viajarmos tempo o bastante, podemos nem estar na Terra quando ressurgirmos. apenas flutuando num espaço vazio onde a Terra ainda vai chegar ou já passou. E isso ignorando o balé que nosso sistema solar faz na Via Láctea, nossa Galáxia.

Mas então, o filme errou mesmo nessa questão, certo? Beeeeeem... Talvez o Dr. Brown tenha errado, e o filme esteja certo. Se ignorarmos a parte onde o Sistema Solar também gira, e ficarmos só com a rotação e translação, aí, pode ser.

Acontece que no filme dois vemos um deslumbrado Dr. Brown com a coincidência de que entre tantos dias do passado possíveis, Biff Tannen tenha retornado justamente ao mesmo ano que o Marty também voltou no filme um, e bom doutor chega a considerar que aquele dia de 1955 talvez fosse um entroncamento cósmico. Ou talvez fosse apenas a máquina do tempo buscando um ano que a Hill Valley estava onde estava, no espaço e no tempo!


Agora com licença, esse overthinking me fez precisar de um comprimido para dores de cabeça...

(essa dissertação foi inspirada no maravilhoso livro de Randall Monroe, E Se...)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Overthinking: Ensaio sobre a cegueira (só spoilers, não leia se não quiser)

Caos na cidade ou apenas mais uma segunda feira paulistana?

O filme Ensaio sobre a cegueira, de 2008, do livro homônimo de Saramago, foi produzido pela ação conjunta de Japão, Canadá e Brasil, filmado por Fernando Meirelles, produzido em São Paulo e com um elenco norte americano. Hulk Mark Ruffalo é um dos protagonistas, com Julianne Moore como atriz coadjuvante, ainda que ambos se revezem nestes papeis ao longo do filme. Atuam ainda Danny Glover (o sindicalista de 2015!) e Gael Garcia Bernal.

O filme aborda uma tal de epidemia branca, uma cegueira que acomete de um motorista aleatório à todos que tem ou terão contato com ele à partir de então, derrubando a sociedade como um todo, quando todos caem vítimas da doença. O filme é ainda uma constatação do ditado: "em terra de cego, quem tem um olho é rei", quando Julianne Moore se mostra resistente à essa epidemia, sem explicação ou razão.

Milhares são as consequências da cegueira generalizada. Serviços de TV saem do ar, o trânsito vira um caos, os serviços de entrega de mercadorias às lojas são interrompidos, e então as lojas fecham. O desemprego, fome e miséria são avassaladoras e sozinhas já derrubariam qualquer governo, se tivesse sobrado alguém não cego para governar.

Outra consequência da cegueira, é a perda da vaidade. Quem não vê como está, se cuida menos, e logo, passa a cuidar do seu ao redor menos. Sem ter como ver a sujeira, não há problemas de sujeira. E logo, uma cidade cinza, triste, feia e suja como São Paulo é a escolha perfeita, sem gastar um centavo com pós-produção, para representar uma cidade abandonada, suja. Ninguém mora em São Paulo, as pessoas habitam São Paulo. Ninguém olha para a sujeira da cidade, cegos por seus próprios problemas, vendados pelo cuidado desperdiçado na parede pintada, e então pichada, sem punição, sem culpados.

E logo, se ninguém cuida das casas, ninguém cuida das calçadas, e das faixadas. E os prédios ficam mais cinzas, e a poluição, ainda pior sem a chuva para lavá-la, deixam ainda mais cinza a cidade que ninguém olha.

A beleza está nos olhos de quem vê, mas quando ninguém vê, qual beleza está lá? Quando uma árvore cai na floresta, e não tinha ninguém por perto para ouvir, como saber se ela fez barulho? Quando a beleza foi toda coberta de cimento e cinzas, como saber se há beleza ainda?

O filme é exasperante pelas dificuldades vividas pelos personagens. Como filme é perfeito, a obra de Saramago já é em si, brilhante, este eterno (quase literalmente) questionador do capital, das posses e de quem somos, mas a escolha de Fernando Meirelles por São Paulo coroa um filme maravilhoso.

Em tempo, Andres, que dividia o quarto alugado com minha esposa numa pensão, a tal Casa das Mosquitas, atuou nesse filme. Lamentavelmente, não o vimos...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Resenha: Tom Sawyer

Uma obra leve, inspirada no clássico de Mark Twain, nesta obra, ao invés das crianças do Mississipi, a jovem Haru vai a uma cidade pequena do interior do Japão, para o velório de sua mãe. Em pleno verão, sem emprego e questionando sua universidade, ela vai ficando na cidade, onde conhece Taru e seus amigos, crianças que ao invés de repelirem os adultos, como se espera, acabam acolhendo Haru em sua pequena sociedade, por ser "filha da bruxa", e fazem de sua velha casa, um abrigo e um QG para o verão.

Dentre suas aventuras, eles testemunham um crime, ficam ilhados quando seu bote afunda e descobrem um tesouro. Um verão, como todos os seres humanos soam poder ter um, que marca um momento especial, pelo fim da infância, aquele último verão, mas que será lembrado por toda uma vida.

