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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Corrupção e ironias


Laura não nasceu na Terra, não é, portanto, terrestre, mas não é, por isso, menos humana. Os terráqueos sempre acharam que o termo humano se referiria apenas à eles, quando na verdade, pode ser traduzido de qualquer idioma, para a mesma definição que a terrestre, seja ela qual for...

Laura nasceu em Kepler B612, como o chamamos aqui na Terra, ainda que lá eles chamem seu planeta como quiserem e ignoram que ele possa ter outro nome em outro lugar que não aquele que demos a ele. Aqui, se dizia na época, chama-lo de Terra 4. Capaz de sustentar vida humana, diziam, talvez até tenha sua própria vida, diziam.

Laura vem de um povo que também busca por outros mundos habitáveis, eventualmente até, habitados. Uma busca conduzida por idealistas, financiados por pessoas com seus próprios interesses, é claro.

Não se enganem, na Terra de Laura também há corruptos. E corruptores. Em sua cidade mesmo, todas as obras são super faturadas, terrivelmente. Inegavelmente. À menos, é claro, aos olhos da lei, que é também, invariavelmente, corrupta.

Acreditariam vocês, por exemplo, que sua cidade hospeda o maior porto do planeta? Uma obra faraônica, capaz de receber mais de cem navios simultâneos, feita com tanto concreto que os documentários de sua construção comparam sua massa à de suas luas, somadas? Uma obra que emprega mais de 1000 homens, apenas para manter as luzes acesas e as coisas funcionando? E seria, apesar de uma incrivelmente cara, uma obra linda, não fosse o fato que nem ao menos um rio passe pela cidade dela, quem dirá, um mar por perto...

Na época, o prefeito Paulo alardeava que era uma obra para o futuro, para prevenir o aquecimento global, que quando os mares chegassem a subir, a cidade já teria sua própria renda. Milhares de protestos ocorreram contra a obra, e outros milhares à favor. Quando um mandato acabava, o próximo político, que ganhou atacando a obra, decidia por continuá-la, pois seria mais barato que destrui-la. E da-lhe protestos.

A obra, é claro, virou sinônimo de roubo, "fazer o porto" significava roubar a olhos vistos. Terminar em porto, significava que acabaria impune. E lá estava o monumento ao desperdício, com seus funcionários concursados, todos familiares de algum político ou membros de algum partido, fingido que o porto não era com eles...

Ironicamente, o aquecimento global de fato destruiu os polos, subiu os níveis dos mares e o porto, quase 100 anos depois era de fato, útil, não fosse o detalhe de todos os humanos de lá terem morrido direta ou indiretamente pelas mudanças climáticas que eles próprios causaram. E assim, quando o porto foi um porto, não havia mais ninguém la para aproveitá-lo...

Talvez seja uma ironia da vida, talvez seja que por que os habitantes fe Kepler B612 eram apenas, você sabe, humanos...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Capitão Literótopo e a fragata Décima


Capitão Literótopo, um pirata, corsário, mercenário e um romântico inveterado, partiu sem destino com sua tripulação fiel, para cruzar os mares, com a graça de Uinen, o Senhor dos Mares Calmos. Seu objetivo era curar um coração partido, deixado um amor para tras em Xangrilá, e encher os bolsos de ouro, se a sorte estivesse à favor.

Mas como nem todo dia a paz é possível, não havia se passado uma só semana de navegação, e o navio se depara com um terrível polvo gigante, também conhecido por Kraken. A batalha feroz contra a criatura faminta custou parte da vida de sua tripulação, praticamente todas as balas de seus canhões e um retorno antecipado para o porto de Xangrilá, para reparos, gastos, sem nem ter a chance de abastecer-se com alguma mercadoria para vender. Uma pena.

Acompanhe essa história em: http://www.instagram.com/e2campos

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Conto: Perseverança


Ele tinha ido receber seus caraminguás, sua parte pelo trabalho da última noite. Até chegou bastante eufórico para receber seu dinheiro mas a alegria acabou logo ao receber o valor, vinte e cinco reais! O dinheiro que tinha que dar para o mês todo não chegaria até a quarta feira... Sentiu-se incrivelmente desiludido, como se um balde de água fria lhe fosse jogado na cabeça.

Após receber a grana ficou sentado na calçada, triste, se perguntando para que tinha virado a noite, passando dias e dias ensaiando, para ganhar vinte e cinco reais? “Ninguém merece!” Cansado de ficar sentado, resolveu voltar para casa. À pé. Queria poupar-se da cara passagem do transporte, afinal o pouco que tinha não era para distribuir.

Foi para casa sentindo-se derrotado, mais até, um bobo, alguém cujo talento foi furtado, usado para entreter a troco de comida. Passou a noite pulando feito mico amestrado, passou anos e anos de dedicação devocional aos ensaios e estudos, para quê? Para no fim ter apenas vinte e cinco pilas? Vinte e cinco!?

Lá pela metade do caminho parou novamente. Bem no meio da calçada. Parou e, no meio da calçada, olhou ao redor: prédios, pessoas, carros apressados, vendedores ambulantes, um ou outro vagabundo... Como pôde acreditar em tocar para o mundo? Em mudar o mundo? Não se conformava com a própria ingenuidade. No seu próprio bairro ninguém o reconhecia. O próprio cachorro já o estranho uma vez!

Ele queria poder dizer a todos que estavam lá, vivendo o mesmo dia, dia após dia: “Estúpidos, vocês não precisam viver submissos! Façam o que gostam, vivam seus sonhos! Parem de viver para ter, vivam para fazer!”, apesar de gostar da própria frase, quase vê-la numa Veja São Paulo da vida, era mais para ele mesmo que berraria, uma busca por argumentos para se convencer que fazia o certo, que estava na trilha certa, uma busca por superar a vontade de largar tudo ali mesmo, deixar sua vida de músico e viver de engraxar sapatos, entregar jornais e ajudar em mercearias, talvez um dia chegasse ao caixa se trabalhasse bem!

Chegou em casa e, sem olhar para sua guitarra, deixou a grana no quarto, iria mudar de vida naquele dia. Foi ajudar seu pai com o trabalho e iria tratar de arranjar uma escola técnica qualquer e se tornar um profissional mediano. “Talento pra que? Para receber vinte cinco mangos? Tô fora.”

Já ia passando pela cozinha rumo ao quintal dos fundos quando ouviu sua mãe chamando-o: “Hei menino, tem telefone pra você!”

“Essa agora”, o resmungo inevitável veio-lhe à mente, “só falta ser alguém da banda justo quando eu estou saindo”. Nem perguntou quem era, latiu seu “alo!” a quem quisesse ouvir... Mas o que ele que foi o surpreendido com o que ouviu do outro lado;

- Oi? É com você mesmo que eu queria falar. É com você que marco show, né? Aqui é do Morrison. Cara, te achei um gênio! Amei as letras, a música, as bandas, as covers, “Come Together” ficou simplesmente linda... Escuta, se vocês estiverem com a agenda livre, não gostariam de tocar lá na quinta? Topam? Sério? Beleza, tá combinado então... Bilheteria integral, claro! Aquele abraço! Ah, e meus parabéns, vocês tocam muito...

