quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Windows RT (23/07/2017)

Windows RT (23/07/2017)

Faz um mês que estou quase que só o Surface 1. Tenho também um tablet android 4.0 da Samsung, que roubei do meu pai, um iPod Touch 1, com iOS 4.1, e um Windows Phone 10. E como foi até agora.

Primeiro, o surface é mesmo lindo, leve, e esta é só a versão 1, com Windows RT 8.1 SP 3. O hardware é confiável e o teclado é ótimo.

Mas... Não é só uma questão do Windows RT dar sinais do tempo. Ele está datado, tem pouca coisa na loja que sirva para ele, embora devo dizer que das três lojas, Apple, Google e Windows, os preços da Windows Store são ótimos, e é a unica loja que vende seriados no Brasil.

Eu sei, sou um imbecil por pagar por seriados, "baixa do torrent", todos me dizem. E eu digo: pensem nisso quando reclamarem de corrupção... Eu compro seriados, e musicas, e video clips, e filmes. E só baixo torrent se for impossível achar no brasil por alguma razão...

Agora, voltando ao surface. Não se trata só do peso da idade, como eu dizia. Certo que alguns sites já não rodam bem no IE. E não da para outro navegador. O Office é ótimo, as coisas no modo desktop funcionam bem. Mas são poucos programas.

Agora, o pior mesmo é que a própria Microsoft não suporte o Windows 8.1 RT. Quase não há nada da microsoft na loja dela própria. E o que tem ja não roda em Windows RT.

Não deveria ser um surpresa, já que desde os tempos do Palm, a Microsoft lança OSs incompatíveis com as versões anteriores desses OSs...

Não é diferente que a própria Apple vem fazendo. Antes, o iPhone aceitava de tudo, de repente, eu preciso de novos iPhones para fazer o mesmo que eu fazia antes.

Olha que não me faltam iPhones: 3, 3GS, 4, 4S. Hoje, todos distribuídos entre familiares da minha esposa, pois para mim mesmo, não servem. Os que rodam whatsapp: 4 e 4S, em ambos, não a última versão. Ubber, era só no 4S, pages também.

Mesmo assim, o iphone 4S só chega ao iOS 9, e já há um mundo de coisas incompatíveis com ele.

Obsolescencia programada define Microsoft e Apple. E também, por culpa dos fabricantes, que não atualizam seus devices, o Android...

Estamos lascados.



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Windows RT update (5/7/2017)

Windows RT update (5/7/2017)

Pois eu comprei um Microsoft Surface Windows 8.1 RT. E devo dizer, estou muito feliz com ele. Ele é realmente leve, sexy, o teclado da Smartcover é mágico, preciso e com trackpad de mouse com dois botões.

É como um iPad, mas com mais recursos, que lhe faltavam, e todos sabem: saída USB, entrada SD Card, teclado não bluetooth, (adaptador OTG), a capa teclado do Surface tem um conector e imãs que o fazem funcionar, e não me proibem de usá-lo em aeroportos e aviões, e com um quick-stand, uma ranhura na parte trazeira que faz a tela ficar na posição de um laptop, sozinho, sem precisar capa para isso.

Para ter esses mesmos recursos num iPad, eu precisaria de um adaptador OTG que fosse reconhecido pelo iPad (ainda não achei um que fosse), tanto com porta USB como leitor de cartões, uma capa para fazê-lo para de pé, e um teclado bluetooth, a menos que fosse o iPad pro, que usa o mesmo conector do surface.

Como o Surface ainda tem saida Micro-HDMI padrão, também esses dois dogles seriam necessários para empatar as funções dos dois aparelhos. No final, parq usar um iPad como computador, você leva também uma sacola de cabinhos, brancos, caros, e frescos, que mesmo originais em algum momento vão te falar: dispositivo não compatível com esse device.

Para falar do Windows RT, ele não é bom. É a segunda tentativa da Microsoft de justificar um Windows mais barato, sem fazer quem pagou pelos outros Windows ficar chateado (#chatiado). A primeira foi a Starter Edition, que só permitia três programas em execução ao mesmo tempo. A segunda, o RT foi feito para rodar em preocessadores de celular, e só se instalar programas nele pela Windows Store. Na época nem a Microsoft usava sua própria loja, e para diminuir a rejeição, esses windows vêm com uma licença full do Office já instalada no Windows.