Apesar da inspiração e dos mesmos pontos de referência, que unem as duas obras, Tom Sawyer de Takahashi tem sua própria personalidade, com personagens principais profundos, complexos, ricos em trejeitos e manias. Um dos momentos mais marcantes, na minha visão, é a calma de Taru, lendo uma revista com desprendimento, enquanto convida a uma esbaforida Haru, e sem dinheiro, a partirem numa aventura por tesouros, uma brincadeira, mas que Haru aceita sem pestanejar (e se arrepende, claro, depois). O papel de adulto e de criança se alternam, com naturalidade autêntica, de uma forma que só quem lembra bem de seu próprio último verão pode narrar.

A leveza da narração de Shin Takahashi, e os traços leves tornam esta obra lírica, mas é impossível ler a obra de forma indiferente, sem se lembrar de nosso próprio último verão, quando foi o nosso último verão, aquele que marcou o fim da nossa infância, quando deixamos de procurar a bola de futebol, e passamos a olhar as garotas, quando a diversão é vista como infantil, e a vida passa a ser a busca de status, sentido e companhia?

domingo, 13 de julho de 2014

Um comentário óbvio sobre o mundial

Foi sem dúvida uma copa do mundo muito divertida de assistir no twitter, o canal social da copa, segundo quem habita aqueles 140 caracteres. Foi também uma copa de surpresas apesar doss times óbvios que chegaram até a final, Alemanha e Argentina, e dos semi-finalistas, por assim dizer, com Brasil e Holanda. Esses quatro times escondem um desempenho incrível dos Estados Unidos, uma surpresa com a Costa Rica e seus "ticos" (sic), a Colômbia que bateu um bolão e o Uruguai com mais um desempenho guerreiro. 

Copa, tão antecipada pelas manifestações, as mesmas que se calaram quando o apito inicial foi dado, salvo muita bagunça e quebra-quebra que foi oculto pela mídia, que até tinham as reinvidicações corretas, mas se perdiam pelos poucos que vandalizavam. Copa que não teve a cobertura de infraestrutura pronta e que poderá complicar políticos no poder nas eleições que estão se aproximando, as mesmas que espero que as manifestações de verdade, na urna, aconteçam. 



Mas a copa que sobre tudo, mostrou o despreparo do Brasil dentro e fora do campo em um campo de obra mais a longo prazo, no campo humano, os brasileiros... Vi ainda na sexta passada, antes de ontem, no McDonalds do aeroporto internacional de Guarulhos, atendente apresentando imagens e fazendo mímica para vender um BigMac para um gringo. Uma senhora gritando em um idioma estranho, para o motorista do Airport Express e turistas no metrô, num carro que o microfone ou não funcionava, ou estava muitp baixo. Aliás, vi uma turma com vuvuzelas no metrô, exercendo o cúmulo da falta de educação, que no final é onde residem todos esses problemas.

O Brasil que chegou tropeçando até a Alemanha, da qual perdeu por 7 x 1 ou na Holanda, de quem perdeu de 3x0, em campo, também é reflexo do Brasil fora do campo. Um time sem renovações, desestruturado, num país que o único esporte que valoriza, perdeu seu brilho. Não pelas derrotas, mas pela falta de educação, formação... 

Quando meu irmão era criança, ele fez aquilo que todos que sabem chutar uma bola fazem, e fez uma peneira para a Portuguesa. Quase passou, o que significa a merda nenhuma, milhares também não passaram, e eram bons, milhares passavam, e nem eram bons. Veja moneyball para ver isso melhor acontecendo em campo.



Com o crescimento dos clubes grandes, disputas no tapetão de outros de deveriam diminuir, e com a aproximação de tantas estrelas, uma coisa que nunca mais se ouviu, foi dos times pequenos, berço dos novos joggadores. Treinadores. Preparadores técnicos. Formadores de jogadores. Esses times, Guaraní, São Caetano, Portuguesa, e seus equivalentes nos outros estados, continuam formando atletas e fazendo peneiras, espero, mas assim como a educação brasileira, se tornou quase proforma. Não forma mais grandes e novos talentos. O Brasil passou de formador de atletas, a retiro de famosos. Branco, Ronaldo, Ronaldo Gaúcho e mais recentemente Kaká, voltam para casa para encerrar suas carreiras, no papel de grandes contratações dos times, o que não deveria ser! 



Nossa formação tem se tornado proforma. Nossa formação de atletas também! Nossa cidadania, também. O chocolate do Brasil, que se juntou a um time seleto de países que levaram mais de 12 gols em seus jgs, com Arábia Saudita e Coreia do Norte, marcará para sempre nossa história, mas isso fará alguma mudança em nossa diretoria esportiva, que protege os clubes grandes de não cair? Que presenteia clubes já abastados com estádios, e condena estádios de times que mal sobrevivem, como os jogos que não acontecem na arena da Portuguesa?  Cada vez que um time grande não cai, im pequeno deixa de subir. Cada vez que um professor em sala de aula desiste de ensinar, uma legião de pesquisadores e administradores, de engenheiros e arquitetos, deixam de serem formados. 

A pergunta é: vamos fazer algo desses resultados, ou vamos mudar o treinador e fingir que esta tudo bem? Que é normal um monte de jogadores famosos serem colocados juntos e fazerem um rachão, como aqueles que fazemos na praia, depois dos banhistas ja terem ido para casa? 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Overthinking: Obsolescência programa, parte 100x10³

A Apple está bastante complicada. Como a galera fazia para amar a Apple no hiato entre Steve Jobs? Por que agora, que não há chance dele voltar, a coisa parece para mim, à cada dia mais, que vai desandar. E não é que a Apple em si tenha mudado, é aquela tão falada aura de distorção da realidade que deve mesmo estar fazendo falta.