É, talvez houvesse esperança. Seu pai ainda perguntou se ele lhe procurara, mas ele negou, tinha muito que ensaiar tinha um mundo todo para tocar com sua música e, se não desse para mudá-lo, deixar sua marca já era inevitável...

E assim o dia ficou mais leve e ele mais entusiasmo. A única coisa que ele nunca entenderia é, como aquele cara do Morrison tinha chegado à eles? Ele, pelo menos, nunca mandou nada para lá!

PS: essa já foi uma crônica para uma banda chamada Virthua, hoje é para a banda Thrills and the Chase. A ideia é a mesma. 

25/08/03

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Conto: Tom de branco

Não sei dizer quando tudo começou. Dentre os móveis de casa, nenhum era particularmente branco. Mas o que comprei da loja de design para pobres era o menos. Ou não, ele era branco. Na loja. Em casa, ele não transmitia nenhuma outra cor além do branco, não era cinza, nem bege, nem gelo, nem baunilha, apenas não era branco o bastante. Dane-se, pensei...

Comprei cera um dia. Essa de polir móveis com flor no nome. Quando o móvel ficou do meu agrado, fiquei orgulhoso, foi uma hora lustrando o filho da mãe, mas valeu. Suado e cansado, olhei para o resto da casa. Dá para melhorar, e limpei a casa, do chão ao teto. Quando saío do banho e prendi as luzes, me dou conta da merda que fiz. Tudo estava um tom mais claro, e o móvel, o rack da TV, um tom mais claro à menos que o resto. Minha vontade era de queimá-lo ali mesmo, mas as nove prestações por pagar me impediram. Quem viu diz que a luta entre elas e eu foi uma batalha campal. 

Voltei para casa, no dia seguinte, com a solução: um filme plástico adesivo. Branco atômico, dizia a embalagem. Revesti o pedaço de estrume o melhor que pude. Foi tanto tirar de livros e arrastar de móveis, que fui notificado pelo condomínio por deturpar a paz. Até o vizinho de cima reclamou. E o resultado, ao menos, ó, uma bosta. 

Tinha que ser a luz da janela, um reflexo, algo. Chego no dia seguinte com quase um quilômetro do mesmo plástico. Desta vez cubro todos os móveis do mesmo tom. E parte do piso. E as paredes. Minha mulher a ha que fiquei louco. O síndico me manda uma multa. O móvel ainda brilha de forma díspare. Não é o branco mais, parece que Escher desenhou essa merda. Nada pára alinhado. As sombras tão erradas quanto um conto de Lovecraft. 

Falto ao trabalho. Desmonto o móvel. Monto. Pinto. Lixo. Plastico. Tiro tudo de novo. Nem ouvi a campainha ou minha esposa, ou o telefone. Arrumar aquele móvel, a droga daquele móvel, que me olhava e me provocava era tudo que importava. 

Já faz três dias que estou aqui. É por que eu quero. Crise de nervos que nada. Aqui tudo é realmente branco, acolchoado e branco. Tudo finalmente esta em paz. Isso é, se ao menos eu pudesse dar só uma polidonha na cabeceira dessa cama, mas ninguém me deixa tirar essa camisa...

domingo, 27 de abril de 2014

Rompimento

Ao olhar para trás, ela teve a sensação de vê-lo, na sala, onde costumava ficar. Jogado daquele jeito sem jeito com o computador no peito, escrevendo bobagens no facebook. A sala estava escura, sem aquela iluminação pálida do computador, mas também sem a iluminação daquela presença. Só restava a janela aberta.

A janela, aquele único ponto de suas discussões. Ele a queria sempre aberta, sempre com aqueles calores eternos, e ela, bem, ela podia usar um pulôver em Manaus. Apesar de aberta, a cortina mal se movia, uma tênue brisa soprava, fraca demais para inflar, defraudar aquela seda delicada. Um suspiro longo encheu seu peito, enquanto ela se ajoelhava, num gesto de reflexo, sobre o sofá e sua própria perna, como fazia quando ele estava ali ainda. Entre o abraçada e o agarrada à uma almofada, se equilibrava para não invadir aquele espaço. Seu peito pesava dez toneladas, com um sentimento reprimido.

Olhou ao redor, buscando outros sinais dele, mas não havia. Aos poucos, a rotina foi tomando-o dela e dele mesmo. Suas coisas sem uso, iam sendo doadas ou jogadas fora, e ao final de alguns anos, sem que ninguém se desse conta, só restaram as coisas dela pelas prateleiras, mesas e estantes. Gatinhos, porquinho, porta-copos, canetas. Ela. 

Seus livros e discos jogados pela casa, não eram, nunca foram, uma tomada da casa como ele tanto reclamava, mas eram tentáculos dela, espalhados, buscando-o pela casa. Cada caderno e caneta eram como dedos escrutinando pelos cantos, na busca dele. Por ele. Algum objeto dele onde se agarrar.  

Nem isso ela tinha. Só aquela memória reflexo, que a pegou de surpresa e uma janela que representava uma ruptura entre eles, únicos testemunhos da presença dele naquela sala eram simbólicas. Lá em baixo, dez andares para baixo, ele chegava afobado, como sempre fazia, para identificar o corpo dela, ainda quente após a queda...

sábado, 4 de janeiro de 2014

Capítulo 2: Nas cavernas profundas

- Você sabe quem eu sou, não sabe? - A voz era áspera e rouca, como um sussurro forçado por uma boca seca, coberta de areia...
- Não, eu não sei, eu apenas quero sair daqui....
- Você pode sair dos meus domínios, mas jamais tirará meus domínios de você...
- Quem? Quem é você? - a voz de Arthur vacilou de medo e pânico...
- Arthur... Arthur... Arthur...

Arthur abriu os olhos com a sensação de não tê-lo feito. Seu corpo doía todo, foi a segunda sensação que teve. Forçou mover-se e viu que não havia quebrado nada, embora houvesse algo pontiagudo em suas costas, não chegou a ferir mais do que incomodava.

Totalmente cego, a escuridão era total. Qualquer que fosse o buraco ou sumidouro que havia caído, ele deveria fazer um cotove-lo em algum lugar. Foi quando voltou a ouvir... Ouvia a Orthur chamando-o...

- Arthur, você está bem Arthur?
- Orthus, cale-se. Estou bem, bastardo inútil...
- Por mil demônios, Arthur, que susto! Achei que teria que achar comida sozinho, no escuro, de novo...
- Ah cale-se Orthus, foi o vento, foi o vento...
- Você está bem?
- Estou, estou, mas estou completamente cego aqui. O sumidouro deve fazer um cotovelo...
- Então não perca mais tempo aí embaixo, vou jogar uma tocha. Procure pela luz... Vá para a luz, Arthur... Vá para a luz...
- Muito engraçado Orthus, você deveria ser bardo, sabe?

Arthur viu a luz da tocha caindo... Quase apagou com o vento da queda, mas Orthus tinha colocado bastante óleo e a tocha voltou a ter vida após aterrizar. Arthur pôde ver bem onde estava... As paredes pareciam escavadas, e havia uma escrivaninha improvisada nas pedras. Também haviam livros, e um teto alto... O piso do sumidouro fazia um escorregador quase natural, de tão bem polido que a pedra havia sido... E ainda assim, podia-se notar uma escada nas bordas, para facilitar a saída, não era a escadaria de um palácio, mas qualquer um, de qualquer idade, poderia passar por ali.