No terceiro e último grande update que instalei nele, ele emula uma interface do windows 10 agora, mas ainda é uma versão 8.1 incompleta que roda por baixo.

Nele não deu para instalar os programas da Stratasys, como havia previsto, mas o 3DBuilder da Microsoft é um app universal! Roda no windows desktop, tablet e celulares! A Autodesk também caprichou, de novo, e tem vários apps universais disponíveis: Circuits, CAD 2D, visualizadores.

Então, em resumo, eu tenho um tablet que se comporta como laptop, com office completo, com aplicativos para 2D, 3D e programação (na loja tem um até para arduino, imagina, programar um arduíno desde seu tablet!). É obscenamente leve e tem conector magnético de carga, dando mais proteção ao aparelho. Ah, e da para colocar um mouse nele!

No final, com os 128Gb que ele oferece, 64 nativos e 64 no SD Card, eu fico chateado de não poder instalar o Insight nele, mas por outro lado, quanto custaria um iPad de 128 Gb mais todos os acessórios que o surface oferece: teclado, porta USB e Micro-HDMI, e no iPad eu ainda não poderia ter o Insight, ou outros programas CAD, quisá um mouse...

Em comparação com outro 2 em 1, o Positivo ZX3010 que também tive, que adianta ter um Windows completo, com só um terço da bateria do Surface e zero espaço para programas de qualquer jeito? O Positivo vinha com 16Gb de memória, e ainda que tivesse espaço para SD Card, não da para instalar programas no cartão, só na memória principal. Ah, 16Gb é o quanto ocupa o windows 10, pack de idiomas e o Office. Mas sobra espaço pqra o VLC e 7zip, então, uma cópia do windows completa desperdiçada, anyway!


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Windows RT (4/5/2017)

Windows RT (4/5/2017)

Alguém sabe se o Windows RT foi descontinuado? Vi recentemente a tablet Surface da Microsoft com o Windows 8 RT e vi que o aparelho esta bem barato.

Praticamente o mesmo hardware entre dois aparelhos, a versão com Windows RT esta 600 reais e a versão com processador Intel está 3990 reais.

Para o Windows RT existe o Office, mas não tudo que estiver na Windows Store. Tem que buscar por aplicações ARM, especificamente. São os chamados apps universais. No meu caso isso não impede 3DBuild, 3DScan, Paint3D, e como esta no windows store, nem impede Arduíno ou CAD, como tinkerCAD, que roda via browser...

Por outro lado, pelo que demonstrou meu MacBook Air com GNU/Linux Ubuntu Mate até agora, não tenho, nem na loja, estes mesmos programas... Isto é, tenho o Blender, mas ainda não consegui instalar nem o Cura, nem o Repetier, nem o MakerBot Desktop...

Ao menos o Surface RT tem Saída micro-HDMI e teclado na smart cover. Mas não instala o Insight, nem o Objet Studio e muito menos aplicativos da MakerBot. Mas é barato, leve, sexy, com uma porta USB, e tela de toque.

O Positivo ZX3070 tem um hardware parecido, 300 reais mais caro, e roda uma versão completa do Windows, mas é positivo. Até da para instalar o Office, Insight, Objet Studio, se o espaço em disco permitir e ele é exímio, mínimo, pouco, muito pouco. CAD nem pensar, se não for pelo TinkerCAD, que elas por elas, também roda no Windows RT.

O MacBook corre por fora, 64Gb de disco tem pouco espaço, apenas as aplicações MakerBot têm compatíveis com o MacOS, mas o MacBook Air é pesado, pouco prático e esta com o teclado quebrado. De bom mesmo, nada. Tem uma saída DVI que me obriga a ter um adaptador VGA, um HDMI, e o mesmo par de adaptadores para o iPad. Cabo de força, pendrive, HD externo, adaptador para SD Card, e minha mala pesa 20 toneladas. Para carregar algo leve. Sem mencionar o adaptador USB-Ethernet...

Estou pensando muito no Microsoft Surface RT, mesmo datado, parece ter a melhor relação custo benefício. Ao menos para este curto capítulo da minha vida, de trabalhador e palestrante.

Mas não sei. Só sei que nada sei...




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terça-feira, 18 de julho de 2017

4 - Meu smartphone quebrou

4 - Meu smartphone quebrou

Então meu telefone quebrou. Na Argentina, na minha segunda semana de residência no país estrangeiro. E sem chance que eu gastaria dinheiro em um novo telefone celular neste país. A Argentina é uma forma cubana da tecnologia, Chega muito pouca coisa de fora, por valores muito acima que la fora.