Veja bem, quando Jobs apresentou ao mundo, em seu grande retorno à Apple, o iMac e o iBook, esses produtos já foram lançados desatualizados. A primeira revisão do iMac ganhou aquele drive de CD igual ao rádio do Carro, tipo "tostadeira", e ganhou também mais memória RAM. O iBook, nem falar, ele foi lançado com CD player num mundo que tudo já tinha DVD, e com 64Mb de RAM soldados na placa, reduzindo para sempre, a capacidade de upgrade.

O iPad foi lançado com surpresa de todos, que vinha sem câmera, era um upgrade óbvio a ser feito, que foi adicionado e corrigido no iPad 2 e tá lá desde então. O iPod é uma história em si mesmo da obsolescência programada, até virou ação coletiva, tipo O Povo contra A Apple, com ganho de O Povo, pela bateria feita para falhar em 18 ou 24 meses e que não podia ser trocada. Além do conector que mudou de FireWire para USB para 32 pinos e 16 pinos, e os recursos, adicionados homeopaticamente, do gravador, o sincronismo com contatos, a câmera e afins, um a cada nova versão.

Mas agora, além dessa obsolescência, há os erros e os recalls. Eu sei que tivemos o "antena gate" do iPhone 4, mas só esse foram 3 recalls! Bateria do Macbook Air, Carregador dos iPhones 3 e 3G europeus e troca dos botões home e power do iPhone 4 e 5 (e variações).

Some isso às recentes atualizações do iOS 8, que matará em definitivo o iPhone 4, iPad 2 e iPad Mini 1, e a atualização do AppleTV, que matará os modelos 1 e 2, mais o bug maldito do Mavericks, o penúltimo e ainda em uso Mac OS, e para quem tem um ecossistema misto da Apple, como eu, vê que o mundo perfeito de devices falando um com o outro deixa de existir, e que você comprou tudo que podia da Apple, pela facilidade, por nada.

Hoje o Macbook white da minha esposa, penúltima geração de plástico, até recebe o Mavericks e o Yosemite, mas ultra limitado nos recursos novos. O iPad 1 e o iPod Touch 2nd Gen não sabem o que é upgrade há anos, o Macbook Air e o bug com o Apple TV, que falha o áudio, o recurso alardeado do AirDrop que não funciona, apesar de existir, entre os dispositivos. Em resumo, se você não tiver todos os dispositivos na última versão, eles não são, de fato, compatíveis. São semi. São aproximações.

Quando penso que um notebook do trabalho já tem 6 anos e é tão bom hoje quanto no dia que foi comprado, e computadores até mais velhos ainda estão rodando no escritório, com suas versões do Windows que dão pau, reiniciam, falham, mas bem ou mal, são compatíveis, me sinto enganado e tendo comprado o lado errado da batalha.

Alguém pode argumentar dos erros dos Windows, XP, Vista, 7 ou 8, e são todos verdadeiros, alias, o Windows 8 é a obsolescência dos PCs, como as novidades da Apple são para os Macintoshs, mas tirando esse update horrível, é incrível pensar que toda a base PC continue a se falar igualmente. Veja, eu não faço campanha pelo Windows e Deus me livre ter que usar algo além do Windows, desde que a Microsoft tentou me cobrar 49 reais pelo dicionário em PT-BR para o Office que eu fiz a assinatura mensal. Só acho bacana que tudo com Windows ainda seja inter-compatível, e no mundo Apple, com menos hardware para administrar, eles ainda querem afunilar mais aquilo que receberá ou não atualizações e que ficará, ou não, inútil na sua casa.

Ah sim, eu sei bem que o Android também não é referência em atualizações, a Apple anunciou com base (e de outra forma seria calúnia) que 95% da base android nunca recebeu atualização ou não foi elevado à última versão, o tal do KitKat. Da mesma forma, donos dos primeiros Windows Phone 7, morreram à míngua quando descobriram que o hardware para o Windows Phone 8 não iria ser o mesmo e assim, não receberiam atualizações mais. Parece que não há ninguém no mundo, além da comunidade GNU/Linux, tentando impedir uma enxurrada de lixo eletrônico velho e sem utilidade em países do terceiro mundo, como diz o documentário de mesmo nome, Obsolescência Programada (em espanhol).

De certo disso tudo, é que parece que quando o Jobs estava por aí, além de não termos tantas correções e recalls de hardware, também por algum motivo, ignorávamos tantas e tantas correções que têm aparecido hoje em dia. #voltaJobs?

quarta-feira, 19 de março de 2014

Produção de livros

Nunca escrevi tanto, nunca apareci tão pouco. Nos últimos meses tenho me dedicado, de corpo e alma ao meu trabalho, engenheiro de aplicações da Stratasys, mas também tenho escrito, escrito, escrito, todos os dias, em todos os lugares, mas esse trabalho simplesmente parece não surgir.

Tenho revisado o livro sobre Palm - uma biografia não oficial, o livro sobre Impressoras 3D, apesar de ser mantido à venda, ainda está sendo desenvolvido, em constante atualização. Tenho um livro de contos em desenvolvimento, desde outubro do ano passado. E os livros de RPG... 