- Arthur, maldito diabos, achou a tocha? Ou terei que me jogar aí para você vê-la?
- Vejo, vejo sim, Orthus... Já vou subir...
- E que tal é ai embaixo, algo interessante? Ou so cobrimos esse buraco antes que outro idiota caia também?
- Nada Orthus, só folhas mortas e alguns esqueletos de bichos, mais nada...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Capítulo 1: No princípio

A flecha passou zunindo pela orelha do coelho, afugentando ao pequeno roedor.

- Você já foi melhor, não é mesmo, Arthus?
- Foi o vento, Orthus, você sabe que não erro daqui...
- Sei, sei Arthus... 

Mas Arthur e Orthus estavam os dois cansados. Já faziam sete dias que os dois exploravam as regiões das montanhas das colinas escarpadas. A culpa era de Orthus, que colocou arame farpado no travesseiro do comandate do forte...

- Sei que você ainda me culpa Arthus...
- E tenho razão, Orthus...
- Tecnicamente a culpa é do comandate... Ninguém fica duas semanas na dispensa descascando batatas, Arthus, esse comandate sabia o que semeava...

Fazia muito calor, mas como todos os dias, o sol ardido daria lugar a um frio imenso nas noites... Arthus limpou o suor da testa e viu que Orthus o imitava. A roupa de tecido grosseiro, de linha crua, não facilitava o dia, mas era o uniforme dos guardões do forte escarpada... Arthus deu ainda um longo gole no cantil que carregava, ele tinha fome, e olhou ao horizonte, em busca de movimentos de animais entre as plantas. 

- Você sabe por que ficamos duas semanas na dispensa Orthus, foi culpa sua também...
- E você cobriu por mim também...
- Você é tonto demais para pagar penitência sozinho...
- E você tem pouca pontaria.
- Foi o vento...
- Você já foi melhor Arthus...

Em silêncio, os dois entenderam por terminada a discussão. Orthus era mesmo melhor rastreador que Arthus... Silenciosamente, que chegou a surpreender a Arthus, uma flecha percorreu entre moitas e árvores, e terminou em cheio num coelho gordo... Orthus olhou sorrindo para Arthus só para provocar, Arthus sorriu sarcástico de volta...

- Quem não mata...
- ... cozinha! Eu sei Orthus, eu sei... Agora acende o fogo, dormimos aqui hoje. Eu vou lá buscar a caça.

Orthus não gosta de dormir entre as pedras, é pouco abrigado do frio e faz a fogueira ser visível de longe, mas ele estava cansado de provocar o amigo. Os dois eram amigos em Silverstone, desde crianças. Ambos órfãos, Arthus perdeu os pais por doença, Orthus é um bastardo de algum burgo mestre da cidade. "Não importa como chegamos ao mundo, importa o que fazemos nele", dizia sempre Arthus. E os dois tinham uma vida de roubos de comida, outras vezes, trabalhos honestos nos portos carregando ou descarregando os navios. Foi o comandante Beor Notilus que os salvou e os colocou na guarda da cidade, e depois no Forte, onde além de ganharem seus salários, tinham uma vida...

Orthus espantou as lembranças da memória, percebendo que fazia um tempo que Arthus não reclamava de nada. Ele olhou ao redor, procurando pelo amigo, mas tudo que viu, foi uma poeira levantada pelo vento, poeira de pedras movidas de pressa na terra seca. Arthus havia caído em algum buraco, alguma caverna oculta...

- Arthus! Pelos deuses, Arthus!!!



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Prólogo: Os heróis de Zorgoth

A espada zunia no ar conforme os golpes eram deferidos com velocidades impressionantes. A cada golpe, um sangue negro e fétido espirrava para todos os lados, e a criatura, gigantesca como dez homens, estava agora apoiada em seus joelhos e sofria de dor a cada golpe que lhe arrancava a carne. Mas ela ainda estava viva, e não se deixaria morrer, afinal, ela era um deus guerreiro, e estas batalhas estavam em seu coração. Com um poderoso golpe arremessou o homem envolto em latas contra as paredes de seu castelo, com um urro poderoso derrubou ao longe aquele que parecia ser o mago e num pensar ligueiro, dardos mágicos, esferas flamejantes e flechas mágicas, constituídas de ácido puro disparavam contra o pagão do outro lado do salão. Houve explosão e aquele homem também tombou. Havia mais um, mas ele não conseguia achá-lo. Zorgoth, o deus monstro olhou ao seu redor, e esboçou levantar-se, foi quando Otomo, o descendente da raça semi extinta de humanos, vindos do oriente distante, caiu sobre ele, e num berro histérico invocou o poder do dragão e um raio de um amarelo vibrante e poderoso explodiu na cara de Zorgoth, cegando-lhe um dos olhos para sempre, além de qualquer magia, rasgando-lhe o peito e atravessando a coxa de sua perna ainda dobrada pelos golpes de Kraugsten.

Dancan também já havia se recuperado do golpe sofrido e num manear de cabeça, Otomo soube e desapareceu novamente, teleportando-se com sua arte ninja para longe, enquanto cones de gelo, muralhas de chamas e relâmpagos explodiam juntas sobre Zorgoth, tombando-o para o outro lado da câmara. O nariz de Dancan sangrava cântaros pelo esforço, mas ele não poderia cessar de conjurar magias atras de magias, manter a criatura aturdida para os outros poderem matá-lo. Num teleporte e surge sobre a criatura, a dez metros de altura, a tempo de assistir sua localização anterior ser destruída por uma estrela cadente, era a vez de Dancan novamente, e choveram sobre a criatura dezenas de flechas ácidas, relâmpagos, dardos místicos e um poderosa bola de fogo, mas Dancan não tinha tempo de assistir a explosão, e num novo teleporte, surgiu ao lado de Kraugsten, levantando-se de mais uma ressurreição que lhe abençoava o escudo da fênix.

Os danos mágicos não eram nada para Zorgoth além de incômodos, interrompiam seu pensamento e o distraiam, então ele desejou que o mago perdesse todos seus poderes e foi atendido. Desejou a morte do guerreiro maldito, e foi atendido. E ia desejar que o escudo maldito da fênix sumisse, quando um novo raio amarelo e poderoso surgia do chão, rompendo-lhe o couro de seu queixo, explodindo um par de dentes e arrancando-lhe a língua, para sempre. A criatura urrou e assustada manqueteou para trás. Sua poderosa cauda chicoteou o ar de onde havia vindo o golpe, mas era tarde, Otomo já havia sumido dali novamente. Zorgoth contudo não sabia do quanto este poderoso golpe o drenava, e agora ele estava quase morto, ao lado de fora do templo, torcendo secretamente que não precisasse mais usar este poder benção e maldição que possuía.

Dancan sacando pergaminhos mágicos preparados para isto de sua algibeira, desejou seus poderes mágicos de volta, desejou Kraugsten e Incligan o clérigo renovados e descansados como se acabassem de despertar de longas férias, e desejou que a criatura esquece todas as magias que sabia. Então caiu exausto do próprio esforço.

