Perpértuos Pacificus era um cara legal, gostava do que fazia e fazia por 24/7 suas tarefas, sem importar como. Pelas manhãs corria, pelas tardes fugia da realidade, da nova e da velha, jogando jogos ainda mais profanos que casamentos com menores de idade ou os deuses que habitam agora nosso mundo: RPG's online.
Uma noite ele saiu de casa no meio da madrugada. Ele odiava sair de casa no meio da madrugada, mas estava com a visita de seu amigo insuportável, um fumante inveterado, alcoólatra reconhecido e orgulhoso de ser, e falante como rádio com o botão desligar quebrado. E o filho da puta queria cerveja. Mais cerveja. Mas ao sair ele viu algo que o chocou ainda mais que seu amigo mal-educado e viciado, ele viu ao Louco.
Uma forma andrógena, com calças coladas, meias brancas, e cabelos compridos, que tinha os braços abertos em cruz, e absorvia sem discrição há um Sy'Thyradeo. Seus olhares se cruzaram, Perpétuos sentiu os joelhos vacilarem, como nunca fizeram em sua vida. Tudo que ele conhecia e amava, tudo que ele queria como estava, estava agora ameaçado por esta visão que ele queria negar a todo custo. O Louco o olhou nos olhos. Ele tremeu, mas não pode escapar do que via.
- Eu sou o devorador dos deuses, o devorador das infâncias e do que é bom...
Perpétuos sem saber o que dizer, sorriu de volta apenas... Ele se lembrava de já tê-lo visto antes, em outra vida, na outra, antiga realidade... Mas como?
- Não se preocupe, eu fiz um favor para você, já matei ao seu amigo.
- Mas e quanto a mim? O que será de mim?
O Louco riu. - De você? Nada, é claro. Eu só absorvo a vida, para mim só me interessam as crianças e aos Pokéthulhus, e absorvê-lo seria como tragar um estrato bancário, sem vida, sem criatividade e que raramente faz alguém feliz...
E com estas palavras o Louco se foi, ignorando ao homem que deixava para trás, que para sempre negaria, para si e para todos que esse encontro alguma vez ocorreu...
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