O meu sistema de RPG que foi inventado por mim, o KISS RPG, já entrou em vendas, mandei para avaliação da NerdBooks, sem nenhuma resposta (e eles nunca prometeram uma, verdade seja dita), e eu tirei ele do ar, até redescobrí-lo à venda no Google Play Books, e com vendas! Resultado, a venda, mesmo com críticas ruins (ou não tão boas), me fez republicar o livro, criar uma aventura para o sistema (na verdade, uma aventura compatível com Modern D20 e KISS RPG), e lançar dois romances curtos e teoricamente adolescentes, baseados no RPG Pokéthulhu, odiado por todos meus amigos (o RPG, o romance segue inédito para eles). 

Mas esses tiros no RPG me motivaram, e mantenho ainda um terceiro romance inédito, medieval fantástico, gênero que amo, mas que é tão difícil de tentar mostrá-lo para outros, num mundo com Bernard Cornwell, J. R. R. Tolkien, Clive Staples Lewis, Marcelo Cassaro, Rogério Saladino, J. M. Trevisan, Leonel Caldela e tantos e tantos outros. Mas eu arrisco, e vou escrevendo conforme a dona inspiração e o tempo me permitem. 

Já desenhei uma cidade como base para as aventuras de RPG, uma cidade grande, portuária, que faz ligação a uma aventura minha, e outras 5 aventuras da RedBox RPG. Escrevi um prólogo, o background dos personagens chaves, e os capítulos 1 e 2. Falta tanto, tanto por fazer. Mas eu insisto. 

E assim, trabalhando agora em obras mais extensas, dedicando tempo há tantas frentes simultâneas, o trabalho demora a aparecer, e quando aparece, aparece assim, de enxurrada no meu blog e no Clube de Autores, como essas publicações de ontem, KISS RPG (relançamento), Crônicas de Pokéthulhu (meu romance maluco), Mistéiro em Riverside (aventura para D20 e KISS RPG), e tanto mais por vir... 

Só uma pergunta para encerrar, tem alguém lendo isso tudo, ou sou só eu? Não que eu me importe, claro, mas seria interessante saber o que estão achando. E obrigado...

quinta-feira, 13 de março de 2014

Overthinking 47 Ronins

Atenção. Contém spoilers. Leia por sua conta e risco, preferencialmente somente depois de ver o filme.

O filme os 47 Ronins com o famoso “Neo Anderson”, vulgo, Keanu Reeves, é um filme de ação fantástica ambientando no Japão feudal. A história transcorre sobre um nobre e honrado senhor feudal que é traído para parecer inferior diante do imperador, em uma importante competição que ocorre entre todos os territórios do imperador e seus senhores feudais. 

Desonrado, o senhor feudal é obrigado a cometer suicídio, para lavar sua honra e seu nome, deixando sua filha para ser casada com o autor da tramoia e seus samurais, sem um senhor, fazendo-os assim, Ronins. Então a história realmente começa, com a organização destes Ronins com uma missão, buscar justamente aquilo que o imperador os impediu, vingança contra o seu senhor, crime que é punível pela morte. 

O filme, deslumbrante em imagens e paisagens, também consegue três facetas incríveis: tornar a estrela dos cartazes, Keanu Reeves, em praticamente um coadjuvante ao longo de quase toda a trama, sua participação é apagada, discreta e por isso mesmo, perfeita. Tão diferente de outros filmes que já vimos, quando norte-americanos decidem colocar seu olhar sobre a magia e mistério do Japão antigo. Tom Cruise que o diga. Aliás, dos 47 Ronins, o núcleo principal é arquitetado por 6, que fazem as "side quests" até a vingança final, buscando por armas, recrutando soldados e aliados. E ao longo de tudo isso, é correto dizer que nenhum deles é um herói mais importante do que os demais. 

Esse é o segundo ponto de sucesso do filme, um filme que narra a saga de um grupo, genuinamente unido e igualmente distribuído. Cada qual do grupo tem sua contribuição. Cada qual é igualmente importante para a história.

A última faceta incrível deste filme foi a forma como inseriram os elementos fantásticos da cultura oriental, sem tantas explicações para os espectadores, e ainda assim muito simples de serem compreendidas. Tudo foi inserido de uma forma natural e harmônica à história. Até o background de Keanu fica perfeito e bem clara. 

Mas nenhum destes elementos é tão importante para o filme, quanto é seu final. Os Ronins, organizados, conseguem vencer o senhor feudal vizinho e vilão, vencem as criaturas místicas, e lavam a honra de seu senhor e sua família. Um filme estadunidense terminaria aqui, com o imperador do Japão dando tapinhas nas costas dos samurais e tudo terminaria num musical da Broadway, com o casal feliz olhando o sol vermelho no horizonte e a silhueta da mulher indicando uma gravidez. Final feliz... Só que não.

Quando vão buscar vingança, eles sabiam que haviam jurado ao imperador, sob a pena de morte, que não deveriam fazê-lo. Quando reúnem os Ronins, todos são informados que o único sucesso desta missão seria a morte, conseguindo ou falhando. E quando a história termina, e o imperador viu que houve injustiça contra eles, retira sua pena de morte, e a converte em uma pena de suicídio, para que eles possam expurgar seus crimes e serem enterrados como samurais, e não como Ronins. E eles se matam, felizes, de uma forma que deixa indignada a plateia. Eles não foram enganados e traídos? Não fizeram tudo certo quando tudo mais falhou? 