A batalha com a criatura-deus-monstro ainda duraria mais duas horas. Inclingan atacando e curando-se alternadamente aos ataques de Kraugsten e sua fênix, mas eles estavam destinados a vencer e o fizeram. Os mesmos quatro que entraram na batalha contra Zorgoth e seus generais saiam agora, esgotados, mas vitoriosos, haviam salvo os velhos reinos esquecidos, mas sabiam que haviam matado mais um pouco da velha magia ancestral que ainda habitava aqueles reinos. Reinos antigos, exaustos das batalhas e distantes de seus deuses, de uma magia poderosa, mas pouca. Haviam ainda dragões, e Linches, e males, mas eram poucos e pouco interessantes. Havia ainda pelo que lutar, mas não para estes quatro heróis, devotados por toda sua vida a combater e vencer o deus monstro Zorgoth e sua legião de terror, um velho fantasma dos tempos da magia fluente e abundante da terra. Com seu fim, seus acólitos perderiam seus poderes, os monstros que sua vontade mantinha cativos estavam livres, mas desorganizados, não eram mais um exército, e sim um bando caótico, e que matariam a sí mesmos antes de poderem fazer algum mal a quaisquer outras criaturas.

Um ano mais tarde, a batalha ainda era cantada em estalagens e invejada por novos heróis, mas estes heróis épicos, vitoriosos, também haviam perdido algo ali naquela batalha, e hoje viviam reclusos em seus fortes, vendo os dias tornarem-se noites e as noites tornarem-se dias. A chama do desafio havia deixado de queimar sobre seus peitos. Kraugsten chegou a renunciar seu próprio forte e seguidores e foi viver com Incligan. Dancan estava semi louco e paranoico com uma possível volta da criatura e se isolara numa torre gigante e protegida por tudo que sabia de mágicas. As diversas ressurreições que havia atravessado cobravam seu preço e a sua saúde seria frágil para sempre, além de qualquer possibilidade. Foi quando Vectorius surgiu com sua cidade flutuante e ofereceu a eles um novo reino, um novo lar, onde poderiam ajudar a educar novos heróis, um reino que precisava destes heróis, pois era jovem, de magias abundantes e deuses caminhando entre mortais e alterando suas vidas por caprichos tolos. E algo acendeu no peito de cada um deles novamente… Eles iriam para este novo mundo, Arton, conhecer novos desafios, sorver da magia jovem e abundante, começar do zero para, quem sabe, serem importantes novamente um dia.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Capítulo 22: Reencontro

Andy mal pode acreditar na própria sorte ao ver retornar Berta inteira e numa só peça. Se abraçaram com intensidade constrangedora, e tiveram que ser separadas por Flor e Leah, quando os pigarros deixaram de funcionar.

- Estou tão feliz que você voltou, querida!
- Eu também, Andy...
- Eu também estou feliz, meus acólitos - era Dohlet o coqueiro super feliz que saltava sobre os dois que reagiam a gritos de "sai, sai sai...".
- O que aconteceu? O que vocês fizeram? - perguntava Andy
- Isso não importa, - disse Leah - depois te contamos, queremos saber o que Berta tinha para te contar, afinal?
- Leah! Por favor - disse Flor...
- Horas, só expressei o que todos que se lembravam queriam saber...
- Verdade, Berta, disse Andy, o que era?

Berta fechou os olhos, estava algo constrangida se lembrando da surpresa que queria fazer... Anunciar algo assim, na frente de todos? Mas era isso, ela tomou coragem e anunciou...

- Vamos ser pais, Andy, pais de verdade, não pais macacos como os meus, ou quaisquer pais ausentes que sejam os seus...
- Mas como, como? Você não era menino?
- Eu ainda sou tolinho, eu apenas coloquei nossos nomes na lista de adoção, e queria saber se você aceita... Então?
- É claro que eu aceito, é claro Berta! Vamos ser pais...

Houve muita festa e algo de álcool aquela noite. Andy tinha algo de uma erva guardada no bolso, para desfrutar mais tarde... E as quatro garotas e meia e o rapaz que estavam lá sabiam que estavam felizes, o mais feliz que podem ser, num mundo onde nada é impossível...

Do alto, do espaço, além dos horizontes, além da galáxia e deste plano, vagando numa sala de estar que ele inventou para si próprio, Rilleh vagava, feliz com a trama que inventou, com os problemas que causou, e por ter ao seu colo seu Pikathulhu, tirando da Terra para si e por si mesmo. 

Rilleh já não dorme, ao contrário, agora mantém o mundo que criou deliberadamente como está, pois gostou do mundo que viu em seus sonhos, mas melhor que mais ninguém saiba disso, ou que foi Nyannara que colocou em curso o plano para despertá-lo, e que usou o dia terrestre em que Rilleh esteve desperto, para fazê-lo manter o mundo que havia criado em sonho... Um mundo que poderá durar muitos anos agora, ou ao menos, até o filme que parecia que ira começar em sua TV ser tão interessante como parecia ser...

domingo, 22 de dezembro de 2013

Capítulo 21: Arrumando a casa

O corpo de Michel Jackson foi cremado, suas cinzas dadas e comer para um Kafkanian, que foi cremado e servido como ração para pokéthulhus de diferentes partes da ilha. Tudo para evitar que qualquer rasgo de poderes que pudessem trazer Michel Jackson de volta à vida.

- Eu achei que meu Pikathulhu fosse voltar à vida... - dizia Flor.
- Também achei que meus Pokethulhus voltariam à vida, Flor - dizia Leah - mas o importante é que o Louco está morto, e que nossa realidade está mantida.
- Eu sei, como sofri de te ver namorando o Berto... Me ignorando, como era no velho mundo....
- Você acha que sofreu, experimenta ter que namorar o Berto... Eu paguei minhas pipocas naquele cinema.
- Vocês foram ao cinema?!
- Bom, o importante é que tudo acabou,  não é?

E as duas voltaram para a diretoria da Univrsity Muskratonic, onde encontraram com Derleth, Block e Nyannara. Nesse exato momento, a diretora Limlo estava condecorando as duas pela ajuda contra o Louco. 

- Então, o que será de vocês garotas? Vão mesmo abandonar o mundo dos Pokéthulhus e virarem atendentes de banco? - Perguntava Leah.
- Não Lih, vamos ficar. Vamos ficar trabalhando na Universidade, a convite da Limlo! - Block quase saltitiva de alegria - Eu serei professora de defesa pessoal e Derleth vai trabalhar na parte administrativa... 
- Não acredito! Que bom por vocês, dizia Flor, vão ter uma desculpa para usar Tailers todos os dias.
- Sim, e sapatos sociais de salto, dizia Derleth, feliz com a sua realidade mantida, e por continuar próxima de um mundo em contato com os Pokéthulhus...
- Fico feliz por vocês, mas Nyanara, cadê os sapatos que me prometeu? 
- Depois da minha palestra Flor, vão ficar para assistí-la? 
- Não podemos, Berta aqui diz que precisa realmente falar com Andy alguma coisa, e que não pode mais esperar. 
- Então que assim seja, minhas acólitas favoritas, vão e continuem a defender nosso mundo dos perigos que podem trazer a velha realidade de volta, vão e nos salvem...