Até tem bastante coisa nacional, neste aspécto, acho que há mais opções nacionais de eletro-eletrônicos que no Brasil, mas é um nacional entre aspas, pois aqui como ai, as empresas o que fazem é nacionalizar produtos. Compram os componentes fora e os montam aqui. E num mercado inflacionado como esse, se essa prática é mais barata para empresa, ou se deveria baratear o produto, o fato é que quqndo chega ao consumidor não se nota...

Resultado, tive que me mover para um oldschool dumb phone. Um alcatel que imita um blackberry, para se ter uma ideia de quão velho ele era, ele imita um telefone que já é considerado velho em todos os outros países do mundo, e até na Argentina!

Logo de início, a frustração de não ter whatsapp que me isolou do pessoal do escritório, dos meus alunos e da minha família. O primeiro dia deu uma depressão. O velho dumbphone não fazia nada, o API do twitter já näo conectava mais, o do facebook também näo. Ambos em Java, e só navega em 2G.

Mas logo comecei a procurar sobre meu telefone na internet. Vantagens do tempo extra de nãoficar checando o facebook a cada dez minutos. Achei como atualizar o java, o API do facebook, e como baixar o opera, que faz milagres em 2G. Estava, lentamente, de volta ao mundo.

Depois reparei outra coisa. Quatro dias sem carregar o aparelho, até que ele reclamou que que a bateria estava baixa. E não se enganem, na argentina as pessoas se ligam o tempo todo, sem motivo particular. Apenas ligam umas para outras, para perguntar algo, avisar que vão passar para "uns mates", ou contar algo que qconteceu. Às vezes, sem motivo algum até.

Foi estranho voltar a usar um telefone para falar, com bateria duradoura, e sem apps, com exceção do facebook (do twitter não achei atualização).

Por fim, voltando ao brasil, ainda em Buenos Aires e prestes ao purgatório que são os aeroportos, minha esposa me liga: "não esqueça de desligar o telefone para ter bateria, ah, você não precisa, você tem o super telefone!". Foi legal ouvir isso.

Dos "smarts", sinto falta do whatsapp. Mas para falar com minha família eu tinha o Facetime no computador, tinha o skype para falar com meu colegas do trabalho e colegas que precisem de um conselho ou ajuda sobre impressoras 3D, tive até o messeger do Facebook, que ajudou muito, no laptop.

Logo, o app do whatsapp não fez tanta falta. E sabem o que? Em São Paulo, para usa o Ubber, tomar um café na Starbucks ou usar o GoogleMaps, eu volto para um smartphone, mas aqui, na Argentina, acho que volto para o dumbphone, e volto feliz.

Update: mesmo quase indestrutível para os padrões atuais, o mesmo pentelho que quebrou meu telefone Smart, conseguiu quebrar o dumbphone... Pais, além do conselho universal "não empreste ou deixe ao alcance do seu filho o seu celular", o que mais da para fazer? Ele parecr um demônio da tasmânia numa loja de porcelanas, mas é furtivo como um ninja para pegar suas coisas, o máximo que da para ver, é quando ele sai correndo com algo nas mãos, mas aí é tarde...


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quinta-feira, 13 de julho de 2017

7 viagens

7 viagens

Viajar para um lugar tranquilo para criar meus filhos só me rendeu, de definitivo, até agora, viagens mais longas e mais frequentes.

Para cada pequena coisa, se realiza uma viagem. Para a cidade ao lado norte, para comprar vegetais mais baratos, para a cidade ao lado sul, cuidar dos documentos, para capital, cuidar de outros documentos.

Felizmente venho de uma vida, 17 anos, num trabalho de campo, acostumado a viajar. E se há algo que aprendi com essas viagens é que, diferente do que diz Douglas Adams, leve sempre, sempre, fones de ouvido. Você nunca sabe quando numa viagem de cinco horas, você estará lado a lado com alguém com um bebê. Ou alguens. Ou o bebê é seu.

Não importa a situação, eu asseguro, um fone de ouvido no momento certo já preveniu mais homicídios que qualquer programa de desarmamento do governo.

Não só contra bebês, no fundo eles mal tem culpa de aborrecerem, não é como se fizessem de propósito. Mas tem cada adulto ainda mais chato qur um bebê, que vou te contar...