Mas é ai que reside a honra e um censo de orgulho que realmente poucos de nós, ocidentais, podemos compreender. Assim como apregoa a bíblia e tantas religiões que esta vida é somente uma passagem, um teste, para a próxima vida, com outros preceitos os orientais também acreditam nisso, mais, acreditam que a única recompensa que alguém pode levar desta vida, é deixá-la com honra. E isso é simplesmente perfeito, e que retira o filme Os 47 Ronins, da posição de um mero filme de ação e o eleva, ao optar pelo final forte, mas corajoso, a posição de um filme maravilhoso. 


E ainda de sobra, não deixa pano para continuações bizarras que futuros roteiristas queiram fazer...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Everything Is AWESOME!!! -- The LEGO® Movie -- Tegan and Sara feat. The ...



Lego: The Movie, é um filme retartado, infantil ao extremo, com uma virada, um plot twist quase, quase previsível, e sabe o que mais? É um filme incrível...

Foi um filme que em situações normais, ou humanos normais, levariam uma criança, até mesmo contra sua vontade, para justificarem sua presença no filme, principalmente os "novos adultos", sem relação com as novelas de vampiros que brilham ao sol, mas aqueles adultos que viveram suas infâncias nos anos 80, regadas à Lego e a Atari, sem celulares que fazem até chover, e que quando tinham 10 anos, isso era tudo que tinham, 10 anos.



A juventude de hoje, regada à ovomaltine e leite de pêra, aos dez anos já têm Smartphones, Tablets, video-games (X-Box E Playstation), quarto, roupas próprias e uma infinidade de coisas que nos diferem da mesma idade, no passado. No meu tempo ninguém podia jogar nos dois time, ou tinha SEGA ou tinha NINTENDO, e você tinha que ser fã cego da suas escolhas, ou fã SEGA. ;)

Mas eu falava do filme, e o filme fala sobre um cara normal, o cara mais normal do mundo, que é confrontado com o fato que acidentalmente foi eleito para salvar o mundo. E nem aqueles que votam sabem nisso.

Um filme maluco, com super elenco, desde Morgan Freeman, Channing Tatun, Liam Neeson, Alison Brie, Elizabeth Banks e Will Ferrell (ok, esse último parece que paga para fazer filmes, tá em todas, deve trabalhar por comida)...

Mas seja como for, se você puder superar os momentos mais chatinhos e infantis do filme, deleite-se com críticas à sociedade atual, comportamentos esperados pelas pessoas, comprar cafés super caros e computadores movidos pela voz que não funcionam (cof, cif, Síri, cof...) e divirta-se com a participação de Batman, Superman, Star Wars, Lanterna Verde, Flash, Senhor dos Anéis, Harry Potter e legos dos anos 80, antes da fama e da importância dos joguinhos...

O filme vale cada peça usada nele... Real ou virtual, e sabe porquê? Por que tudo é incrível...


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Pré-leitura: Mtv - Bota essa P#@% pra funcionar, Zico Goes


O Estado de São Paulo trás uma análise da obra de Zico Goes, uma espécie de biografia do canal de TV aberta que o mesmo conduziu como diretor por anos, a Mtv Brasil, recentemente "privativada/fechada", nas mãos da Viacom, dona da marca e nova mantenedora do canal no país.

Evidentemente ainda não li a obra, mas posso dizer uma coisa, a mera leitura das histórias do canal, como o primeiro e traumático VMB, com a célebre profanação de Caetano Veloso sobre o amadorismo do canal "Bota essa porra pra funcionar", me trouxe infinitas lembranças.

Me lembro que em algum lugar em 92, eu reencontrei um amigo meu no primário/ginásio. Éramos amigos dois anos antes, nos anos 90, os dois nerds, antes que a palavra tivesse bons significados. No ano de 91 fomos para turmas e horários diferentes para nos reencontrarmos em 92.

Foi um período raro, pois por alguns dias, talvez semanas, eu andei no grupo dos populares, lugar que esse meu amigo havia encontrado abrigo por quaisquer razões que fossem. E no reencontro pude andar com ele e com os tais populares por uns dias. Foi um período interessante por que foi justamente minha descoberta da existência da EMETEVÊ Brasil.


Foi justamente meu pronunciamento tão anterior ao do mesmo Caetano Veloso "Agradeço a EMETEVÊ Brasil", que me expulsou do grupo dos populares. Quando falei isso da primeira vez, todos riram, e eu achei que era comigo, mas era de mim mesmo, todos se deram conta que eu era um caipira e minha história com eles seguiu outros rumos. Não sinto falta deles, verdade seja dita, cabular aulas e paqueras ainda não estava nas minhas prioridades, eu gostava de ir às aulas e de ir bem nas aulas. Como gostava...

Mas minha história com a EMN (M-mudo) Ti-Ví começou aí para só acabar com o fechamento do canal aberto. Acompanhei todas as sagas, brigávamos às vezes, com a moda do pagado/axé/samba no canal, com a moda demasiada adolescente do Restart, mas sempre havia algum programa que eu assistisse, fosse o Gastão, quem me apresentou ao Mano Chao com "Me gusta Tu", no programa Hermanos, fossem as partidas do Rock n'Gol, Cazé, Penélope ou Fernanda Linda.