E sem mais, após alguns dias de muita loucura, e dos riscos da velha realidade voltar, as cinco garotas, bom, quatro e um transgênero, voltaram para New Sunnit. O barco que Flor tinha arrumado seguia na costa, e Flor pode ir contando para Berta todas as melhorias que fez no velho barco. Chegava ao fim mais uma grande aventura...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Capítulo 20: Alea jacta est

Naquela manhã ainda, em todos os jornais, e em todos os dois canais de TV que existiam (e o que você espera num mundo que há tanto por fazer do lado de fora, mais interessante que qualquer coisa que passe na TV), uma jornalista linda, de vestido demasiado curto, e com um corpo escultural, anunciava que os quatro conscientes estavam agora em segurança, na Muskatronic Univrsity.

Não demorou para a notícia chegar até o Louco, que sorria e olhava para Berta ao seu lado, ainda com muita fome e claramente com medo, preocupada... Ele sorriu, e disse para ela, sem esperar resposta:

- E a mim me chamam de Louco? Colocando os tão importantes Pokéthulhus num lugar tão fácil? Logo voltarei a ser o que sempre fui, o Rei.
- Você vai se dar mal, seu maldito. Louco, Maluco, insano...
- Berta, Berta, Berta... Elogios não te levar a nenhum lugar, além daqueles que eu também vou...
- Se eu ainda fosse aquele bullying...
- Você o que? Iria correr para seus pais macacos? Você sempre foi uma garotinha, com ou sem o vestido, você sempre foi uma garotinha, e eu gosto disso em você, me lembra alguém... Alguém muito especial para mim, em Monsters Night... 
- O quê?
- Nada, Nada... Nem eu sei o que estou falando... Vamos garota, hora de irmos...

E num gesto exagerado e teatral, de forma absurda e incrível, ele envolveu a Berta da mesma forma que fez das outras vezes, com o seu braço Téntátônix e então se teleportou, diretamente para o centro da Univrsity Muskratonic, onde um grupo de alunos quase morre do coração com sua chegada. Claro, eram alunos de contabilidade, cuja imaginação já vem morta de berço e, por isso, incapazes de lidar com a realidade dos deuses que sonham. Um aluno morreu uma vez de excitação por ver uma TV ligada.

- Venham de onde estiverem, Pokéthulhus malditos, eu tenho fome!
- Então venha pegá-los, miserável! - Era Leah, ela vestia uma saia que contrariava todas as sensuras e um top ajustado, e num gesto, invocou a uma Kafkanian gritando - ataque de vômito Kafkaniam!

O Louco nem teve que pensar muito, com o poder que absoveru do senhor dos Pikathulhus, jogou a Berta para longe, e deixou o vômito acertar seu braço Téntátônix, e sem reagir ao ataque, já buscou absorver à barata incômoda, mostrando-lhe o peito nu e branco feito mármore... Foi só um segundo e a barata desapareceu...

- Você não pode me vencer, pirralha... 
- Eu não preciso...
- Você gosta de comer, não é maldito? Pois coma isso - era Flor quem gritava agora, e estava de pé, num tailer rosa, invocando ao seu próprio Téntátônix e atirando-o sobre o Louco...
- Eu posso devorar a todos, eu sou invvencível! - Gritava o Louco, esquivando da gigantesca serpente de pedra que caia sobre ele, com uma velocidade supernatural e tentando se preparar para absorver também este deus...
- Sabe, Louco, eu me lembro de você... Ou devo dizer, Michel, Michel Jackson? - era Derleth falando agora

O louco tremeu, e sem ação acabou chicoteado pela criatura de pedra imensa e absurda... Mas se recuperou, se recuperou graças aos poderes de cura do Lllidorino. 

- Como você descobriu? Quem te contou? - o falsete na voz voltou quase imediato...
- Ninguém precisou me contar... eu só fiz as contas... Yogoloth-Pod, arremesse cadeiras da faculdade nele! - E o gigante panda começou a jogar cadeiras, carteiras e alguns alunos de contabilidade contra Michel, que teve que usar toda sua habilidade para esquivar-se dos objetos...
- Vamos ver, voltou dos mortos, como thriller, saiu andando do reflexo da lua, como Moon Walker, se contorciona como passos de dança, a pela de mármore, a roupa brega, meias brancas com calças e sapatos pretos, mas sobre tudo, a falta do nariz!
- É verdade, eu sou o devorador, eu sou o Michel Jackson, e não é saber meu nome que vai me matar! Eu sou imortal! - e num surto de ataques, como se dezenas de Pokéthulhus atacassem ao mesmo tempo, Yogoloth-Pod foi arremessado longe, o Téntátônix de Flor foi teleportado para o meio do Rio sem Nome, as Cadeiras e estudantes foram arremssados contra Leah, Flor e Derleth. - Ninguém pode me deter!

Até que, num clique metálico, a espinha de Michel gelou e foi Block que falou, pegando-o de surpresa...

- Pois eu tenho uma varinha mágica aqui que diz o contrário, Michel... É pau de fogo, filho da puta, morre! Morre! Morre!

Foram precisos três seguranças da universidade para tirarem Block de sobre o corpo pastoso e irreconhecível do que foi um dia Michel Jackson, ressurreto dos mortos, e agora, morto novamente. 

Num canto da faculdade, Berta despertava do arremesso, perguntando o que havia acontecido, e quem era ou foi Michel Jackson...

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Capítulo 19: Encontrando com Nyannara

Nyannara tinha se convidado para dar esta palestra aqui, na universidade Muskatronic. Ela queria fugir da ilha de Bal-Saggoth, para afastar O Louco dos quatro guardiões dos sonhos. E afastar a si mesma, caso o Louco soubesse mais do que sabem os outros mortais. Sabe Jynx o que o louco sabe sobre tudo isso e o que está acontecendo, e ela, jamais, nunca, gostaria de revelar o que ocorreu com ela durante as 24 horas na realidade.

A conferência estava prevista para a noite, e por isso, na manhã em que avisaram que quatro garotas de sexualidade duvidosa estavam à porta, Nyannara soube de imediato que eram elas, suas melhores aliadas, que vinham para lutar contra o Louco. 