Outro dia fui a capital, cinco horas de ônibus, com um par de paraguaios a alguns acentos atras. E eles falaram alto, em sua liguagem mista de castellano e guarani, a viagem toda. Todinha.

Eu tinha fones de ouvido, mas acordava cada vez que algum album acabava e o silêncio dos fones me permitia escutá-los. Quase deu saudades do choro permanente do meu filho... Quase...


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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Overthinking Akira (e Ajin, Blame!, Knights of Sidonia, Ghost in the Shell)


Esse texto pode não fazer muito sentido. Por um lado, o filme também faz pouco sentido, então ninguém deve ficar muito chateado.

O filme aborda a gang do Kaneda, uma gang de motoqueiros que passam o tempo brigando entre si, arrumando encrenca e consumindo uma certa pírula, sabe-se lá de que, seguramente ilícita. Em meio a essa história, Neo Tóquio, que para variar foi arrasada por uma bomba nuclear em 86 ou 88, está ainda se reconstruindo, ou melhor, em ruínas, tanto fisicamente quanto espiritualmente. A cidade é governada por um conselho corrupto, as manifestações contra novos impostos e por melhor educação terminam em repressão severa pelo governo. Mais ou menos como nossos países Argentina e Brasil, sem terem levado uma bomba atômica sequer, estão hoje...'

Ah, além disso, claro, há algo como super humanos. Criados por uma junta do governo. E difíceis de se controlar. Basicamente o governo queria descobrir como ampliar as capacidades humanas, por drogas e tratamento alternativos, para dizer o mínimo, e supostamente, três casos deram certo. Três crianças muito feias.

A história só engata mesmo quando Kaneda e sua gang, entre brigarem com outras gangs e fugirem da polícia e evitar manifestações que fecham as ruas, acabam tropeçando em meio a uma das crianças poderosas que estão fugindo do governo. A criança é recapturada e com ela, o governo leva um amigo do Kaneda, supostamente para atende-lo por seus machucados, mas em realidade, para provarem uma droga ainda mais forte que aquela que produziu as próprias crianças.

Kaneda então descobre que há em meio ao povo um grupo rebelde contra o governo, que desconfia que existam essas experiências, e para se aproximar de Rey, de quem se enamora, e para resgatar seu amigo, se une a eles.

Ainda em paralelo, descobrimos que há um lugar ou pessoa chamado Akira, que à princípio todos tratam como mítico, mas logo a história nos mostra que se trata em realidade de uma quarta super criança que morreu no passado, por ser incapaz de controlar os poderes que possuía. É a partir de estudos do corpo do Akira que se desenvolve a droga aplicada a Tetsuo, amigo de Kaneda.

Desde o início o filme mostra que a sociedade toda era uma panela de pressão, e não demora para tudo ir para o inferno. O conselho tem sua máscara usurpada, revelando os corruptos, conforme as crianças e o Tetsuo vão fugindo ao controle dos militares e tudo termina numa perseguição ao Tetsuo que tem os poderes, e a capa, de um Sayajin, voando pela cidade, subindo ao espaço e criando campos de força ao seu redor. E se Tetsuo é um Sayajin ao estilo DragonBall, Kaneda é o JJ de Zilionk, mulherengo, super confiante, com deficiências claras em muitos setores, compensadas por seu grande senso de justiça e de lealdade aos amigos.

Kaneda, que havia a essa altura tornado-se quase um coadjuvante mostra a que veio. Pois ainda que Tetsuo seja capaz de destruir um satélite no espaço, ele sempre pega leva com seu amigo. Mesmo explodindo de raiva e mostrando-se ingrato e furioso, podendo destruir seu amigo com um só toque ou piscar de olhos, Tetsuo se detém, e isso vai dando ao Kaneda uma aproximação que ninguém mais teve.

A história toda culmina com as crianças usando o poder de Tetsuo e os seus para trazerem a Akira de volta a vida, logo, a soma do poder deles é tanta, que dá início a um novo Big Bang, criando um universo paralelo ou uma outra realidade, habitada inicialmente, por Akira, as três crianças e Tetsuo.

Com o poder que possuem, e a personalidade distinta que possuem, não é difícil imaginar que uma nova dicotomia irá surgir, com uma força criando e uma forma deformando e destruindo. Que Akira e Tetsuo logo serão deus e o diabo de suas novas realidades, não sem antes criarem um universo e vida, a imagem daquilo que eles próprios conheciam e já foram um dia. E que um dia, nesse universo, logo tudo se repetirá... E um novo universo irá surgir, de dentro do universo surgido de nosso universo que veio de algum outro universo...