O top 10 e top 20 regeram musicalmente um dos meus namoricos de pós adolescente (entendam, eu envelheço mentalmente muito lentamente... uma forma de autismo voluntária), e até recentemente, no ano passado, era minha conexão com a linguagem e as músicas jovens, compreender os mêmes, assistir o Bento Ribeiro e Daniela Ciccarelli no Furo Mtv, ao PC Siqueira e o programa brilhante que ele mantinha, um Seinfeld -  O melhor sobre o Nada, com base na internet.

Nunca gostei dos programas de auditório, mas foi com Marcos Mion, a quem tão pouco gostava, que passei a gostar de programas de improviso de humor, e foi onde, nos 15 minutos, eu e o mundo conhecemos Marcelo Adnet.

A verdade é que a Mtv teve a ojeriza dos cantores mais nacionalistas, mas era ela, a EMETEVÊ, o canal mais brasileiro, mais improvisado, mais criativo que a TV nacional teve. Foi sua transição de aberta para fechada que fez o público órfão de TV à cabo buscar outros canais e forçou a Globo a rever, finalmente, depois de 30 anos, suas vinhetas de Sessão da Tarde, Vale a Pena Ver de Novo, Esporte Espetacular e tantas outras. O público queria algo com ar de novo para fixar raízes, no horário que ou assistiam à Mari Moon e Titi Mueller, ou os mais velhos viam à Soninha no Radiola e depois no Barraco Mtv.
Saudades eternas dos clipes maravilhosos, criativos que o canal me apresentou. Tonight do Smash Pumpkins, Roller Coaster do Red Hot Chilli Pepers, Do the evolution do Pear Jam. Saudades dos programas e apresentadores que marcaram minha vida, alguns pela relação com a música e com o público, como o Cazé, Gastão, "Reverendo" Massari... E claro as VJs, o que não eram aquelas garotas na vida de um adolescente... Fernanda Linda, Daniela Ciccarelli, Sabrina Parlatori, Marina Person, Cuca e tantas e tantas VJs, lindas, mas também talentosas à suas maneiras, não de uma forma formatada, de uma forma pessoal, cada uma carregando suas manias e loucuras para o ar...


Como já disse, nunca mais soube daquele meu amigo, mas da Mtv, quantas saudades eu sinto...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Capítulo 29: Um conto de Lovecraft: Nyarlathotep

Assistam a esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=JgrzId76G5U


Nyarlathotep... the crawling chaos... I am the last... I will tell the audient void...

I do not recall distinctly when it began, but it was months ago. The general tension was horrible. To a season of political and social upheaval was added a strange and brooding apprehension of hideous physical danger; a danger widespread and all-embracing, such a danger as may be imagined only in the most terrible phantasms of the night. I recall that the people went about with pale and worried faces, and whispered warnings and prophecies which no one dared consciously repeat or acknowledge to himself that he had heard. A sense of monstrous guilt was upon the land, and out of the abysses between the stars swept chill currents that made men shiver in dark and lonely places. There was a demoniac alteration in the sequence of the seasons the autumn heat lingered fearsomely, and everyone felt that the world and perhaps the universe had passed from the control of known gods or forces to that of gods or forces which were unknown.

And it was then that Nyarlathotep came out of Egypt. Who he was, none could tell, but he was of the old native blood and looked like a Pharaoh. The fellahin knelt when they saw him, yet could not say why. He said he had risen up out of the blackness of twenty-seven centuries, and that he had heard messages from places not on this planet. Into the lands of civilisation came Nyarlathotep, swarthy, slender, and sinister, always buying strange instruments of glass and metal and combining them into instruments yet stranger. He spoke much of the sciences of electricity and psychology and gave exhibitions of power which sent his spectators away speechless, yet which swelled his fame to exceeding magnitude. Men advised one another to see Nyarlathotep, and shuddered. And where Nyarlathotep went, rest vanished, for the small hours were rent with the screams of nightmare. Never before had the screams of nightmare been such a public problem; now the wise men almost wished they could forbid sleep in the small hours, that the shrieks of cities might less horribly disturb the pale, pitying moon as it glimmered on green waters gliding under bridges, and old steeples crumbling against a sickly sky.

I remember when Nyarlathotep came to my city the great, the old, the terrible city of unnumbered crimes. My friend had told me of him, and of the impelling fascination and allurement of his revelations, and I burned with eagerness to explore his uttermost mysteries. My friend said they were horrible and impressive beyond my most fevered imaginings; and what was thrown on a screen in the darkened room prophesied things none but Nyarlathotep dared prophesy, and in the sputter of his sparks there was taken from men that which had never been taken before yet which showed only in the eyes. And I heard it hinted abroad that those who knew Nyarlathotep looked on sights which others saw not.
It was in the hot autumn that I went through the night with the restless crowds to see Nyarlathotep; through the stifling night and up the endless stairs into the choking room. And shadowed on a screen, I saw hooded forms amidst ruins, and yellow evil faces peering from behind fallen monuments. And I saw the world battling against blackness; against the waves of destruction from ultimate space; whirling, churning, struggling around the dimming, cooling sun. Then the sparks played amazingly around the heads of the spectators, and hair stood up on end whilst shadows more grotesque than I can tell came out and squatted on the heads. And when I, who was colder and more scientific than the rest, mumbled a trembling protest about imposture and static electricity, Nyarlathotep drove us all out, down the dizzy stairs into the damp, hot, deserted midnight streets. I screamed aloud that I was not afraid; that I never could be afraid; and others screamed with me for solace. We swore to one another that the city was exactly the same, and still alive; and when the electric lights began to fade we cursed the company over and over again, and laughed at the queer faces we made.