- Nyannara! - diziam as quatro, particularmente bem vestidas
- Meninas! Que prazer em vê-las!
- E que linda que está - era Flor, claro - onde comprou esses sapatos sociais? Eu não os vi na cidade universitária...
- São seus gata, se não se importar dos presentes usados após minha palestra. 
- Aiiiiii Nyannara, você é a melhor...
- Você é Flor, vocês todas são minhas Charlie Angels... as antigas que eram mais elegantes.
- Então você já sabe do Louco? - Perguntou Block, cortando o momento garotas.
- Sim, eu já sei, esperava por vocês para vencê-los...
- Você irá nos ajudar?
- Nope. Eu não posso, sou a mestra das mestras, devo proteger os demais guardiões dos sonhos, e sua mãe, Flock...
- Mas Nyanara, como podemos vencê-lo? Como impedir alguém que se alimenta de Pokéthulhus e tem todos os ataques deles? 
- Eu chamo de varinhas mágicas, minhas fadinhas. - E dizendo isso, ela abriu um baú, e o precioso metal brilhou para as garotas, agora elas sabiam o que fazer. Só precisavam de uma isca, uma isca, e uma repórter verdadeiramente gostosa para anunciá-la... Todos os olhos se viraram para Derleth, ainda que ninguém tenha dito nada.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Capítulo 18: Chegada a Mukratonic Univrsity

Flor de Cactos foi a primeira a acordar. Seu vestido estava destruído, ela, e todos ao seu redor tinham desmaiado, ou dormido que seja, no meio do que quer que estivessem fazendo. Para elas foi apenas triste ter a roupa arruinada nas ruas de terra da entrada da universidade, mas foi particularmente triste para todos os passageiros e tripulação dos diversos Boings que estavam no ar na hora do acidente. Tempos depois uma TV faria um seriado que foi um fiasco, baseado na teoria que todos no mundo todo não apenas desmaiaram por 237 segundos, como também viram, ou não, seu futuro. Qualquer tonto sabe que um Dodeclapuff faz exatamente isso...

Flor despertou a Leah, mas ao invés de fazê-lo com uma cotovelada, como estava acostumada, ela o fez com carinho raro, tão diferente do seu jeito de sempre acordá-la, sorriu tão diferente da sua forma de sempre sorrir, e sem aviso ou espantou tirou-a para dançar... Leah, sorriu de volta, feliz de espantar as últimas 24 horas da cabeça, e a abraçou e dançou junto com ela. Derleth e Block foram as que tiveram mais dificuldade para voltarem à suas novas vidas, particularmente Derleth, de volta à sua forma de mulher, com rara ligação com o outrora Professor Antony Helmans. Os peitos e seu corpo a traziam para a nova realidade.

Elas olharam o barco na costa, bem preso, olharam a universidade com seus largos muros à frente delas, ao lado, ligeiramente à esquerda, indo em direção à Bahia Carcosa, havia uma cidade universitária, formada basicamente por repúblicas de estudantes, livrarias, cafés, bares e restaurantes, e algumas lojas de roupas. As quatro sorriram. Quando toda sua realidade depende do sonho de um deus ancestral que pode acordar tão facilmente como com a morte de um dos seus guardiões, o futuro do mundo pode esperar um dia à mais, hoje elas iriam curtir, e comprar roupas novas. 

Leah se comprou um vestido elegante, e sandálias de alto e uma bolsa elegante, feminina e delicada. Flor se comprou um terno rosa, buscando agarrar sua feminilidade e sem se lembrar que dava mais um passo para o futuro previsto pelo Dodeclapuff. Block e Derleth compraram tailers e pastas executivas femininas, prevendo um futuro como funcionárias em algum lugar, talvez, um concurso para trabalharem em algum banco público...

Festejaram nos bares, foram para a balada, onde as mais velhas compraram drinks para as mais novas, dançaram, se beijaram e dormiram como há algum tempo não faziam...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Capítulo 17: Aquelas 24 horas perdidas

Estudiosos iriam dedicar anos ao estudo dos ocorridos durante aquelas 24 horas, e ainda assim, quando finalmente os acontecimentos ocorridos durante aquele 29 de dezembro de 2013 da nova realidade, ou como diziam então, 29 de Téntátônix do ano 3, ainda iriam suscitar para todo o sempre centenas de teorias de conspiração e documentários no Discovery Channel e no History Channel, associando os ocorridos com alucinações coletivas, a chegada de alienígenas ou a presença de algum deus monoteísta, que fazem com que, à parte um grupo seleto de crédulos, todos iriam rir-se destas ideias tão tontas.

Seja como for, é um fato consumado, que naquela manhã seguinte, sem saber como chegou lá, ou melhor ainda, achando que tudo que tinha vivido até aqui foi meramente um sonho, Flor de Cactos desperta na manhã seguinte novamente como Flock Shields, em seu quarto, com seu amado rato Flash na gaiola ao seu lado. O cheio de café e torradas na manteiga o despertou, e então ele ouviu as vozes de seus pais no piso debaixo, na cozinha. Ele reclamava algo sobre os custos das passagens de ônibus e ela sobre os preços dos mercados e o aumento da hora da pista de boliche. Flor olhou suas roupas masculinas, e como um sonho, afastou as sapatilhas e vestidos da sua mente, seguiriam sendo um sonho do passado. 

Leah, acordou órfã como estava, na casa que era só sua e de sua tartaruga. Tinha pedido emancipação para ficar com a casa, ainda que seu pais, antes de se matarem, tenham deixado tudo para obras de caridade e instituições de criação de iscas de pesca. Ela se vestiu com seus vestidos preferidos e se preparo para sair ao colégio. Afastando a antiga realidade da mente, ela teria um encontro esta noite, e estava ansiosa por arrumar um marido que a sustentasse, antes que a pensão do estado acabe, o que seria quando ela cumprisse 16 anos. 

No ônibus para o colegial, ela encontrou-se com Berto, seu namorado. Ele estava lá, com uma jaqueta da equipe esportiva do colégio, apesar de fazer um calor que poderia assar um bolo no ônibus tomado de gente. Ambos se sentiam estranhos ali, e como todos viviam olhando para aparelhos pequenos, celulares, era isso. Ambos se lembraram dos seus, quase ao mesmo tempo. 

Ao chegarem no colégio, fingiram que não viram ao Flock, e foram direto para a sala de aula. A aula de economia do Professor Antony Helmans era a pior. Inseguro, deprimente, um triste homem solteiro. O dia transcorreu normal, Berto na roda dos populares, Leah na roda das populares, Flock renegado entre os impopulares. O único incidente foi o cinema de Leah e Berto, prejudicados com uma passeata feminista na avenida que prejudicou um pouco o filme. Não que ambos tenham se dado conta.

Ao final do dia, os três, relativamente tristes, foram para suas casas. O jornal falava algo sobre um novo imposto, Flock olhava os folhetos de cursos universitários. Ele queria fazer moda, mas seus pais queriam que ele fizesse algo útil, como medicina ou direito. Ele suspirava, mesmo sabendo que ainda era alguém muito feliz, o mais feliz possível para alguém preso para sempre na classe média baixa, e sem perspectivas de crescimento ou sem rasgo de genialidade. Antes de dormir por mais um dia que passou diante dele, ele olha para o velhíssimo ratinho em sua gaiola, e diz:

- Se ao menos pudéssemos ser algo diferente, Flash, se houvesse alguma alternativa a essa vida mais ou menos...

Mas tudo que seu rato fez, foi suspirar de forma inaudível, e morrer de velho...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Capítulo 16: Breve interlúdio

Quatro dos cinco conscientes moravam na ilha de Bal-Saggoth, no salão do constrangimento, logo atrás da sala das revelações, os quatro moravam com a antiga mãe de Flor, a Senhora Shields, antiga mestra da equipe Eibon, um grupo de adultos que buscava restaurar a normalidade do mundo e compreender o que era o número 42, era agora a guardiã dos Pokéthulhus conscientes, ainda que ela própria tivesse a mente regressada aos 12 anos de idade e agora tivesse pouca consciêndia do que fazia.

