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Vou-me embora para Pasárgoda

Hoje não tem texto. Hoje não tem criação. Hoje só tem a fuga, uma fugidinha breve, leve, fulgás. Só Manuel Bandeira me entende. E nem ele está por aqui mais. Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente na...

Poesia numa hora dessas?!

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Uma poesia não é feita com palavras. A poesia já existe, A gente s'põe as palavras em volta para ela aparecer - como as bandagens do homem invísivel, lembra? Luis Fernando Veríssimo é famoso por suas crônicas e até mesmo seus romances, em geral, curtos ou medianos. Uma escrita caracterizada pelo humor e pela leveza, a leve crítica e confissões de um tímido notório, que no papel se solta. Um livro menos famoso do autor, no entanto, é seu livro de poesias ilustradas, Poesia numa hora dessas?!, um obra visual e escrita, que por vezes a poesia precisa do apoio das ilustrações, dele também, para funcionarem à perfeição. O humor, traço marcante do escritor, também esta presente em toda sua grandeza e esplendor na sua obra: Eu queria, senhora ser o seu armário e guardar os seus tesouros como um corsário Que coisa louca: ser seu guarda-roupa! Alguma coisa sólida circunspecta e pesada nessa sua vida tão estabanada. Um amigo de le (de que madeira eu não sei), Um s...

Ode ao mestre Manuel Bandeira

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Se houve uma pessoa que me ensinou a ler a poesia, e a viver a poesia, esta pessoa foi Manuel Bandeira. A poesia, bem como muitas das artes plásticas, é nula de significados se entregues aos nossos próprios “achismos”, se não tivermos consciência do contexto histórico e da vida do próprio autor ao estudá-la e não há ninguém que traduza isto melhor que Manuel Bandeira. Andorinha: Andorinha está lá fora dizendo — "Passei o dia à toa, à toa!" Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida à toa, à toa. O texto à primeira vista, uma confissão de boêmio arrependido ganha outra cor após conhecermos melhor a vida e o cenário em que viveu Manuel Bandeira. Quando jovem, iniciava seu curso de engenheiro-arquiteto teve sua vida alterada por uma doença: a tuberculose. Mortal na época, Manuel Bandeira escapa à ela mas seu médico não lhe daria um diagnóstico positivo, disse-lhe que evitasse esforços e que, provavelmente, teria uma vida curta. Ironicamente ...