I believe we felt something coming down from the greenish moon, for when we began to depend on its light we drifted into curious involuntary marching formations and seemed to know our destinations though we dared not think of them. Once we looked at the pavement and found the blocks loose and displaced by grass, with scarce a line of rusted metal to show where the tramways had run. And again we saw a tram-car, lone, windowless, dilapidated, and almost on its side. When we gazed around the horizon, we could not find the third tower by the river, and noticed that the silhouette of the second tower was ragged at the top. Then we split up into narrow columns, each of which seemed drawn in a different direction. One disappeared in a narrow alley to the left, leaving only the echo of a shocking moan. Another filed down a weed-choked subway entrance, howling with a laughter that was mad. My own column was sucked toward the open country, and presently I felt a chill which was not of the hot autumn; for as we stalked out on the dark moor, we beheld around us the hellish moon-glitter of evil snows. Trackless, inexplicable snows, swept asunder in one direction only, where lay a gulf all the blacker for its glittering walls. The column seemed very thin indeed as it plodded dreamily into the gulf. I lingered behind, for the black rift in the green-litten snow was frightful, and I thought I had heard the reverberations of a disquieting wail as my companions vanished; but my power to linger was slight. As if beckoned by those who had gone before, I half-floated between the titanic snowdrifts, quivering and afraid, into the sightless vortex of the unimaginable.

Screamingly sentient, dumbly delirious, only the gods that were can tell. A sickened, sensitive shadow writhing in hands that are not hands, and whirled blindly past ghastly midnights of rotting creation, corpses of dead worlds with sores that were cities, charnel winds that brush the pallid stars and make them flicker low. Beyond the worlds vague ghosts of monstrous things; half-seen columns of unsanctifled temples that rest on nameless rocks beneath space and reach up to dizzy vacua above the spheres of light and darkness. And through this revolting graveyard of the universe the muffled, maddening beating of drums, and thin, monotonous whine of blasphemous flutes from inconceivable, unlighted chambers beyond Time; the detestable pounding and piping whereunto dance slowly, awkwardly, and absurdly the gigantic, tenebrous ultimate gods the blind, voiceless, mindless gargoyles whose soul is Nyarlathotep.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Overthinking: A natureza da música


Desde os tempos mais antigos o homem busca encontrar o prazer através dos sons, o homem desenvolveu batucadas rítmicas para adorar seus deuses, então "perveteu" esta adoração e começou a falar de outras coisas, da mulher que foi embora, do cachorro que morreu atropelado, e da sogra que já vai embora, enfim, futilidades.

Até os anos 50 foi ultra romântico cantar, no gogó já que microfones, auto-falantes e tudo o mais não havia, músicas sobre amores possíveis e impossíveis. Depois vieram quatro garotos de Liverpool, aqueles degenerados, e fizeram o mesmo, mas com guitarras e bateria, e com cabelos (quase) compridos. Foi um escândalo  para não falar do sucesso. De lá para cá o homem criou ritmos, alguns constrangedores de rever olhando para trás, quase uma paródia dos sons de hoje, mas foi o preço que pagamos pelo aprendizado: glan-rock, o metal maquiado e de salto alto do KISS, até atingirmos o POP, o som que caiu no gosto de milhões, praticamente perdeu todos os significados e volta a falar, sem brilhos criativos em genialidades vocais e extremamente aparado por equipamentos e última geração, sobre amor que foi embora, Deus (U2), o cachorro que foi embora ou a festa de ontem a noite na garagem da visinha. Isso, as que ainda tentam falar de alguma coisa.

Nos últimos tempos a pobreza musical é tal que nada se cria, regrava-se sucessos do passado em novas roupagens mas despidos dos significados que deram àquelas músicas utilidades de hinos de gerações rebeldes. Triste e pobre humanidade, que assiste cabisbaixa ao seu último herói, o rock, morrer sem mudar o mundo. Tristes ouvintes paulistanos que vêem mais uma das outoras rádios rock, caírem vítimas da perversão da popularidade.

Em pensar que os ritmos nasceram para serem uma manifestação, o fim da guerra (War Piggs - Black Sabbah), o amor ao próximo e a este mundo (Imagine - John Lennon), ou até mesmo o lamento de um povo inteiro, como o Blues em suas origens. Todos pervertidos pelo dinheiro, pelos blockbusters. Todos os anos nascem e morrem uma centena de bandas com um único sucesso rítmico e nenhuma mensagem, The Verve, New Radical, Link Parking etc.

Para os que não sabem, o blues nasceu dos escravos norte americanos. Lá, como os de cá, eles faziam após o dia de trabalho uma roda e batucavam. Batucavam lamentos, homenagens aos deuses deles, batucavam festas em dias mais alegres, mas o senhores de engenho por lá, diferente dos de cá e já paranóicos, achavam que naqueles batuques poderia haver a comunicação entre os escravos de outras fazendas, eles poderiam estar levantando um motim! Poderiam também estar invocando maldições para seus deuses combaterem o homem branco. Sem pestanejar, aqueles senhores de engenho trocaram os batuques por violões com os escravos: "querem tocar algo, toquem este que eu conheço", aqueles escravos então acharam o som das cordas algo sem alegria, sem rubor, e fizeram dalí um som triste, um lamento, pelos seus dias, sua condição, e sem querer, criaram o blues, o Jazz e uma alegria para uma geração inteira, mais feliz, por viver num mundo onde o povo parava de trabalhar para batalhar por seus direito e que tinha um fiapo de generalidade para dar ao mundo, bem diferente dos dias de hoje, infelizmente... 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Overthinking: Divagações sobre ficção cientifica

Assisti recentemente a dois filmes que sempre fascinaram, não só a mim, mas a meus pais, duas franquias históricas: 007 - Cassino Royale e Missão Impossível 3 e algo que une os dois filmes é a forma "pé no chão", com que suas histórias foram construidas.