- Sei que há um desequilíbrio em nosso mundo, Guardião dos Sonhos...
- Também sinto isso, Pikathulhu. Devemos terminar com isso, hoje, ou o sonho de Rilleh pode acabar.
- Somos os mais poderosos, nós quatro, devemos atacar ao Louco. - era Téntátônix falando agora.
- E temos que repovoar o que o Louco está distruindo - era Scuttle quem dizia isso agora. 
- E todos queremos limonadas! Ah... Limonadas e um dia de sol na praia com minhas bonecas de Martha Hary - era a mãe de Flor de Cactos quem falava, que destoava do corpo de mulher de 40 anos com suas roupas e ações de uma garotinha de 12 anos. Uma imagem dolorida de se ver.
- Guarde a limonada Senhora Shields...
- Brooke,  me chame de Brooke, gracioso ratinho Flash...

Sem mais delongas, e muito aborrecido com o que estava acontecendo, Flash partiu, tão rápido e tão determinado, que correu sobre os mares, correu sobre a costa, cruzou Sharnoph-Reef, New Sunnit, passou ventando pelas vilas dos pescadores, mas ao invés de entrar no Rio sem Nome, ele virou a direita no Muskratonic Valley, e correu para as montanhas, onde ele entrou e encontrou-se com Berta, desmaiada no solo...

- Berta, você está bem? Berta...
- Ela esta bem, sim, Pikathulhu, eu o estava esperando...
- Louco... então já sabia que eu vinha, não é mesmo?
- E estava ansioso, com tanta fome...

Pikathulhu acreditava que teria uma luta épica, difícil, mas que venceria, após 18 a 19 capítulos, como uma luta de DragonBall, por isso, não forma de expressar sua surpresa ao saber, que tão logo pensou em atacar, uma luz começou a sugá-lo e, sem perceber, ele foi pego pelo Louco. O louco o absorveu, e então gritou, caiu no chão, fez duas ou três piruetas de danças e então, entre convulsões, ele vomitou um rato, branco e sem graça, e sem poder algum... Pikathulhu, o Senhor de todos os Pikathulhus foi vencido, sem sua merecida luta épica...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Capítulo 15: Cruzando o rio sem nome

O Rio sem Nome é um rio de águas negras, caudalosas e que eventualmente, correm ao contrário abrindo um portal, por apenas alguns segundos, para a terra regular dos anos 1970, num parque de diversões com uma única criatura mágica, um unicórnio. Suas águas eram tão poluídas como um Tietê e um Riachuelo juntos, algo como um Tâmisa Londrino na era do carvão.

Leah, Flor, Derleth e Block estavam prontas para cruzá-lo no glorioso bote reparado por Flor, O cruzador Rainbow. Particularmente esta manhã as águas do rio estavam tranqüilas, e seria possível cruzá-lo com remos somente. 

- Tem certeza que esse barco não vai arruinar meus sapatos, né Flor?
- Certeza absoluta Leah, esses All Stars hipster já vêem arruinados de loja. 
- Esta brava ainda que eu não quero mais usar saltos, né?
- Saltos, saias, maquiagem... Desde quando uniformes de hockey são consideradas roupas?
- Por Jynx Flor, não posso mais me expressar?
- Com essas roupas você já esta gritando, Leah!
- Calem ma boca as duas - disse Derleth - e ajudem a remar!
- Dér tem razão, meninas, mais remos, menos reclamações.

Cruzaram o rio, surpresas como os remendos que Flor fez no barco tão somente com instrumentos domésticos não apenas funcionou, como o deixou 10% mais eficiente em deslizar sobre as águas. Todas estavam impressionadas, e assim, cheia de orgulho, Flor declarou:

- Vi Martha Stwart reformar um barco, ela recomendou colocar hidratante e cera de abelhas para depilação na parte inferior do barco, para diminuir o atrito da água e aumentar a navegação....
- Flor, quantos anos perdemos com você como menino. As garotas precisam de você há mais tempo do que pensamos...
- Ah, obrigada Block, muito gentil... Vou tricotar uma bluzinha para você quando chegarmos na universidade...

Sem mais delongas, as garotas conseguiram cruzar o rio, passaram sob uma família de monstros do Lago Ness, os primeiros Pokéthulhus a chegarem a nossa realidade, nos anos 70, mas eles estavam ocupados, fazendo amor enquanto suas crianças dormiam, o que foi muita sorte para as garotas.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Capítulo 14: Muskratoniky Univrsity

Como qualquer coisa que os homens colocam os olhos, um desejo de disciplinar, categorizar e organizar surge na cabeça de algum bastardo, e isso vira um livro para outros curiosos, um curso opcional, um curso mais técnico, uma matéria na faculdade e quando menos se espera, alguém já tem um mestrado e é um consultor caro sobre o assunto...

Muskratonic Univrsity é um exemplo clássico do tema. Há três anos os deuses despertaram, ocuparam a terra e substituíram todos os animais do mundo por versões profanas e insanas. Neste pequeno intervalo, 239 livros foram escritos sobre o tema, ignorando evidentemente os Pokénomikons, o livro mais impresso desde a invensão da prensa de Guttemberg. A Universidade usou alguns Pokéthulhus como o Dodecapluff, capazes de viajarem no tempo, para criar formações de 12 anos em 1, graduação, especialização, mestrado e doutorado. 

Um efeito colateral das formações no futuro, é que as pessoas têm a oportunidade de já saberem com quem irão se casar, qual será sua preferência sexual, e como será sua vida no futuro. Assim, com apenas alguns dias, você já tem verdadeiros entusiastas ou desistentes em pânico, ainda que já soubessem que iriam desistir. 

A diretora, chamada de grande bibliotecária, Lumli, é a maior Pokéthulóloga do mundo. E ela também não apenas fez dois doutorados como também foi escolhida por Rilleh, sua parte inconsciênte ao menos, para representá-lo no mundo, o que faz dela uma espécie de elegia, ainda que Rilet jamais irá se lembrar disso, já que foi sua parte inconsciênte que fez a escolha.

Isso passa a cada vez que alguém esquece onde colocou as chaves, já que foi a parte inconsciênte que fez a escolha. Especialistas em Pokéthulologia dizem que isso acontece o tempo todo no universo.

A Universidade tem aparência de qualquer faculdade norteamericana, com prédios de tijolos e muito espaço verde domesticado na forma de praças entre as construções. Em suas vias, alunos se acomulam discutindo e sonhando com o futuro. Isto é, claro, com exceção do prédio de Pokéthulologia, que é escuro, envolto em bruma e de construções gigantescas e tetos abobodados, com uma arquitetura profana e obscura, onde o uniforme dos alunos são robes negros com capuz, e das alunas, roupas de colegiais japonesas com saias plissadas curtas de estampas xadrez. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Capítulo 13: Derleth e Block

Derleth e Block acordaram no meio da noite. Elas tinham agora 19 anos, e já estavam no limite da idade para serem cultistas Pokéthulhus. A mente de ambas já tinham dificuldades em aceitar a nova sociedade. Às vezes ambas poderia estar paradas, diante de dois Téntátônix em pleno ato sexual, e tudo que suas mentes viam eram a lista de compras do mercado, memórias de programas que queria assistir na TV, roteiros e tramas de novelas superficiais.