De certa forma, todas esses universos dentro e universos podem conter todas as histórias japonesas possíveis, praticamente. Talvez os Ajins sejam um projeto que deu errado em alguma escala. Talvez Ghost in the Shell seja o futuro depois da quarta destruição de Tókio causada por Tetsuo e Akira. Talvez a alma humana saia da carne e migre para a tecnologia de vez, nos levando para o futuro de Blame!, e os humanos ainda humanos tenham fugido para o espaço, criando diferentes realidades, Macross, Knigths of Sidonia. Isso só prova que Elon Musk estava certo, provavelmente, e que estamos mesmo vivendo em uma realidade simulada, ou alternativa, e que nós com certeza não vamos ser tão egocêntricos de achar que somos a primeira realidade a criar tudo isso, né?

Talvez cada um desses futuros seja um dos distintos universos dentro dos universos, mas acho que Ghost in the Shell é um prequel obrigatório para Blame!, onde nos perdemos cada vez mais dentro das máquinas, até que nos perdemos das próprias redes em que criamos, e singularidades como o projeto 2105 iniciem uma nova era, e o que restou de nós, em cascas metálica-orgânicas, se torne pária do próprio mundo que um dia nos serviu, e ainda acreditando que são humanos como somos nós, ou como já houve alguma vez... Aliás, em Knights of Sidonia, na segunda temporada, os personagens assistem a um trailer de Blame! (som de inception explodindo alto!!)



E tudo começa aqui, em Akira...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Un brazuka en Argentina: Diário tres




Os argentinos têm trauma com dinheiro. É patológico, daria uma tese. E o início desse trauma vem de 2001, quando um dólar e um peso se separaram em valor. Para saber mesmo, o que foi isso, você precisa ver Vientos de Água. Uma co-produção Espanha-Argentina, que retrata dois tempos em paralelo: os fugitivos da guerra civil espanhola, vindos para a Argentina, e os fugitivos do curralito que foi 2001, com a quebra do país, que já dura uns 17 anos.

Enquanto o seriado marca bem o que foi a quebra de um país em 2001, ele precisava de um prólogo, para registrar as feridas que ficaram no país. Aqui tudo, praticamente tudo, é negociado no dinheiro. As pessoas temem os bancos, e os comerciantes mais, temem ter o dinheiro a receber dos cartões levado pelos bancos quando eles saírem do país, como se isso fosse acontecer amanhã ou depois.

Os argentinos também ainda amam os dólares, como quem nunca esquece uma ex-namorada. Mas aqui a coisa chega a ser meio sexual. Em parte, as casas e grandes aquisições do passado, feitas em "um peso um dólar", ainda são negociadas em dólares, ninguém quer perder o valor que pagou, mas ninguém consegue vender nada, com o dólar a 16 pesos cada, nunca foi tão distante a paridade do peso ao dólar, e nunca se ganhou tão pouco por aqui.

Agora, em outra parte, o Argentino do interior não aceita trocar qualquer nota de dólar. Ela não pode ter escritos, micro-rasgos nas bordas, manchas, carimbos (mesmo que bancários), nem estarem amassadas, nem serem de baixo valores. Apenas notas perfeitas como tiradas das gráficas. A regra se estende por alguma razão aos reais. Em contra partida, por vezes é difícil diferenciar uma nota do peso de um papel de pão, de tão amassada, escrita, rasgada, rasurada, molhada e secada, que esta.

Ou seja, não apenas ninguém aceita cartão, mesmo que seja débito, se te colocar uma taxa absurda (taxa da operadora do cartão, mais o risco de que os bancos partam a qualquer minuto do país, de novo), como também não aceitam qualquer tipo de nota. Se acentuarmos a equação com uma inflação galopante,  não é difícil você sair de casa com uns 1000 pesos, e voltar com duas bolsinhas de produtos e sem dinheiro algum... Ou ainda, passar aperto tendo dinheiro, pois a única nota que você tem, de dólar, está com um carimbo parcial do banco, que quase pode-se ler "contado mecanicamente", ou seja, alguém passou uma fita num bolo de notas, e parte do carimbo pegou, resvalou, sobre a primeira das notas, que veio justamente, parar na minha mão.

Não são tempos fáceis para o Argentino... ou um brazuka en Argentina.