Sem entrar no mérito da questão dos vilões, que de doidos megalomaníacos que queria conquistar o mundo, viravam chefões de cartéis e do mercado negro de armas/diamantes/petróleo e até, exploração da bolsa de valores. Acredito que pelos menos estes vilões evoluíram como forma de atender a anceios de um público mais maduro, menos ingênuo do que eram nossos pais, tantos nossos aqui da américa latina, cegos pelas ditaduras militares, que julgavam que o mundo, de fato, se dividia entre bons e maus e forma simplista, como também enxergavam nas evoluções tecnológicas coisas bizarras e impossíveis, e de tão impossíveis, adequadas para os filmes. Hoje, as pessoas querem que haja ordem cronológica na ação, que os vilões sejam, de preferência, tão vilões deles expectadores, quando do herói: terroristas, oriente médio e subnutridos de países subdesenvolvidos!

Mas além destes aspectos sociais, o que eu quero mesmo falar, são os aspectos tecnológicos: no passado nos deslumbrávamos com as tecnologias usadas nos filmes: mochilas voadoras, relógios com raio laser  computadores portáteis e anéis "de brucutu" que eram na verdade mini câmeras fotográficas. A tecnologia era muito mais mágica que real naquele tempo. Lembro de um episódio, de 007 onde o Sean Connery vira o rádio de seu Alstom Martin e o transforma num radar com GPS! Meu Deus, imaginem radar num automóvel?! Mágica!


Nos filmes recentes da franquia, a tecnologia por outro lado, a cada filme, fica mais natural e menos fantástica. No último 007, o Cassino Royale, o herói passa o filme todinho com tecnologias possíveis e existentes, com alguns exageros, mas aqueles Sony-Ericsson todos fazem realmente as peripécias que o herói usa: comunicador, internet, rastreador por GPS, tudo na real. No último Missão Impossível então, cada uma das três missões de resgate foi mais simples que a anterior. Numa época de milhares de recursos à disposição, é na simplicidade e na engenhosidade que os roteiristas buscam inspiração, uma vez que nem mesmo eles sabem mais, quando a tecnologia existe ou é impossível e eles podem soar ridículos aos olhos da sociedade.


Como definiu muito bem meu amigo, que substituiu o rádio de seu carro, que foi roubado, pelo seu W810i que vem com caixinhas de som: "O que era mirabolante naquele tempo, já está disponível nos celulares mais pé de boi de hoje". E assim sofre nossa ficção, que se não for com algum humor, como "O guia do mochileiro das Galaxias", a tecnologia futurista está cada vez mais difícil de ser adivinhada  pois sempre descobrimos que ela já existia ontem, aquela que escrevemos para a ficção de amanhã.



Texto original de 5 de maio de 2006 


Num segundo tema:



terça-feira, 4 de junho de 2013

Overthinking: Futebol de rua

1. A BOLA
A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do irmão menor.

2. O GOL
O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola e até o seu irmão menor.

3. O CAMPO
O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e, nos grandes clássicos, o quarteirão inteiro.

4. DURAÇÃO DO JOGO
O jogo normalmente vira 5 e termina 10, pode durar até a mãe do dono da bola chamar ou escurecer. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia.

5. FORMAÇÃO DOS TIMES
Varia de 3 a 70 jogadores de cada lado. Ruim vai para o gol. Perneta joga na ponta, esquerda ou a direita, dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque.

6. O JUIZ
Não tem juiz.

7. AS INTERRUPÇÕES
No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada em 4 eventualidades:
a) Se a bola entrar por uma janela. Neste caso os jogadores devem esperar 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação.
b) Quando passar na rua qualquer garota gostosa.
c) Quando passar na rua alguma mulher gravida indo para a maternidade  ou  a mãe (pessoa muito legal) do cara que é o dono da bola
d) Quando passarem veículos pesados. De ônibus para cima. Bicicletas e Fusquinhas podem ser chutados junto com a bola e, se entrar, é Gol.

8. AS SUBSTITUIÇÕES
São permitidas substituições nos casos de:
a) Um jogador ser carregado para casa pela orelha para fazer lição.
b) Jogador que arrancou o tampão do dedão do pé. Porém, nestes casos, o mesmo acaba voltando a partida após utilizar aquela água santa da torneira do quintal de alguém.
c) Em caso de atropelamento.

9. AS PENALIDADES
A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar o adversário dentro do bueiro.

10. A JUSTIÇA ESPORTIVA
Os casos de litígio serão resolvidos na porrada, prevalece os mais fortes e quem pegar uma pedra antes...

Overthinking Back to the future

And you thought I would let the date go blank, right? We arrive and go through that moment where the three "Back to the Future" fi...