Manter-se ligadas a este mundo era algo que as duas queriam muito. Estavam felizes de terem deixado o Time Eibon, ainda que ele ainda existisse. Estavam felizes de terem feito amizade com Leah e com Flor, ainda que Flor fosse por vezes um menino mimado, outras vezes, uma megera ingrata e invejosa. De qualquer forma, suas influências sobre os Pokéthulhus via caindo, e elas sentiam isso a cada derrota para as duas meninas líderes de templos. 

Nesta noite as duas olharam para fora, e viram a vila agora apenas deserta, sem a assombração dos corpos e sem nenhum Pokéthulhu, e sentiram o véu da realidade pesando sobre seus ombros. A vida fora desta loucura não seria tão má, afinal. 

Derleth tinha conquistado o direito de viver na nova ordem mundial, ela não voltaria a ser o contador chato do passado. Block não era mais a líder feminista do velho mundo, mas não precisava, aqui, na nova ordem, logo depois dos deuses eram as mulheres que mandavam: Nyannara, a mestra dos mestres, exércitos clônicos de policiais Gostosas e enfermeiras Saradas. A grande Bibliotecária, Lumli, a maior Pokéthulóloga do mundo, por Jynx, Flor de Cactos poderia ser uma chata, mas era uma das melhores cultistas que já havia conhecido. 

As duas sentiram-se distantes do mundo, um desejo estranho de voltarem para casa, fazer faxina, compras no shopping e assistir a um filme no cinema percorreu suas espinhas. Se deram as mãos, se beijaram longamente, e olharam para Flor e Leah dormindo. Talvez uma última luta, uma última viagem, pelos velhos tempos e pelas tentativas de matar à suas novas amigas, e então, procurar emprego e uma vida adulta para cuidarem... Só talvez.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Capítulo 12: Berta

Berta capturada ficou desmaiada. Ela se lembrava de ver o uma esfera em quatro dimensões surgir, tragar ao seu marido Andy e alguns dos Pokéthulhus, e desaparecer. O gesto levou parte do braço de O Louco, e o fez gritar e urrar de forma insana. Seu braço retrocedeu à forma humana, mas de uma forma amputada, do cotovelo para baixo.

O Louco então virou-se para os outros Pokéthulhus ali presentes, e com um olhar fixo, fez algo que Berta primeiro pensou que era uma luz, surgindo do peito do Louco, mas depois ela entendeu, estava tudo errado, era uma luz que era tragada para o peito dele, a luz tragou também a Butterfynx, Boiteratech, Yogoloth-Pod, Polithulhu-Warp, e todos, todos os deuses que estavam ali. Quando o festim diabólico terminou, não havia um único deus no templo. O Louco estava recuperado, tinha não apenas seu braço de volta, como também sua pele já não era albina, era algo quase café, e seu nariz havia voltado....

Berta ficou pensando, pensando, ela já havia visto aquele rosto antes. Em algum lugar... Mas aquele olhar, tão perturbado, tão insano, a fez tremer de medo, pânico, pavor, e então, ela desmaiou...

Quando acordou, ela teve a infelicidade de despertar da mesma forma que dormiu em seu próprio templo. Só que agora eles estavam num outro lugar, numa aldeia de pescadores. O Louco esmagava, matava, esguichava ácido, fogo e pedras sobre os moradores. Viu um mínnion de um Scuttle, uma versão menor do deus consciente de Leah, tentando defender a sua Vila e sua fazenda humana. Ele atacou com bravura, usou ataques que ela nem sabia existirem, mas no final, teve o mesmo fim de todos da vila, foi absorvida pela Louco. 

O Louco respirou fundo ao terminar, como quem come demais e muito rápido, e então fechou os olhos e vomitou, muito, larvas, cobras, minhocas, borboletas e uma estranha tartaruga, grande demais para ter saído dele... Berta pensou estar sonhando, há anos sem ver tais criaturas, tão normais, tão mundanas. 

O Louco havia se alimentado dos deuses delas, e regurgitado criaturas ordinárias. Ele não estava mais se curando apenas, ele estava tragando as essências delas. Talvez, só talvez, aquela criatura Louca, que se assemelhava a um ser humano adulto, fosse o maior perigo à nova ordem mundial, ao sonho e Rilleh, e ao novo mundo de Berta. Berta vislumbrou voltar a ser um valentão sem amigos na escola de novo, chamado Berto e educado por pais tão pobres e ignorantes, que ele preferia mentir que era macacos, e ninguém nunca conseguiu duvidar dele... Esta mera expectativa contrastava tanto com algo que ela tinha feito há pouco tempo, com algo que passava com ela justo agora, ela teve medo, e desmaiou de novo...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Capítulo 11: Em algum lugar das montanhas

A figura magra, de chapéu Panamá e camisa vermelha, calças social ajustada e sapatos de dançar com meias brancas, olhava para fora de sua caverna. Ele podia agora se mover tão rápido como um Pikathulhu, mas comia como o panda gordo e demoníaco Yogoloth-Pod. Tinha tanta fome... fome por mais deuses, fome por Pokéthulhus.

Fitou na floresta por mais criaturas. Estava cansado de criaturas insetos e mal cheirosas, queira algo bom. Em sua cabeça recordações mescladas de um muscial, na sua vida anterior, e um sabor, um paladar, que ele ainda não reencontrou... Olhou para Berto/Berto alí, naquele vestido de princesa Disney e seus trejeito andróginos, e algo naquelas forma o fez se lembrar de sua vida passada. Vida passada... Ele, o Louco, se lembrava de ter vivido antes da Nova Ordem, e de ter morrido...

Tudo era tão confuso, ele se lembrava de uma sala, de uma programação de TV e algo indecifrável, de milhares de cabeças, braços, troncos, olhos e bocas, cujo tamanho era do infinitamente gigante a até mesmo do tamanho humano, de acordo com a forma com você olhava. Um piscar de olho e uma inclinação de um grau no ângulo do olhar, e a criatura ia de gigante no horizonte distante há algo tão perto e tão pequeno que se poderia pisar com mais um passo. 

Fosse o que fosse a criatura, ali definitivamente era uma sala, havia a TV, o tapete redondo brega, a mesa de centro, e a poltrona. Algo na TV lembrava a si próprio, ainda que ele mal soubesse quem era. Foi quando, de súbito, um dos infinitos olhos daquilo se abriu, se fixou nele, e sua mente virou mingau. Tudo que ele se lembra de ter a sensação de ter a pela arrancada com um descascador de batatas, por horas, dias, meses, e então, então, nada...

O Louco acordou num cemitério. Sem idéia do que ou quem era, mas soube imediatamente, conforme ao absorver Kafkanians e outros Pokéthulhus larvas e insetos, que seu corpo se restaurava, que ele podia armazená-las, usá-las, e aquilo, aquilo era bom...

Do túmulo que ele levantou, um fio de água formado pelas chuvas da madrugada, deixava o reflexo da lua, conforme ele andava para fora dela...

Overthinking Back to the future

And you thought I would let the date go blank, right? We arrive and go through that moment where the three "Back to the Future" fi...